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Economia. A Christine que diz ter saído injustamente (da TAP) e a Christine que pode sair antecipadamente (do BCE)

18 fev. 2026, 17:53
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Economia

quarta, 18 fev. 2026
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Edgar Caetano
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Três anos depois de sair da TAP e colocar a transportadora aérea em tribunal, alegando ter sido despedida injustamente, Christine Ourmières-Widener está indignada por não ver “qualquer progresso”. A francesa diz que é “conhecimento comum” que a justiça é lenta mas nem por isso se deve “aceitar como normal” que, tanto tempo depois, não haja quaisquer sinais de evolução no processo em que pede uma indemnização de 5,9 milhões de euros à TAP.

Além da indemnização, fica claro, na grande entrevista que a francesa deu ao Observador, que Christine Ourmières-Widener quer vencer o caso em tribunal porque vários possíveis novos empregadores lhe perguntam, invariavelmente, o que se passou na TAP. A gestora quer responder, quando lhe voltarem a perguntar sobre o caso, que ficou provado que não havia razões profissionais para a despedir.

“Fui um bode expiatório, um escudo político num momento difícil para o Governo”, afirma a francesa, salientando que foi com ela que a TAP teve “os melhores resultados da história recente” e que foi, também, com ela na liderança que foram tomadas decisões “difíceis” mas essenciais para a reprivatização que agora está em curso.

A gestora considera que as escutas a António Costa – apesar de “não terem feito, propriamente, grandes manchetes” – provam que Christine Ourmières-Widener foi demitida por razões políticas. “Gostaria que essas escutas pudessem ser utilizadas como meio de prova, uma vez que são claras quanto aos motivos que levaram à saída” mas, “até agora, nada aconteceu”, lamenta a francesa que diz que ainda hoje é reconhecida na rua quando vem em Portugal – mesmo em pequenas aldeias no centro do país e mesmo quando não está a usar os óculos coloridos que se tornaram imagem de marca.

“Fumo” ou “fogo” no BCE? Novos rumores de que Lagarde sairá antes do fim do mandato

Outra Christine que esteve nas notícias nos últimos dias foi Christine Lagarde, a presidente do BCE. Mais uma vez, está em cima da mesa uma eventual saída antecipada da liderança da autoridade monetária, não concluindo o mandato que dura até outubro de 2027. Mas, agora, o “fumo” é tão denso que leva a crer que existe, mesmo, “fogo”.

Há cerca de um ano, foi noticiado que a presidente da autoridade monetária teria estado pessoalmente envolvida num plano para sair do BCE e suceder a Klaus Schwab na liderança do Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla original) – até já estava reservado um luxuoso apartamento na Suíça, onde passaria a viver. Esse rumor acabou por se desvanecer, talvez por ter chegado aos jornais. Mas, agora, o fundamento é diferente – está ligado ao calendário eleitoral francês.

Se Lagarde optar por sair nos próximos meses, ainda será Macron a ter palavra decisiva na escolha da pessoa que irá liderar o BCE nos próximos oito anos. Mas se se esperar até ao verão/outono de 2027 para que, então, se escolha um sucessor, isso trará o risco de que o crucial “voto francês” esteja na mão do nacionalista Jordan Bardella ou de Marine Le Pen, prováveis candidatos às eleições que acontecem na primavera de 2027. E, aí, poderá estar sob ataque a independência e ortodoxia monetária em que assentou a criação do BCE.

Este é um raciocínio que foi explicado num texto analítico da Bloomberg publicado no início da semana. Mas o Financial Times, nesta quarta-feira, foi mais longe e retratou a saída antecipada de Lagarde como uma certeza. O BCE garante que Lagarde “não tomou qualquer decisão” nesse sentido, um meio-desmentido que é claramente menos taxativo do que aquilo que foi dito há um ano, perante as notícias sobre a ida para o WEF.

Kristin. Bruxelas recusa prolongar PRR mas Miranda Sarmento garante “equilíbrio orçamental”

Bruxelas não aceitou o pedido português de prolongar o tempo de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que termina no final de agosto, mas o Governo está a procurar formas de utilizar verbas não utilizadas para acudir às regiões afetadas pelas tempestades.

A revelação foi feita nesta quarta-feira, no parlamento, pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, e surgiu pouco depois de o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, ter reconhecido que ainda não é possível calcular, na totalidade, a “dimensão dos impactos económicos e orçamentais” causados pelas intempéries.

Miranda Sarmento garantiu que a prioridade continua a ser o “equilíbrio orçamental” e fugiu a admitir que o superávite deixou de ser uma possibilidade – reconheceu, porém, que “o país tem de fazer escolhas”. Ainda assim, as despesas que o Estado venha a incorrer nestas tempestades e nestas cheias serão despesa one-off, ou seja, não vão contar para a despesa líquida primária.

Entretanto, o líder dos socialistas, José Luís Carneiro, pressionou Luís Montenegro a revelar o impacto da calamidade nas contas públicas. Mas o Governo, para já, só responde com uma “bazuca da simplificação”, ciente de que irá demorar um ano até que esteja concluído “o essencial da recuperação”. Além disso, vai lançar-se o concurso para a construção de uma barragem que, caso existisse, poderia ter evitado a inundação do Mondego, a barragem de Girabolhos. Mas essa construção foi suspensa pelo governo de António Costa, em 2016, apoiado pelos partidos da geringonça.

Na banca, o supervisor financeiro veio dar um esclarecimento forma que o setor bancário já vinha pedindo nas últimas semanas: nos casos em que os clientes recorrerem à moratória, isso não levará a que esses clientes sejam “automaticamente” reclassificados como clientes de maior risco – o que tem grande relevância, também, para as contas dos bancos e para os seus rácios de capital regulatório. O Banco de Portugal estima que estão emprestados 32 mil milhões de euros nos concelhos mais afetados.

Já no terreno, a meteorologia vai trazer algumas tréguas (possivelmente curtas) que serão úteis para essa recuperação e, também, nas obras de reparação da principal autoestrada do País, a A1 – obras que devem terminar na primeira semana de março e que, segundo fonte da empresa, “no imediato”, serão pagas pela Brisa. “No imediato”.

A EMPRESA

Há perto de cinco anos que nenhuma empresa com dimensão toma a iniciativa de abrir o respetivo capital na bolsa de Lisboa. A última foi a Greenvolt, no já longínquo verão de 2021. Desde aí, apenas o Novo Banco teve intenções de dispersar o capital em bolsa – ou, pelo menos, disse aos investidores e aos jornais que admitia fazê-lo – mas acabou por ser vendido, fora de mercado, aos franceses do BPCE. O longo jejum pode, no entanto, quebrar-se no próximo ano.

A seguradora Fidelidade está a preparar-se para um possível IPO (sigla anglo-saxónica usada na gíria dos mercados para “oferta pública inicial”) que pode concretizar-se no início de 2027. A intenção foi revelada na última semana pela agência Bloomberg que, citando fontes conhecedoras do processo, afirma que a empresa já tem vindo a falar com bancos de investimento (que ajudam a montar este tipo de operações) e com potenciais investidores.

O objetivo da operação – que nada garante que irá mesmo acontecer – é fazer uma venda de ações que avalie a totalidade da empresa em três mil milhões de euros. A chinesa Fosun pagou em 2014 pagou mil milhões de euros por 80% da seguradora (e hoje tem 85% do capital, com os restantes 15% nas mãos da Caixa Geral de Depósitos) e, agora, pode recuperar tudo o que investiu mesmo que venda apenas um terço das ações que detém, aproximadamente.

O grupo chinês, há vários anos confrontado com algum stress financeiro e necessidade de vender ativos, teve planos de vender parte do capital da Luz Saúde na bolsa mas acabou por não o fazer: a Fidelidade, acionista maioritária da Luz Saúde, aceitou recentemente vender 40% da empresa aos australianos da Macquarie. Mas agora é a própria casa-mãe que poderá passar a constar dos portfólios de ações dos investidores na bolsa de Lisboa, que teve em 2025 o melhor ano desde 2009 (uma subida de quase 30%) e que continua com uma boa prestação neste início de 2026.

Esperamos que esta newsletter de Economia do Observador, que sai semanalmente, seja especialmente útil neste período de Carnaval, com férias para alguns. Voltamos a aparecer na sua caixa de e-mail na próxima quarta-feira. Até lá.

Cá dentro e lá fora

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A semana nos mercados

Evolução semanal

Stoxx 600 629,01 +0,8%
S&P 500 6.893,77 -1,2%
PSI 9169,88 +1,1%
Mota-Engil €5,16 +2,7%
Millennium BCP €0,90 -0,4%
Amazon.com $205,57 -1,1%
Indra Sistemas €6,44 +2,7%
Ouro (onça) $5005,10 -1,4%
Petróleo (Brent) $68,46 +0,6%
Bitcoin €56.788 -2,1%

Os próximos dias

19 de fevereiro

Comissária Maria Luís Albuquerque reúne-se, em Lisboa, com primeiro-ministro e líderes da APB, APS, ASF e CMVM
Corticeira Amorim apresenta resultados anuais
9h30 Fórum Económico Seguros, com o tema “A geoeconomia: como a geopolítica interfere na economia e o reflexo no setor segurador”
11h00 INE divulga "Índices de Preços na Produção Industrial", de janeiro
13h30 Balança comercial dos EUA em dezembro (e 2025)
15h00 Debate quinzenal no parlamento, com a presença do primeiro-ministro
17h00 Navigator divulga resultados do exercício de 2025

20 de fevereiro

Comissária Maria Luís Albuquerque reúne-se, em Lisboa, com governador do BdP e ministro das Finanças
8h00 S&P Global: Índice de Gestores Compras (PMI) na zona euro, estimativa rápida de fevereiro
12h30 Produto Interno Bruto dos EUA no quarto trimestre

23 de fevereiro

Banco de Portugal divulga "Endividamento do setor não financeiro", de dezembro

24 de fevereiro

14h00 Índice de preços nas casas nos EUA pela Federal Housing Finance Agency e S&P/Case-Shiller

25 de fevereiro

9h00 Conferência "Conversas com Fomento", organizada pelo Banco Português de Fomento
10h00 Eurostat divulga "Índice Harmonizado de Preços no Consumidor" (IHPC) de janeiro
11h00 INE divulga "Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação", em janeiro
15h00 Debate com o primeiro-ministro no parlamento
17h00 Millennium BCP apresenta os resultados do ano de 2025
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