Um vídeo começou a circular nas redes sociais para denunciar jornalistas que, segundo o seu autor, estão a simular um enterro de uma vítima da Covid-19. Mas não se trata de qualquer simulação: é apenas uma equipa de repórteres de um jornal brasileiro a fazer uma reportagem sobre o dia a dia dos coveiros, em tempo de pandemia. Quer a jornalista, quer o grupo de comunicação já vieram desmentir a insinuação que é feita no vídeo.

Exemplo de publicação, esta com mais de 300 partilhas

O vídeo tem pouco mais de três minutos. Nele é possível ver um coveiro, equipado com um fato de proteção individual, e uma equipa de reportagem que o filma enquanto tapa a cova com a terra. Pouco depois, a equipa de reportagem deixa o local, acompanhada pelo coveiro.

Enquanto isso, vai-se ouvindo a voz da pessoa que está a filmar o vídeo, que nunca aparece, a afirmar que se trata de um enterro falso fabricado pela comunicação social. Até porque, segundo afirma, não está a acontecer nenhum cortejo fúnebre, não há ninguém no cemitério além daquelas pessoas e está “tudo normal”.

“Agora vai fechar o buraco, simulando que está enterrando. Vou filmar tudo. Porque na hora em que meterem isto na televisão, vou publicar e mostrar que é mentira“, afirma o autor do vídeo.

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Só que não estava a ser feita qualquer simulação de um enterro: aquela equipa de reportagem é do canal TV Vitória e encontrava-se no cemitério de Barra do Jucu, no município de Vila Velha, no estado brasileiro de Espírito Santo, a fazer uma reportagem sobre o dia-a-dia dos coveiros em tempos de pandemia. Na reportagem, já entretanto divulgada, é possível ver o resultado final das filmagens partilhadas nas redes sociais. Pode ser vista aqui:

No próprio dia em que este vídeo começou a circular nas redes sociais, a jornalista que fez a reportagem, Marla Bermudes, veio desmentir as insinuações feitas. Entrevistada num programa da TV Vitória, a jornalista garantiu que “jamais” simularia “um enterro ou qualquer outra situação”.

Eu e o cinegrafista Wilian O’brien estávamos a fazer imagens para explicar o trabalho dos coveiros e as atividades que eles exercem. A reportagem teve o objetivo de homenagear o trabalho desses profissionais e não de fingir que a coveira em questão estaria a simular a abertura de uma cova ou a fingir que estava enterrando alguém”, afirmou.

Marla Bermudes detalhou ainda que, quando chegou ao cemitério, a “cova estava aberta” — e “não a pedido” da equipa de reportagem. O que estavam a filmar “eram imagens de apoio para ilustrar as atividades que ela [a coveira] exerce no dia a dia”, explicou, adiantando que se sentiu “muito desrespeitada” pelo vídeo que começou a circular, especialmente porque a equipa de reportagem foi, durante as filmagens, “agredida verbalmente” e “ameaçada”.

O grupo Rede Vitória, que integra a TV Vitória, já emitiu também um comunicado onde, à semelhança do que a jornalista tinha feito, explica que a equipa estava a fazer uma reportagem sobre coveiros e, por isso, estava a registar “passo a passo” o trabalho deles. “O vídeo gravado descontextualiza o momento, deturpa o faxto e cria uma narrativa mentirosa”, lamenta a Rede Vitória no comunicado, que se pode ler aqui:

Posicionamento da Rede Vitória de Comunicação #jornalismo #redevitória #comunicação

Posted by Espírito Santo no Ar on Thursday, April 1, 2021

O comunicado alerta ainda que “os profissionais envolvidos” estão a ser “atacados nas redes sociais, de maneira covarde”. “A Rede Vitória tomará todas as medidas cabíveis, seja fortalecendo a transparência, seja via judicial contra a produção” e partilha deste “ataque virtual criminoso”, remata.

Conclusão

Um vídeo começou a circular nas redes sociais para denunciar jornalistas que, segundo o seu autor, estão a simular um enterro de uma vítima da Covid-19. Mas não se trata de qualquer simulação: aquela equipa de reportagem é do canal TV Vitória e encontrava-se a fazer uma reportagem sobre o dia-a-dia dos coveiros em tempos de pandemia — que entretanto já foi divulgada.

A própria jornalista que fez a reportagem, Marla Bermudes, já veio desmentir as insinuações que feitas, explicando que, quando chegou ao cemitério, a “cova estava aberta e não a pedido” da equipa de reportagem e qua apenas estavam a gravar “imagens de apoio para ilustrar as atividades que ela [a coveira] exerce no dia a dia”. Também o grupo Rede Vitória, que integra a TV Vitória, já emitiu também um comunicado onde explica que a equipa estava a registar “passo a passo” o trabalho dos coveiros e que “o vídeo gravado descontextualiza o momento”.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota 1: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

Nota 2: O Observador faz parte da Aliança CoronaVirusFacts / DatosCoronaVirus, um grupo que junta mais de 100 fact-checkers que combatem a desinformação relacionada com a pandemia da COVID-19. Leia mais sobre esta aliança aqui.

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