As “entradas em mercado são bem-vindas“, afirmou nesta quinta-feira Isabel Ucha, presidente da Euronext Lisbon, numa altura em que o Novo Banco reconhece publicamente estar a preparar uma venda de parte do capital nos mercados financeiros. A presidente da gestora da bolsa portuguesa (de ações e outros ativos financeiros) recusa fazer comentários sobre as intenções do Novo Banco – porque essas respostas “competem aos seus acionistas” – mas afirma que a entrada em bolsa desta instituição financeira, “a concretizar-se, terá certamente um nível de liquidez interessante” porque “é um banco com dimensão“.
“Gostamos que entrem [novas] empresas, isso alarga as opções para os investidores e aumenta a liquidez” do mercado, afirmou Isabel Ucha num encontro com jornalistas na sede da bolsa portuguesa em Lisboa. Fugindo a fazer comentários sobre (possíveis) cotadas específicas, a responsável comentou que “uma empresa que cumpra as normas de mercado e as regras que possa ser atrativa é bem-vinda“.
Uma oferta pública inicial (IPO, na sigla anglo-saxónica por que estas operações são mais conhecidas) do Novo Banco, “a concretizar-se, é um banco com dimensão e que terá certamente um nível de liquidez interessante“. “Esse é um elemento que é valorizado e pode ser interessante”, acrescentou a responsável, salientando que existe neste momento uma “apetência acrescida dos investidores [internacionais] por ações europeias“.
O eco que nós temos dos investidores é que eles estão a olhar para a Europa como uma oportunidade porque pode haver uma desvalorização em relação às ações norte-americanas”, que têm subido mais nos últimos anos, afirmou Isabel Ucha.
Para o Novo Banco, a opção de cotar as ações na bolsa portuguesa e não noutra praça faz sentido, acrescenta a presidente da Euronext Lisbon, porque “o Novo Banco é um banco esmagadoramente português, tem praticamente toda a atividade em Portugal com grande implantação e impacto na economia portuguesa”. Por regra, diz a responsável, “o que temos observado é que as empresas têm uma tendência para optar pelo local onde a entidade onde é mais reconhecida”.
Além disso, a Euronext Lisbon tem uma “vantagem competitiva”, em alternativa a outras bolsas, que é o facto de não ser se tratar apenas da “bolsa portuguesa: é a Euronext europeia, que tem 11 a 12 mil milhões de euros em ações negociadas a cada dia – o que é o dobro da bolsa de Londres e três vezes a bolsa de Frankfurt”.
“Temos uma vantagem competitiva para oferecer” mas “a opção é dos acionistas“, reiterou Isabel Ucha.