Recentemente assinalou-se o dia internacional da eliminação da violência contra a mulher. Mas, isto é uma coisa para ir pensando todos os dias. Perguntei a algumas das minhas turmas universitárias, com grande representatividade feminina, se concordavam com o facto de parecer unânime que o agressor é o homem. Não hesitaram, nas várias ‘tentativas de consciência’ que fiz, em afirmar que sim: os homens são os perpetradores da violência. Depois lançando o repto de pensarem quando as agressoras são mulheres contra as mulheres, fora do domínio amoroso, ficaram não impávidos. A expressão que melhor os descreveria seria: assustados, algo nunca ‘antes ouvido’.

Afinal vamos ver que há dois lobo-maus. Gerou-se um complexo necessário porque a violência contra a mulher, sobretudo estando nós a comentar e a prevenir a violência de forma internacional, é uma realidade da qual pouco se fala, mas está a crescer indubitavelmente. Com base em recentes estudos científicos, as mulheres são cada vez mais autoras de violência psicológica nos espaços de trabalho. Nesta violência psicológica, examinemos os dados concretos: as mulheres adultas tendem a ser mais opressoras entre pessoas do mesmo sexo e género (mulheres e que se identificam como mulheres) no que diz respeito ao boicote da participação ativa no espaço de trabalho, no assédio moral ao proferirem mais impropérios e injúrias umas contra as outras, sendo que as agressoras não são necessariamente colegas mulheres a ocupar posições hierárquicas superiores. No assédio moral, cada vez mais as mulheres (tanto jovens adultos, como adultas maduras, até aos 65 anos) tendem a atacar-se verbalmente ou a elaborar planos de difamação moral por maledicência.

Talvez por isso, assente muito bem o nome aleatório de mulheres a tempestades sobretudo mais graves e frias: olhem agora a que vem aí, a Goretti impiedosa. São muito poucos os nomes de tempestades graves às quais se atribuam nomes masculinos, não sei se já pensaram nisto.

Por outro lado, pensemos na contemporaneidade deste assunto, neste vértice de opinião que vos trago: as mulheres já não foram outrora também opressoras em regimes totalitaristas e não democráticos? Pensemos no regime infeliz nazi e no fascista: as mulheres que eram coniventes com tais ideologias comportavam-se igualmente como homens e tiveram pouco nome nos tratados de paz mundial. É uma questão de revermos estatísticas, artigos científicos legítimos, imparcialidades de géneros. Eu como mulher, e como cientista, admito a parcialidade neste assunto, porque dou primazia ao companheirismo feminino.

As mulheres conseguem ser verdadeiras impostoras na harmonia do trabalho e também nas amizades. Com mais habilidade do que os homens, também se comprova que a manipulação verbal é mestria do mundo feminino. Talvez por isto (dei por mim a pensar) as tempestades desde as últimas décadas têm tido sobretudo nomes femininos, como mulheres disfarçadas de poucos ventos, mas essas são as piores.