|
|
A cada semana, nova subida. O gasóleo atingiu o preço médio mais alto de sempre em Portugal — 2,210 euros por litro. O preço médio da gasolina está nos 2,107 euros, um pouco abaixo do recorde de 2,170 euros atingido em junho de 2022. O Governo afasta uma política mais musculada de apoio generalizados, repetindo o mantra das contas equilibradas e os avisos sobre o regresso do défice (apesar de no primeiro semestre ter havido um excedente de 0,5%), caso ceda às propostas do PS e do Chega para cortar no IVA. Mas a pressão está a crescer e vem de todos os lados. |
Os transportes, um setor que o Executivo diz estar a ajudar, queixam-se de apoios insuficientes e de ainda não terem recebido o primeiro pacote de ajudas aprovado em abril e que terminou em junho. Queixas que se multiplicam por outras atividades. |
E há os exemplos dos países europeus onde os governos têm sido mais generosos. Espanha reforçou a vantagem fiscal face aos combustíveis portugueses e, em vésperas de eleições regionais, a Alemanha cortou o imposto petrolífero em 17 cêntimos por litro. |
De França chega um cenário mais assustador do que a escalada dos preços. A escassez. Esta semana, praticamente um quinto das bombas estava seca em pelo menos um produto. O Governo aliviou exigências para facilitar o abastecimento de gasóleo. |
A maioria dos postos sem produto pertence à Total, a maior petrolífera francesa, que adotou uma política de preços fixos, mais baixos do que os praticados pelo resto do mercado. A corrida aos postos da Total explica em parte a falta, mas em França e em Portugal os governantes vão deixando sinais de alerta. Se o estrangulamento no acesso aos produtos refinados persistir ou se se agravar, aumenta o risco de escassez. É importante poupar, avisa a ministra do Ambiente e Energia. |
A baixa do IRS que não dá para encher o depósito e o bónus nas pensões |
Foi numa declaração à hora dos telejornais e sem direito a perguntas, que o primeiro-ministro revelou os detalhes das duas medidas de devolução de rendimentos que defende, em alternativa a uma redução mais acentuada do imposto sobre os combustíveis. As taxas de IRS baixam entre 0,3 pontos e 0,5 pontos até ao sexto escalão, mas as simulações do próprio Governo mostram que o ganho será moderado. Um salário de 1.500 euros mensais poderá poupar 65 euros num ano. Não chega para atestar o carro que, com os preços inflacionados dos combustíveis, custa agora mais de 100 euros. Há outras simulações das consultoras para mais casos, que não fogem muito a esta realidade. |
Pago de uma só vez a cerca de dois milhões de pessoas, o bónus das pensões terá mais impacto nos rendimentos mais baixos. Todos os pensionistas que recebam até 537,13 euros (1 IAS em 2026) vão ter 200 euros de bónus na pensão de dezembro, o valor máximo do suplemento. Já os que recebam pensões entre os 537,13 euros e os 1074,26 euros (1 e 2 IAS) vão receber 150 euros. Quem vai receber menos de bónus é quem já recebe mais de pensão. No caso dos pensionistas que recebem entre 1074,26 euros e 1611,39 euros (2 e 3 IAS) o apoio vai ficar pelos 100 euros. |
Preço das casas usadas sobe mais do que o das casas novas |
É o segundo trimestre consecutivo em que se verifica um abrandamento no preço das casas em Portugal, mas ainda assim o índice de preços da habitação divulgado pelo INE saltou 16,5% no segundo trimestre deste ano, face ao mesmo período do ano passado. No trimestre anterior, o crescimento tinha atingido os 17,8%. O Instituto Nacional de Estatísticas revela que houve uma queda no número de casas vendidas entre abril e junho deste ano e que o preço das casas já habitadas está a subir mais do que o valor das novas habitações — 18% contra 12,3%. O Alentejo lidera no crescimento do valor dos imóveis transacionados. |

|
A EMPRESA |
Duas semanas depois do negócio concretizado e já com muita informação tornada pública pela consulta à documentação entregue no pedido de visto, o Governo libertou informação sobre a compra de uma fatia da REN. |
O regresso do Estado à REN foi concertado com o outro Estado que já lá estava, o chinês. E Portugal quer que a State Grid se mantenha como acionista de referência. Das quatro páginas de esclarecimentos divulgadas esta terça-feira, um dia antes do ministro das Finanças ir ao Parlamento falar sobre o tema, fica-se a saber quem eram os seis membros do Governo que sabiam antecipadamente da operação, tendo sido dada uma garantia face a dúvidas da oposição: nenhum deles tinha ações na REN. Foi justificado o racional do prémio de 15% pago ao empresário espanhol que até começou por pedir mais dinheiro ao Estado. Miranda Sarmento disse aos deputados que a iniciativa de fazer negócio com Amancio Ortega partiu do Estado que quer alcançar até 20% da REN. |
Obrigado por subscrever a newsletter de Economia do Observador. Regressamos na próxima quarta-feira à sua caixa de correio eletrónico. Até lá continue a seguir-nos no site e na rádio. Envie-nos dúvidas e sugestões. |