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Poucas semanas depois de PSD e Chega terem chegado a acordo (que o Chega já admitiu rasgar) para passar a proposta do Governo para mudar a lei das rendas para a especialidade, viabilizando-a na generalidade, o povo saiu à rua. A falta de acesso à habitação, em particular pelos jovens, foi a justificação para as várias manifestações em várias cidades do país, mas que tomaram uma proporção maior no Porto (em particular depois de no final da semana passada ter havido carga policial) e em Lisboa, com a instalação de várias tendas (que foram sendo retiradas) em praças emblemáticas das duas cidades e a sua proibição além da meia noite e meia com base numa lei de 1974. |
As manifestações têm continuado. Enquanto isso os políticos atiram culpas uns aos outros. O PS a criticar as medidas do atual Governo; o atual Governo a criticar os anos de governos socialistas. Foi assim no Parlamento, tem sido assim nas várias intervenções do Governo. Em entrevista à Rádio Observador, Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, declarou que “foi a lei do PS que nos trouxe” até à forte subida nas rendas. E admite que as propostas para o arrendamento podem ainda sofrer alterações na Assembleia da República, mas vai recordando que as medidas principais tomadas pelo seu Governo ainda não tiveram tempo para produzir efeitos. Exceto no caso dos apoios aos jovens para comprarem casa ou nas habitações disponibilizadas ao abrigo do PRR. Mas o próprio Estado tem muitos imóveis vazios e tendo prometido realizar três leilões em 2026, ainda só fez um. |
Os números é que não têm lados políticos. Os preços das casas subiram 16,8% em 2025 e continuaram a subir em 2026. O valor das rendas em novos contratos subiram 10% no ano passado. Por outro lado, segundo um estudo do Banco de Portugal, cerca de 40% do valor em imóveis das famílias está nas mãos das 10% mais ricas. Falta habitação e a que há está cara. E isso está a preocupar até os investidores internacionais. |
Um erro ou uma interpretação nas pensões de três mil pessoas? |
A Caixa Geral de Aposentações anunciou a correção de cerca de três mil pensionistas, que terão de devolver dinheiro. Se a média de devolução é de 93 euros, segundo contas da CGA, há, segundo o Bloco de Esquerda, correções de pensões que estão perto do salário mínimo nacional. Uma pensão de 920,62 euros corrigida para 863,50 euros; outra de 917,66 euros para 872,10 euros. O presidente da CGA, ouvido no Parlamento, prefere falar da correção média, dando um o exemplo no extremo máximo: a maior correção individual foi de 198 euros, de 8.107 euros para 7.909 euros. |
O gestor foi chamado para explicar a correção das pensões que a CGA garantiu ter acontecido por um erro na parametrização do sistema informático, detetado quando em maio se chegou a primeira vez à situação em que alguns pensionistas atingiram 21 anos de serviços após 2005, quando houve a mudança das regras e se estabeleceu a chamada pensão convergente. A CGA considera uma taxa anual de formação para estes casos de 2%, mas inicialmente aplicou os valores compostos previstos para carreiras mais longas. Os partidos da oposição consideram que tal decorre de uma interpretação da CGA que não devia ter sido decidida administrativamente. O presidente da CGA garantiu no Parlamento que as correções foram decididas pelo organismo, sem consulta ao Governo. O caso está a ser analisado pela Provedoria de Justiça e ainda deve voltar ao Parlamento, uma vez que subsistem dúvidas. O Bloco questionou, entretanto, o Governo pela exigência de devoluções enquanto decorre a audiência prévia. Enquanto a CGA fala em erro de parametrização, a esquerda não tem dúvidas sobre como se deve chamar ao que a CGA fez: corte de pensões. |
Zona Oriental de Lisboa vai mudar (outra vez) |
São 700 milhões de euros que a Infraestruturas de Portugal tenciona investir para quadruplicar a linha ferroviária que passa dentro de Lisboa e preparar a entrada do comboio de alta velocidade na capital. A empreitada visa quadruplicar a linha no percurso de Roma-Areeiro e Santarém — incluindo Linha de Cintura e Linha do Norte, o que vai implicar a reformulação de várias estações ferroviárias. Uma delas é a Gare do Oriente, que se vai expandir para o lado oeste. A solução para esta infraestrutura foi desenhada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava que a concebeu inicialmente para a Expo 98. |
Mas este projeto, que está em consulta pública até 25 de novembro, implicará novos viadutos ferroviários antecipando acessos à futura terceira travessia do Tejo, mudanças no apeadeiro de Moscavide e no de Marvila, novo interface entre a estação ferroviária de Chelas e o metro das Olaias. No total, serão quatro viadutos e dois túneis ferroviários. |

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A EMPRESA |
O segredo está na massa. Não é todos os dias que uma empresa portuguesa entra nas notícias internacionais por ser a protagonista de uma fusão de 1,8 mil milhões de euros. E uma fusão que vai resultar na tomada da maioria do capital numa nova empresa que vai gerir negócios de massas alimentícias com operações principais em Portugal, Espanha e França. A protagonista portuguesa é a Cerealis, dona das massas Milaneza e Nacional, que no início do ano comprou uma empresa em Espanha (a Cerealto). Agora, menos de um ano depois, anuncia a fusão com a francesa Panzani, que, além de massas, tem também molhos. E que volta à Península Ibérica, depois de já ter estado em mãos da espanhola Ebro Foods que a vendeu, por 550 milhões, à CVC Partners em 2021. A Panzani chegou a estar no universo Danone, mas em 1997, passou para a Paribas Affaires Industrielles que a vendeu à Ebro Foods. A Cerealis tem a sua origem em 1919, quando José Alves de Amorim, Manuel Gonçalves Lage e Aníbal Augusto Soares fundam a Amorim, Lage & Soares. |
Pedro Moreira da Silva ficará a liderar a nova empresa com sede em Portugal (embora individualmente a Panzani continue sediada em Lyon). Pedro é de uma das famílias (Moreira da Silva) que controla a Cerealis juntamente com a família Silva Domingues (da BA) — que compraram a Cerealis em 2021 — e a empresa gestora de participações sociais Sofina. A nova holding terá agora a CVC Partners que é o fundo de investimento que detém a Panzani. O volume de negócios conjunto será de cerca de mil milhões de euros, empregando cerca de 1.800 pessoas. A líder mundial, a Barilla, tem receitas de cerca de 5 mil milhões de euros. |
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