Algas no prato, moscas na ração e autocolante que gela garrafas chegam com PRR (que terminou). Shein entra em bolsa. E há cada vez mais pessoas com dois empregos
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) chegou ao fim… ou quase. Ainda falta o 10.º pagamento que só deverá chegar, se a Comissão Europeia aprovar, no final do ano. Para já todas as reformas, metas e marcos têm de estar cumpridos. O prazo para essa execução terminou a 31 de agosto. Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e Coesão Territorial, que carregou na mochila a execução do PRR, de 22 mil milhões de euros, elogiou os portugueses com o cumprimento do plano e garantiu que não se perderá um cêntimo. Mas há muitos projetos que acabaram fora do PRR — porque não estariam concluídos a tempo — e outros cuja conclusão (além das metas obrigatórias do PRR) precisam de dinheiro que virá, em parte, do Orçamento do Estado — e que o PS quer saber como serão financiados. Não se sabe quanto.
Manuel Castro Almeida, no balanço realizado, assumiu que foram inscritas metas acima dos 100% para poder garantir todo o dinheiro. Falta o dia seguinte. E é sobre esse dia seguinte que também os projetos inscritos nas designadas Agendas Mobilizadoras (dinheiro para financiar projetos de criação de produtos) esperam para perceber se os conseguirão prosseguir. Foram desenvolvidos 1.270 produtos. O Observador foi atrás do dinheiro e viu o que se conseguiu em seis agendas mobilizadoras. Insetos que, utilizados como matéria-prima, são transformados em fertilizante e proteína para rações para animais; autocolante para fazer gelar cervejas; algas em maionese; ou a garrafa mais leve do mundo. Tudo exemplos do que se conseguiu. Agora é olhar para o futuro. E, por isso, como recomendaram ao Observador: para saber o que fica do PRR, será preciso voltar “daqui a um ano ou dois”.
Carris. Elevador da Glória será totalmente novo
A 3 de setembro de 2025 o Elevador da Glória descarrilou. Fez 16 mortes e duas dezenas de feridos. Um ano depois, só foram pagas, ainda, quatro indemnizações, mas a Câmara de Lisboa garante que a Fidelidade já fez mais propostas. Ainda não há relatório final sobre as causas do acidente e as investigações judiciais continuam com a constituição de arguidos — o ex-diretor de manutenção, a empresa de manutenção MNTC (com quem a Carris deixou de ter contratos) e o seu gestor, segundo noticiou o Público.
O GPIAAF (Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Ferroviários) só deverá divulgar o relatório final no primeiro trimestre de 2027. Mas como diz o presidente da Carris, Rui Lopo, o que mais interessa é que, “mais do que ser num ano ou em seis meses, quando se conclua se saiba exatamente o que é que aconteceu”.
Para já a decisão da Carris está tomada. Vai nascer na Calçada da Glória um equipamento totalmente novo, com outras características técnicas. O desenho final será concebido nos próximos cinco meses, com vista ao lançamento de um concurso público internacional no primeiro trimestre do próximo ano. Toda a envolvente da Calçada será relevante, com a Carris a projetar que o novo Elevador da Glória possa começar a andar em 2029.
Há mais pessoas com dois empregos. Trabalhar por dois para ter mais
Elaine e Inês são apenas dois exemplos de um total de 280 mil trabalhadores com pelo menos duas atividades. As contas ao fim do mês levou-as a procurar rendimento exra. No caso de Inês é o seu segundo emprego que lhe permite abraçar a “paixão” de longa data pela fotografia. O Observador procurou casos de pessoas com mais do que um emprego.
Se entre 2011 e 2013 o número de trabalhadores com mais do que um emprego caiu devido à crise económica e elevada taxa de desemprego, foi em crescendo depois desse ano, até que a pandemia travou novamente a fundo nestas estatísticas. Mas nos últimos seis anos o número voltou a crescer e não mais parou, atingindo o seu pico em 2025. A lei permite pluriatividade, mas os patrões podem perguntar, na altura da contratação, se existem outros empregos.
A EMPRESA
Levou quatro anos a falar da entrada em bolsa. Um objetivo apontado para o mercado de Nova Iorque e de Londres, mas que acabou a ser concretizado em Hong Kong. A Shein entrou em bolsa com o pé esquerdo. Logo na abertura caiu 10%, acabando a recuperar no final para o valor a que tinha entrado. Mas ao segundo dia volta às quedas em bolsa. Na oferta pública inicial a Shein arrecadou 1,7 mil milhões de dólares (1,465 mil milhões de euros, ao câmbio atual), avaliando a companhia em 26,5 mil milhões de dólares (22,8 mil milhões de euros). Um valor que é 70% abaixo dos 98,2 mil milhões de dólares (85 mil milhões de euros) a que tinha sido avaliada em 2022.
A avaliação mais baixa reflete as preocupações em relação ao aumento da concorrência, pressão geopolítica, além de questões sobre a sustentabilidade e práticas laborais da empresa. O aviso ficou feito no prospeto de entrada em bolsa: “Apesar dos lucros recorde em 2023, 2024 e 2025, não podemos assegurar que conseguiremos manter rentabilidade no futuro e não podemos basear-nos na rentabilidade histórica como indicador de desempenho futuro”. Nos primeiros três meses do ano, a empresa teve prejuízos de 99 milhões de dólares”. Nesse mesmo documento adverte para o impacto que pode ter a iniciativa da União Europeia de passar a aplicar uma taxa sobre os produtos oriundos de países terceiros e que, diz a Shein, pode ter um “efeito material adverso no nosso negócio”. A Europa pesa um terço das vendas da Shein. Também nos Estados Unidos a pressão aumentou, com a imposição de tarifas à entrada.
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