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Economia. Pensionistas e IRS: Montenegro quis fintar Ventura pelo bolso dos eleitores. E o BCE, até quanto irá subir os juros?

09 set. 2026, 17:54
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Economia

quarta, 09 set. 2026
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Edgar Caetano
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No dia em que enfrentou a moção de censura lançada pelo Chega, partido que exige a demissão do ministro da Administração Interna, Luís Montenegro tentou recentrar o debate – e as preocupações dos eleitores – naquilo que toca no bolso das pessoas: anunciou um “bónus” para os pensionistas a pagar em dezembro e, atrelado a isso, uma descida de 400 milhões no IRS que, por ter efeitos retroativos a janeiro, irá “engordar” os salários de novembro (a serem pagos mesmo na altura em que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 estará a ser votada na Assembleia da República).

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, explicou, ao final da noite desta terça-feira, que o Governo fez uma “escolha política” ao preferir dar mais rendimento aos portugueses (com a baixa do IRS e o suplemento das pensões) em vez de, por exemplo, baixar mais o imposto sobre os combustíveis – uma área onde o executivo se mantém firme na recusa de mais apoios generalizados.

“O Governo entende que o importante é reforçar os rendimentos. Cada pessoa fará as suas escolhas”, afirmou o ministro, em entrevista à SIC Notícias. Mesmo sabendo que, para milhares de famílias e empresas, consumir mais ou menos combustíveis não é simplesmente uma questão de “escolhas”, o Governo decidiu atuar, para já, de forma apenas cirúrgica: prolongou os apoios ao gasóleo agrícola e as ajudas no setor da pesca até ao final do ano.

Mas a pressão sobre o Governo – acusado de estar a “lucrar” com a subida dos combustíveis – está a intensificar-se. Os preços do barril de petróleo (Brent) voltaram a superar os 100 dólares nesta quarta-feira e o preço do gás natural na Europa atingiu máximos de três anos, um sinal de que a instabilidade no Médio Oriente (além da guerra na Ucrânia, que também continua sem fim à vista) vai continuar a atormentar a gestão financeiras das empresas e famílias – e a ensombrar a negociação do Orçamento do Estado para o próximo ano.

O Governo vai reunir-se com todos os partidos com assento parlamentar “no final do mês” (de setembro) para preparar esse mesmo orçamento anual. Mas André Ventura, líder do Chega que já teria resposta ensaiada para a tentativa de “finta” de Luís Montenegro pelo lado da economia, anunciou que vai, desde já, “apresentar na próxima semana projetos lei para descer o IVA nos combustíveis e para colocar o IVA a zero no cabaz alimentar”.

Lagarde só queria uma reta final de mandato tranquila (mas não vai tê-la)

Há um ano, Christine Lagarde estava a gerir um BCE que estava a navegar em “velocidade de cruzeiro”, com a taxa de juro estacionada em 2% e a inflação controlada, perto do objetivo (que também é de 2%). A francesa parecia ter assegurado que, depois do surto inflacionista de 2022/2023, em que foi muito criticada por atuar de forma tardia, poderia agora gozar de uns tranquilos últimos anos de mandato, até outubro de 2027 – ou, até, aproveitar para sair mais cedo.

A guerra no Médio Oriente, porém, trocou-lhe as voltas. Embora o ponto de partida seja bem diferente, em comparação com o pós-pandemia, o BCE voltou a ter de subir as taxas de juro para contrariar o efeito inflacionista associado aos preços mais elevados do petróleo e outros produtos. A taxa de juro subiu em junho e, agora, deve voltar a subir nesta quinta-feira – aumentando para 2,5%.

A grande dúvida – que não é apenas dos analistas mas será, também, da própria Lagarde – é o que acontece depois. Os juros vão continuar a subir, mesmo que ao ritmo lento e gradual que temos visto? Ou podem subir mais rapidamente se a inflação começar a dar sinais de descontrolo? Ou, terceira hipótese, a situação normaliza e as taxas não sobem para níveis mais elevados do que estes 2,5%, que seriam níveis que já se poderiam considerar restritivos da atividade económica?

Quem estiver à espera de ter, na conferência de imprensa desta quinta-feira, respostas para estas perguntas irá, provavelmente, ficar dececionado. Lagarde deverá fazer tudo para evitar comprometer-se com decisões futuras. E, do seu ponto de vista, quanto menos pistas der sobre o futuro, melhor. Nesta fase, os mercados apostam que as taxas vão continuar a subir, mas nem os mercados têm uma bola de cristal. Às empresas e famílias, pouco resta a fazer que não continuar atentos ao desenrolar dos acontecimentos, ao mesmo tempo que se acomoda as subidas das taxas de juro que já estão a fazer-se sentir nas prestações.

REN. Estado já comprou posição de dono da Zara mas contribuintes ainda não sabem quanto pagaram

A 1 de setembro o Tribunal de Contas deu o necessário visto favorável à aquisição, por parte do Estado, da posição qualificada na REN que era de Amancio Ortega, o dono da Zara. Mas nem a Parpública nem o Ministério das Finanças indicaram o valor da transação – ou seja, os contribuintes ainda não sabem quanto é que pagaram pelo investimento que fizeram.

Apenas se sabe que o acordo com o empresário espanhol foi anunciado em 14 de agosto e a operação de compra de 13,7% da empresa ficou fechada a 7 de setembro, após cumprida a condição suspensiva que era o visto do Tribunal de Contas.

Durante o debate da moção de censura apresentada pelo Chega, Luís Montenegro fez uma referência ao tema, mas manteve tudo na penumbra. “Teremos a oportunidade, quando esse dossiê se encerrar da parte do Governo, de o trazer à Assembleia da República com toda a informação necessária e poderemos aprofundar ainda mais esse debate”, afirmou. Também a ministra do Ambiente e Energia remeteu esclarecimentos para mais tarde, mas vai dizendo que a entrada no capital da REN permitirá ao Estado influenciar a empresa a partir de dentro.

John Ternus e Tim Cook, anúncio de nomeação para novo CEO

A EMPRESA

Acabou a era Tim Cook na Apple. O gestor que sucedeu ao mítico Steve Jobs em 2011 transformou a produtora do iPhone numa máquina de gerar retornos para os acionistas, através de dividendos e programas de recompras de ações – coisas de que Steve Jobs não era, de todo, um fã. Mas, agora, os desafios são outros – e John Ternus foi o homem escolhido para os enfrentar.

Aos 51 anos, Ternus tornou-se há poucos dias o oitavo CEO dos 50 anos de história da companhia onde já trabalha há 25 anos. Nas três últimas décadas, que marcam um período de maior estabilidade da empresa, Ternus é apenas o terceiro CEO. Já era uma cara conhecida dos aficionados dos produtos da marca, por marcar presença regular nas apresentações anuais do novo iPhone – e é precisamente aí que vai aparecer, nesta quarta-feira, como novo rosto da empresa, num evento que pode acompanhar no Observador.

É visto como um dado adquirido que caberá a John Ternus, um homem do hardware, apresentar aquele que deverá ser o primeiro smartphone dobrável da Apple. Os desafios estão, no entanto, também no software e, em particular, na Inteligência Artificial (IA), uma área onde a Apple tem ficado um pouco para trás mas que será “crítica” para o futuro da empresa.

Como dizem os especialistas ouvidos pelo Observador, arrisca perder o seu lugar de destaque se não jogar as cartas certas na área da IA. Este é um setor que já viu muitas marcas icónicas, aparentemente imbatíveis, como a Blackberry e a Nokia, perderem o trono de forma brusca. Caberá a John Ternus, na liderança da empresa, garantir que a Apple não segue o mesmo caminho.

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A semana nos mercados

Evolução semanal

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Stoxx 600 640,41 -0,88%
S&P 500 7.629,90 -0,06%
Nasdaq Composite 26.218,79 +0,48%
Volkswagen €81,70 +10,85%
Amgen $391,69 -11,25%
Millennium BCP €1,16 +0,17%
Inditex €54,48 -3,58%
Lululemon $99,38 -16,16%
Petróleo (Brent) $101,15 +5,77%

Os próximos dias

10 de setembro

Glintt Global divulga resultados do 1.º semestre
11h00 Banco de Portugal publica indicador diário de atividade económica de setembro de 2026
11h00 INE divulga índice de preços no consumidor, em agosto
13h15 Decisão de política monetária do BCE e conferência de imprensa de Christine Lagarde, em Berlim
13h30 Pedidos de subsídio de desemprego nos EUA, na última semana

11 de setembro

Assinalam-se 25 anos dos ataques terroristas nos EUA
Início da IX edição do Mercado da América Latina em Cascais
Termina o 12.º Congresso sobre Planeamento e Gestão das Zonas Costeiras dos Países de Expressão Portuguesa
7h00 Produto interno bruto (PIB) em julho, no Reino Unido
11h00 INE publica índices de volume de negócios, emprego, remunerações e horas trabalhadas nos serviços de julho
11h00 INE divulga estatísticas das obras licenciadas e concluídas no 2.º trimestre
13h30 Índice de preços no consumidor nos EUA, em agosto
18h00 Discurso de Philip Lane, economista-chefe do BCE, na Irlanda

12 de setembro

Convenção Autárquica Nacional do PS em Leiria
9h00 Discurso de Christine Lagarde em França
12h30 Seminário anual da APIC – Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes

13 de setembro

Termina a iniciativa Os Setembristas, do Livre, que marca a rentrée do partido

14 de setembro

Ibersol divulga resultados do primeiro semestre
11h00 INE divulga atividade dos Transportes - Estatísticas rápidas do transporte aéreo, em julho

15 de setembro

Banco de Portugal divulga boletim oficial
10h00 Eurostat divulga dados sobre balança comercial, em julho
10h00 Apresentação em Lisboa da nova Associação Habitação e Desenvolvimento Por Portugal (AHDPP)

16 de setembro

19h00 Decisão de taxas de juro da Reserva Federal dos EUA e conferência de imprensa de Kevin Warsh
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