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No dia em que enfrentou a moção de censura lançada pelo Chega, partido que exige a demissão do ministro da Administração Interna, Luís Montenegro tentou recentrar o debate – e as preocupações dos eleitores – naquilo que toca no bolso das pessoas: anunciou um “bónus” para os pensionistas a pagar em dezembro e, atrelado a isso, uma descida de 400 milhões no IRS que, por ter efeitos retroativos a janeiro, irá “engordar” os salários de novembro (a serem pagos mesmo na altura em que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 estará a ser votada na Assembleia da República). |
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, explicou, ao final da noite desta terça-feira, que o Governo fez uma “escolha política” ao preferir dar mais rendimento aos portugueses (com a baixa do IRS e o suplemento das pensões) em vez de, por exemplo, baixar mais o imposto sobre os combustíveis – uma área onde o executivo se mantém firme na recusa de mais apoios generalizados. |
“O Governo entende que o importante é reforçar os rendimentos. Cada pessoa fará as suas escolhas”, afirmou o ministro, em entrevista à SIC Notícias. Mesmo sabendo que, para milhares de famílias e empresas, consumir mais ou menos combustíveis não é simplesmente uma questão de “escolhas”, o Governo decidiu atuar, para já, de forma apenas cirúrgica: prolongou os apoios ao gasóleo agrícola e as ajudas no setor da pesca até ao final do ano. |
Mas a pressão sobre o Governo – acusado de estar a “lucrar” com a subida dos combustíveis – está a intensificar-se. Os preços do barril de petróleo (Brent) voltaram a superar os 100 dólares nesta quarta-feira e o preço do gás natural na Europa atingiu máximos de três anos, um sinal de que a instabilidade no Médio Oriente (além da guerra na Ucrânia, que também continua sem fim à vista) vai continuar a atormentar a gestão financeiras das empresas e famílias – e a ensombrar a negociação do Orçamento do Estado para o próximo ano. |
O Governo vai reunir-se com todos os partidos com assento parlamentar “no final do mês” (de setembro) para preparar esse mesmo orçamento anual. Mas André Ventura, líder do Chega que já teria resposta ensaiada para a tentativa de “finta” de Luís Montenegro pelo lado da economia, anunciou que vai, desde já, “apresentar na próxima semana projetos lei para descer o IVA nos combustíveis e para colocar o IVA a zero no cabaz alimentar”. |
Lagarde só queria uma reta final de mandato tranquila (mas não vai tê-la) |
Há um ano, Christine Lagarde estava a gerir um BCE que estava a navegar em “velocidade de cruzeiro”, com a taxa de juro estacionada em 2% e a inflação controlada, perto do objetivo (que também é de 2%). A francesa parecia ter assegurado que, depois do surto inflacionista de 2022/2023, em que foi muito criticada por atuar de forma tardia, poderia agora gozar de uns tranquilos últimos anos de mandato, até outubro de 2027 – ou, até, aproveitar para sair mais cedo. |
A guerra no Médio Oriente, porém, trocou-lhe as voltas. Embora o ponto de partida seja bem diferente, em comparação com o pós-pandemia, o BCE voltou a ter de subir as taxas de juro para contrariar o efeito inflacionista associado aos preços mais elevados do petróleo e outros produtos. A taxa de juro subiu em junho e, agora, deve voltar a subir nesta quinta-feira – aumentando para 2,5%. |
A grande dúvida – que não é apenas dos analistas mas será, também, da própria Lagarde – é o que acontece depois. Os juros vão continuar a subir, mesmo que ao ritmo lento e gradual que temos visto? Ou podem subir mais rapidamente se a inflação começar a dar sinais de descontrolo? Ou, terceira hipótese, a situação normaliza e as taxas não sobem para níveis mais elevados do que estes 2,5%, que seriam níveis que já se poderiam considerar restritivos da atividade económica? |
Quem estiver à espera de ter, na conferência de imprensa desta quinta-feira, respostas para estas perguntas irá, provavelmente, ficar dececionado. Lagarde deverá fazer tudo para evitar comprometer-se com decisões futuras. E, do seu ponto de vista, quanto menos pistas der sobre o futuro, melhor. Nesta fase, os mercados apostam que as taxas vão continuar a subir, mas nem os mercados têm uma bola de cristal. Às empresas e famílias, pouco resta a fazer que não continuar atentos ao desenrolar dos acontecimentos, ao mesmo tempo que se acomoda as subidas das taxas de juro que já estão a fazer-se sentir nas prestações. |
REN. Estado já comprou posição de dono da Zara mas contribuintes ainda não sabem quanto pagaram |
A 1 de setembro o Tribunal de Contas deu o necessário visto favorável à aquisição, por parte do Estado, da posição qualificada na REN que era de Amancio Ortega, o dono da Zara. Mas nem a Parpública nem o Ministério das Finanças indicaram o valor da transação – ou seja, os contribuintes ainda não sabem quanto é que pagaram pelo investimento que fizeram. |
Apenas se sabe que o acordo com o empresário espanhol foi anunciado em 14 de agosto e a operação de compra de 13,7% da empresa ficou fechada a 7 de setembro, após cumprida a condição suspensiva que era o visto do Tribunal de Contas. |
Durante o debate da moção de censura apresentada pelo Chega, Luís Montenegro fez uma referência ao tema, mas manteve tudo na penumbra. “Teremos a oportunidade, quando esse dossiê se encerrar da parte do Governo, de o trazer à Assembleia da República com toda a informação necessária e poderemos aprofundar ainda mais esse debate”, afirmou. Também a ministra do Ambiente e Energia remeteu esclarecimentos para mais tarde, mas vai dizendo que a entrada no capital da REN permitirá ao Estado influenciar a empresa a partir de dentro. |

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A EMPRESA |
Acabou a era Tim Cook na Apple. O gestor que sucedeu ao mítico Steve Jobs em 2011 transformou a produtora do iPhone numa máquina de gerar retornos para os acionistas, através de dividendos e programas de recompras de ações – coisas de que Steve Jobs não era, de todo, um fã. Mas, agora, os desafios são outros – e John Ternus foi o homem escolhido para os enfrentar. |
Aos 51 anos, Ternus tornou-se há poucos dias o oitavo CEO dos 50 anos de história da companhia onde já trabalha há 25 anos. Nas três últimas décadas, que marcam um período de maior estabilidade da empresa, Ternus é apenas o terceiro CEO. Já era uma cara conhecida dos aficionados dos produtos da marca, por marcar presença regular nas apresentações anuais do novo iPhone – e é precisamente aí que vai aparecer, nesta quarta-feira, como novo rosto da empresa, num evento que pode acompanhar no Observador. |
É visto como um dado adquirido que caberá a John Ternus, um homem do hardware, apresentar aquele que deverá ser o primeiro smartphone dobrável da Apple. Os desafios estão, no entanto, também no software e, em particular, na Inteligência Artificial (IA), uma área onde a Apple tem ficado um pouco para trás mas que será “crítica” para o futuro da empresa. |
Como dizem os especialistas ouvidos pelo Observador, arrisca perder o seu lugar de destaque se não jogar as cartas certas na área da IA. Este é um setor que já viu muitas marcas icónicas, aparentemente imbatíveis, como a Blackberry e a Nokia, perderem o trono de forma brusca. Caberá a John Ternus, na liderança da empresa, garantir que a Apple não segue o mesmo caminho. |
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