Nas redes sociais multiplicam-se publicações que garantem que o Papa Leão XIV, líder da Igreja Católica, expôs um suposto escândalo de corrupção dentro do Vaticano. Os posts, disseminados sobretudo no Facebook nas últimas semanas, somam centenas de gostos e partilhas.

Grande parte deles apresenta uma única fonte: um extenso vídeo, publicado no Youtube, a 4 de setembro. O vídeo, de quase 30 minutos, apresenta a teoria de que o atual chefe da Igreja Católica teria apresentado provas e factos que estariam a ser “escondidos” pelo seu seu antecessor, o Papa Francisco. O título é: “Escândalo milionário: Leão XIV expõe a rede de corrupção que Francisco ignorou”.

Com um tom conspiratório e sensacionalista, o vídeo sugere uma disputa interna na Igreja Católica. Assim consta na descrição do vídeo: “Um escândalo sem precedentes sacudiu o Vaticano: o Papa Leão XIV expôs uma rede milionária de corrupção que, segundo ele, havia sido ignorada pelo Papa Francisco. A revelação trouxe à tona segredos obscuros, intrigas internas e levantou questionamentos sobre a transparência dentro da Igreja”. E continua: “Neste vídeo, você vai descobrir: Quais documentos e provas foram apresentados por Leão XIV; Como funcionava essa rede milionária de corrupção; Por que Francisco teria ignorado os sinais e denúncias; Quais as possíveis consequências para o futuro do Vaticano e para a imagem da Igreja no mundo. Assista até o fim — os bastidores dessa revelação vão te surpreender.”

O vídeo, revisto pelo Observador, utiliza nomes de líderes religiosos para conferir uma alegada aparência de credibilidade. No entanto, nenhuma das informações dada no vídeo é verídica. Não há quaisquer registos em órgãos de comunicação social fidedignos, comunicados do Vaticano ou discursos oficiais que dêem conta de qualquer das informações veiculadas.

Além disso, o vídeo segue a narrativa padronizada neste género de conteúdos criados para espalhar desinformação: imagens de arquivo misturadas com imagens produzidas através de Inteligência Artificial para criar uma nova narrativa com recurso a uma voz sintética (na descrição do vídeo é visível a indicação de “dobragem automática”) como narrador.

De resto, o canal de Youtube onde está publicado o vídeo, de nome “Ecos do Passado”, publica quase diariamente outros vídeos com informação falsa, nomeadamente a respeito da Igreja Católica, como é facilmente verificável acedendo à listagem de publicações.

Conclusão

Não é verdade que o Papa Leão XIV tenha exposto uma rede de corrupção ignorada por Francisco. O vídeo em questão, de onde origina a teoria, é uma montagem com elementos falsos, sem qualquer respaldo em declarações, documentos ou fontes fidedignas.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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