Sete de outubro de 2023, grupos armados do Hamas entram em território israelita e personificando a mais primitiva das barbáries, raptam, queimam, violam, assassinam, quantos civis vão encontrando no percurso. Horas depois, a horda extasiada exibe cadáveres em imagens que correm mundo, festejando a selvática cobardia e a medieval empreitada.

Recuemos a vinte e seis de setembro de 2023. Haim Katz, então ministro do turismo de Israel, protagonizava a primeira visita pública de um ministro israelita à Arábia Saudita, numa de várias ações que vinham sendo patrocinadas pelos EUA, procurando a aproximação entre  estados  Árabes e o estado Israelita. Os meses que antecedem o ataque, registavam um conjunto de passos sólidos, que se exteriorizavam numa expressão clara da vontade de paz duradoura na região.

É neste contexto de xadrez político regional, com avanços entre israelitas e árabes num efetivo caminho de pacificação, que ocorrem os ataques terroristas de 23 de outubro.  Não aconteceram por acaso! Pelo contrário, seguiram uma claríssima e intencional agenda – travar a possibilidade de normalização de relações e de paz, que pudesse estar em cima de uma qualquer mesa de negociações.

O Hamas é um grupo terrorista radicalizado, que está pouco ou nada preocupado com a causa e com o povo palestino. Incompatibilizado com a própria Autoridade Palestiniana, vive de e para a guerra, dependendo da agitação popular e acima de tudo bélica, para assegurar a sua própria sobrevivência.

A possibilidade de um  acordo histórico entre a Arábia Saudita e Israel que à data se desenhava, com o consequente e elevado contributo para um processo de  pacificação regional, estava nos antípodas dos interesses da organização que, em qualquer que fosse o cenário de paz, ficaria reduzida à completa irrelevância.

O objetivo do ataque não foi outro, senão tentar desencadear a reação musculada de Israel que se adivinhava, agitando o mundo árabe e obstaculizando qualquer  acordo entre árabes e israelitas por tempo indeterminado.

O Hamas quis saber muito pouco das consequências para o povo palestiniano. O importante era gerar o caos, manter o estado de guerra e assegurar dessa forma a sua própria sobrevivência.

Mas ocorreu  um erro de cálculo! A reposta de Israel talvez se tenha tornado mais determinada do que os terroristas esperariam! Mesmo com a propaganda em que a organização se especializou, o mundo, incluindo o árabe, pareceu assumir que o desaparecimento do Hamas constituí o fator essencial para a paz na região, e foi esperando que Israel fizesse o trabalho do “mau da fita”.

Apesar da pressão pública de uma certa esquerda desesperada por palco, com iniciativas contraproducentes e em benefício da organização terrorista, o processo de paz e a solução dos dois estados parecem ver agora uma luz ao fundo do túnel.

Espera-se robustez no compromisso das partes e que haja vontade efetiva para os passos seguintes eliminando o Hamas do processo. Se assim for, talvez Gaza e o povo Palestino possam finalmente festejar o futuro.