Em Portugal, a narrativa dominante vê o empresário como um suspeito por defeito. Entre impostos, multas e regulamentações sufocantes, torna-se cada vez mais difícil arrancar com qualquer atividade. A carga fiscal é altíssima, as regras são complexas e contraditórias, os horários de funcionamento limitados, os papéis infinitos. Fica a sensação de que quem gera riqueza é visto como explorador — como se o lucro fosse intrinsecamente mau e punível.

Na realidade, ser empresário é uma das profissões mais louváveis que existe. Quem assume esse risco não pensa apenas em si. Responsabiliza-se por famílias, por colaboradores, por fornecedores. Gera valor real: cria emprego, sustenta carreiras, contribui para pensões, recolhe impostos — muitos.

O lucro não é exploração. É a recompensa pela coragem, pela capacidade de entregar bens e serviços que a sociedade de facto valoriza. É o resultado tangível de ser útil, de inovar, de enfrentar mercados, concorrência, ruído regulatório e incerteza económica. Se o lucro fosse crime, não haveria quem apostasse em risco, investimento ou crescimento.

Enquanto isso, todos pagamos o custo desta desconfiança institucionalizada. Os preços sobem para compensar impostos e multas. A economia trava. A inovação retrai. Os promotores adiam projetos. Talentos abordam mercados mais amigáveis. O país prefere controlar mil e um aspetos em vez de libertar a capacidade empreendedora do seu povo.

Felizmente, não faltam modelos análogos na Europa e no mundo. Em países onde o empresário é celebrado, o Estado atua como facilitador: simplifica licenças, reduz impostos para investimento, promove boas histórias, aprende com os erros em vez de punir. E esses países ganham competitividade, emprego, atratividade. A economia floresce quando o risco é reconhecido, não criminalizado.

Em Portugal, a desconexão entre discurso e ação é flagrante. Queremos gerar emprego, mas sufocamos quem pode criar. Queremos inovação, mas impomos tantos requisitos que poucos arriscam. Queremos recuperação económica, mas batemos na porta de quem está a construir o futuro.

Chegou a hora de mudar isto. De olhar para o empresário não como fóssil a controlar, mas como motor a impulsionar. Diminuir impostos, reduzir burocracia, tratar regulações como meios e não fins, reconhecer o risco, dar visibilidade aos bons casos.

No fundo, precisamos de inverter a narrativa: o empresário não é o problema — é parte da solução. A coragem de investir, gerar emprego e assumir responsabilidade merece respeito. O país precisa mais disso. E merece que o que é bom seja celebrado, não criminalizado.