O setor da construção é um dos mais poluentes a nível mundial. É responsável por quase 30% das emissões de gases com efeito de estufa, 40% da produção total de energia, 20% do consumo total de água e 40% a 50% de produção de resíduos sólidos.
Apesar de uma crescente consciência e ativismo ambientais, as ações realizadas em Portugal e no mundo, tem convergido, cada vez mais, a situações de greenwashing.
Do que trata então o greenwashing? Como o nome indica, trata-se de uma “lavagem verde” a determinado produto ou serviço, sem, contudo, se tratar de um produto ambientalmente correto. E há inúmeros exemplos disso, especialmente no setor da construção. Como é uma indústria com uma grande pegada ecológica, há a necessidade de demonstrar que é uma indústria “verde”. Mas também, numa fase posterior, o setor do imobiliário, depois dos empreendimentos construídos, invoca os conceitos “verde” “ecológico” e “sustentável” ao que não o é. Muitas vezes, são exatamente o contrário e é a este fenómeno que o consumidor deve estar atento. Nem tudo o que tem a palavra “sustentável” alicerçada, é de facto, sustentável. Há vários exemplos de greenwashing na construção. Cito apenas três, os que me parecem mais gritantes:
- A ligação de empresas de construção a Organizações Não Governamentais de Ambiente. Estas ONGA, muitas vezes dirigidas por pessoas não conhecedoras do que trata a sustentabilidade, são financiadas por indústrias altamente poluidoras, passando assim a estar associadas a algo ambientalmente “correto”, usando isso para se afirmarem como indústrias “verdes”. Pois é, infelizmente, é mais fácil às ONGA priorizar o financiamento através de indústrias poluidoras, em detrimento dos seus próprios valores ambientais;
- Empreendimentos situados sobre a Rede Natura 2000 ou em outras áreas protegidas, que não permitem, ou não deveriam, permitir construção. Mas são invocadas razões de interesse público para fustigar o ambiente com novas construções, muitas vezes em áreas tão vulneráveis, como as áreas costeiras. Os edifícios destes empreendimentos são construídos em madeira, que é um material natural, para “parecerem” sustentáveis, mas na verdade não têm qualquer preocupação ambiental, necessitam ser climatizados com aparelhos de climatização elétricos, responsáveis por um grande consumo de energia, sem falar nos impactes causados por construir sobre dunas, prejudicando gravemente os ecossistemas e a biodiversidade, gerando ruído e contribuindo para a erosão dos solos. Além disso, estes empreendimentos, geralmente são destinados a uma classe social muito alta, o que os torna distantes de qualquer conceito real de sustentabilidade. No entanto, a sustentabilidade é o argumento de venda. Puro greenwashing.
- Continuarem a ser utilizados materiais de construção altamente poluentes, como aqueles que provém de petróleo, quando existem vários materiais substitutos, com vantagens físicas e ambientais. Desta vez, a desculpa ambiental que se dá, é de que são materiais recicláveis. Mas haverá mercado para absorver todos estes reciclados? A solução é reduzir a sua utilização ao máximo e optar pelas alternativas ambientalmente corretas, como os materiais de origem natural, uma vez que a maioria dos derivados de petróleo, quando em fim de vida, vão para aterro ou, na pior das hipóteses, vão parar ao mar.
Atenta a este fenómeno a União Europeia já começou a adotar uma série de medidas legislativas para garantir que as empresas optem pela transparência no que toca ao impacte ambiental negativo de produtos e serviços. Contudo a “lavagem verde”, está ainda longe de desaparecer, pois o sucesso desta legislação vai depender de uma implementação eficaz, de uma fiscalização rigorosa e de um envolvimento contínuo dos consumidores, empresas e investidores. O verdadeiro impacto só será percecionado com o tempo, à medida que as empresas se ajustem, que penalidades sejam aplicadas e que as práticas de sustentabilidade sejam mais amplamente adotadas. Em última análise, o combate ao greenwashing exigirá uma colaboração contínua entre governos, empresas, investidores e consumidores, para garantir que os objetivos ambientais da União Europeia sejam realmente alcançados e que a indústria se desenvolva no sentido de uma real sustentabilidade.