Os portugueses continuam a enfrentar problemas sérios: o custo de vida elevado, salários estagnados, habitação cada vez mais difícil de aceder, saúde a falhar e escolas sem exigência. Estas são as suas preocupações diárias. Enquanto isso, o debate político fecha-se em questões distantes da vida real, concentrando-se em discussões que não resolvem problemas.

As pessoas querem uma vida digna, com qualidade e conforto, e margem para outros projectos. Contudo, a vida está cada vez mais cara. Sentem que cumprem com as suas obrigações e tomam decisões responsáveis. E, mesmo assim, o dinheiro não chega para o básico. É preciso reduzir a carga fiscal sobre a alimentação e a energia, e descomplicar a economia para baixar o custo de vida.

As pessoas querem que o trabalho compense. Querem salários justos, possibilidade de progressão e crescimento. Contudo, enfrentam precariedade e salários estagnados, carreiras bloqueadas e falta de propósito. Sentem que cumprem e entregam resultados — mas continuam no mesmo lugar. É preciso destravar a economia, multiplicar oportunidades, e assim garantir que todos tenham acesso a um trabalho digno.

As pessoas querem estabilidade, autonomia e condições para construir o seu futuro — e muitas vezes isso passa por terem uma casa. Contudo, mesmo com rendimentos estáveis, muitos não conseguem comprar ou arrendar. Sentem que a falta de habitação condiciona a vida que querem. É preciso reduzir a carga fiscal, simplificar os licenciamentos e permitir a construção, reabilitação e recondicionamento — aumentar a oferta.

As pessoas querem ter acesso a cuidados de saúde quando precisam. Contudo, enfrentam filas, burocracia e dificuldades de marcação. Sentem que, sem contactos ou capacidade de pagar, ficam para trás. É preciso garantir que o sistema público e o privado funcione coordenadamente, com regras claras, para responder melhor a quem precisa, com direito de escolha às pessoas.

As pessoas querem que a escola funcione. Querem exigência e liberdade para escolher o melhor para os seus filhos. Contudo, a escola pública perdeu autoridade e rigor. Sentem que não podem contar com o sistema. É preciso reforçar a qualidade do ensino, dar mais autonomia às escolas e garantir o direito de escolha às famílias.

As pessoas querem ter uma pensão justa depois de uma vida de trabalho. Contudo, mesmo quem descontou durante décadas recebe pensões insuficientes. Sentem que cumpriram tudo o que era pedido — e, mesmo assim, são empurrados para o mínimo. É preciso proteger os mais vulneráveis, valorizar os percursos contributivos, garantir a sustentabilidade do sistema.

As pessoas precisam de se deslocar sem perder vida. Contudo, o transporte individual é quase um luxo, e os transportes colectivos são pouco fiáveis, com horários limitados e cobertura desigual. Sentem que perdem tempo e dinheiro num sistema que não responde ao que precisam. É preciso melhorar a rede de mobilidade pública e reduzir os custos para quem depende do automóvel.

As pessoas querem viver com segurança. Contudo, enfrentam mais assaltos, vandalismo, ameaças e desordem. O controlo do espaço público é fraco. Sentem que o Estado está ausente quando é preciso proteger. É preciso promover medidas preventivas que fortaleçam a inclusão social, mas também reforçar a autoridade no terreno, com mais patrulhamento e presença nas áreas de risco.

As pessoas querem ficar em Portugal e ter condições para construir a sua vida. Contudo, quase tudo é mais difícil do que devia. Sentem que o sistema penaliza a competência e a criatividade. É preciso criar um ambiente em que quem quer fazer pela vida tenha as condições para o fazer.

As pessoas querem poder conseguir mais, construir os seus projetos de vida, sejam eles quais forem, num país mais equilibrado e sustentável para as próximas gerações. Contudo, sentem que tudo é desnecessariamente complicado por um sistema que só estorva quem quer fazer. É urgente ter a visão e a coragem de devolver ambição a Portugal.

As pessoas querem ser representadas por quem resolverá os seus problemas. Contudo, vêem uma política vazia. Sentem que os partidos nem sequer conhecem as suas preocupações, quanto mais a realidade que enfrentam todos os dias.

É necessário repensar as instituições, pois as muitas reformas profundas que o país precisa com urgência não podem ser adiadas. Mas a política em Portugal também precisa de sair da bolha e perceber o que realmente se fala à mesa de refeição dos portugueses.