Neste mês de Março, internacionalmente dedicado à mulher, quero escrever para os homens. Não para todos os indivíduos do sexo masculino, pois felizmente os homens não são todos iguais, mas para aqueles que sei que precisam de ler este texto – ou porque não entendem o que é celebrado durante este período ou porque se sentem injustiçados por não terem um mês em seu nome.

Se por acaso é um homem que acha que o problema da sociedade ter perdido valores morais e éticos, nomeadamente em respeito à família, é culpa do empoderamento da mulher e feminismo este artigo é para si. Em nome da mulher que teve de trabalhar num período em que os direitos laborais não lhe eram garantidos mas teve de se sujeitar para sustentar os filhos, quando o seu marido decidiu abandonar o lar e nunca mais voltar. E se atribui essa mesma razão à criação de homens que considera “meninos”, então deveria culpar os homens que não foram bons pais, que estiveram ausentes, e que não ensinaram valores fortes de união familiar e amor, no decorrer do crescimento dos seus filhos. A real masculinidade é a coragem, a proteção e a responsabilidade; não é o poder, a antifeminilidade e a invulnerabilidade.

Por outro lado, se é um homem que acha que as mulheres se devem restringir a fazer certas e determinadas coisas devido à sua “biologia”, este artigo também é para si. Em nome da Grace Hopper que inventou a programação por computador; da Hedy Lamarr que inventou a conexão wireless; Mary Anderson que inventou o limpador de pára-brisas; e de Tabitha Babbitt que inventou a serra circular de corte. De facto as mulheres e os homens não são iguais, é algo cientificamente provado. Mas na verdade, nenhum indivíduo também é igual, seja ele de sexo feminino ou masculino. Cada um de nós tem as suas vocações, habilidades, gostos e interesses, e a liberdade e direito para perseguir os nossos objetivos deve ser a mesma perante a lei e justiça.

E ainda, se é um homem que compactua com aqueles grupos de chat online onde são partilhados conteúdos sexuais sobre mulheres sem consentimento, este artigo também é para si. Em nome da sua irmã, prima ou filha que são alvos de assédio sexual, ou em casos mais graves de abuso sexual, por homens que não respeitam o valor da mulher. A sua presença nestes grupos é complacente com a perpetuação de atitudes machistas que desvirtuam completamente as mulheres, contrariamente às ideias moralistas que defende, querendo encontrar uma mulher “de bem” com quem diz querer casar e ter filhos.

E por fim, se for um daqueles homens revoltados consigo próprio e que vai para as redes sociais escrever barbaridades como “as mulheres não deviam votar”, obviamente que este artigo é para si. Em nome da sua mãe que tomou a enorme decisão de o gestar e parir. Vou assumir que a senhora o teve em plena consciência, portanto tenho pena que tenha de passar pelo arrependimento de ter tido um filho. Na verdade, ela bem podia não o ter tido e você não estaria a ler este artigo.

Para os verdadeiros Homens, aqueles que entendem a relevância social e cultural deste dia e mês, agradeço em nome das mulheres. Esta celebração também é vossa.