A 14 de Novembro o Portugal Fashion, soit disant, veio à universidade.

Manuel Carlos, Luís Onofre e César Araújo trouxeram-nos o que de melhor há em Portugal em termos de marcas: calçado e vestuário. Como se faz e quem melhor faz entre nós e para o mundo.

Mas este artigo, se algum interesse tem, não será para reportar um acontecimento.

O artigo pretende ser um tributo e um agradecimento.

Quando uma associação empresarial olha para uma universidade, e uma escola de negócios, que quer fazer diferente e que quer inovar e acolhe as suas ideias, se predispõe a colaborar, se envolve de uma forma absolutamente profissional, mobiliza o seu chairman (Manuel Carlos) e o seu presidente (Luís Onofre), convida ainda César Araújo para trazer o que de melhor se faz em termos de vestuário feminino e, on top of it, oferece uma passagem de modelos, em formato montra viva, convenhamos que estamos a falar de algo muito sério.

Há três pontos, no mínimo, a registar.

Primeiro, a disponibilidade com que se encara um desafio destes e a forma como se olha para uma escola de negócios e se procura criar, em conjunto, um apoio à mobilização de uma comunidade e ao seu desenvolvimento e envolvimento. Se o motivo, moda, não for suficientemente mobilizador, se o volume de exportações não for suficientemente mobilizador, se a experiência destes três portugueses na conquista do mundo não for suficientemente mobilizadora, se a sua generosidade não for suficientemente mobilizadora, se uma montra viva com modelos reais e a desfilarem em plena universidade não for suficientemente mobilizadora, se a presença – de uma forma absolutamente simples – destes três personagens não for suficientemente mobilizadora, então o que será? Tivemo-los na universidade, tivemo-los em total entrega, tivemo-los em palestras, tivemo-los em debate, tivemo-los em mostra e tivemo-los com música e encarnados por modelos que pisaram os terrenos devotados ao saber.

E isto leva-me ao segundo ponto. O que é “o saber”?  Se estes três personagens que vendem em todo o mundo, que exportam quase tudo o que produzem ou desenham, se conseguem estar ao lado dos melhores e maiores, se competem em mercados globais e se conseguiram, conjuntamente com vários outros, colocar, por exemplo, o preço do calçado português logo depois do italiano (um crescimento em dez anos, em valor, absolutamente fantástico), então estamos a falar de saber. Saber fazer.

Saber como apostar no valor em detrimento do volume, na marca em detrimento do indiferenciado e do comoditizado, no cosmopolitismo em detrimento do paroquialismo, do global em detrimento do local e, com este gesto, da generosidade e da partilha em detrimento do secretismo ou do fechamento às casas do saber e à sociedade em geral. Obrigado por nos terem ensinado como fazer e, também, ensinado que fazer bem, por um lado, pode conviver igualmente com generosidade, por outro.

E isto leva-me ao terceiro ponto. O da retribuição à sociedade. Nenhuma empresa, nenhum empresário, nenhum gestor sério e competente se esquece de devolver à sociedade o que com ela ganhou. E se o devolver à sociedade passar por planear, organizar e implementar umas talks e uma passagem de modelos em território do saber pois então que seja feito em grande como o foi de facto.

Tudo junto e temos, que mais não seja, argumentos fortíssimos para agradecer o acolhimento do desafio lançado, o saber trazido e partilhado, a retribuição, em grande, à sociedade e à casa do saber.

E o exemplo? O exemplo é de uma grandeza sem igual. Às vezes envolver um personagem médio de uma empresa ou da própria faculdade é uma dor de cabeça. Que dizer de envolver dois criadores e presidentes de empresas e o chairman da APICCAPS? Que dizer deste trazer a equipa toda, luzes, cor, som, modelos, palco, calçado e vestuário? É pedir muito? É. Foi. Mas ainda assim, e no meio de tanto trabalho e de tantas solicitações ficou o exemplo. O exemplo da generosidade e o exemplo da grandiosidade. São gestos destes que nos fazem acreditar que vale a pena apostar em Portugal.

Obrigado Manuel Carlos, César Araújo, Luís Onofre. Obrigado Paulo Gonçalves, Paula Parracho, Cláudia Pinto e Nuno Eusébio e suas equipas. Obrigado a todos pela generosidade e grandiosidade.

Assim Portugal vai lá.