“Após anos de sacrilégio e profanações dentro da Basílica de Aparecida, a liderança de Dom Orlando Brandes chega ao fim no Pontificado do Papa Leão XIV”, afirma-se numa publicação de 16 de outubro. O post chegou a centenas de utilizadores, com dezenas de partilhas e milhares de reações no Facebook.

Questiona-se mesmo quem será o novo arcebispo da cidade da Aparecida, no Brasil, e os utilizadores são remetidos para um “comunicado da saída de Orlando Brandes”.

Não é, no entanto, verdade que o arcebispo de Aparecida, Orlando Brandes, tenha sido exonerado pelo Papa Leão XIV. Prova disso é o facto de não existir qualquer registo nos canais oficiais do Vaticano dessa mesma exoneração, prática comum da comunicação do pontificado.

Nas redes sociais do Santuário Nacional de Aparecida, também não é referida qualquer exoneração do bispo e, numa publicação de 26 de outubro, foi transmitida em direto uma missa presidida pelo arcebispo Orlando Brandes, provando que se encontra em plenas funções.

No passado, o arcebispo entrou em conflito com Jair Bolsonaro, ainda este era Presidente do Brasil, o que o torna agora um alvo da desinformação partilhada por defensores do antigo Presidente nas redes sociais. Brandes chegou a condenar, durante as suas homilias, a “política armamentista” da governação de Bolsonaro. Numa ocasião específica, em que o antigo Presidente visitava a Aparecida, emitiu uma nota a distanciar-se de um terço organizado por um grupo católico ultraconservador.

É também conhecido pela defesa dos direitos dos mais pobres no Brasil, insistindo na votação de leis que favoreçam os mais carenciados. Fê-lo mesmo, recentemente, quando um representante governamental marcou presença oficial numa das suas celebrações.

Conclusão

É falso que o Papa Leão XIV tenha decidido exonerar Orlando Brandes, um arcebispo brasileiro crítico de Bolsonaro. Não há registos de tal tomada de decisão, e o representante do Vaticano continua a sua atividade regular na cidade da Aparecida, no Brasil.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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