Para aqueles que já terão lido vários dos meus artigos publicados neste jornal, não será difícil a identificação da temática sobre a qual mais reflito e escrevo: a educação. Trata-se de uma das minhas áreas de formação, assim como de um interesse profundo pela forma como as gerações vão valorizando e transmitindo o seu património cultural e de aprendizagens.

Tenho, no entanto, assistido aos debates destas próximas eleições legislativas e é bastante sofrível que a realidade educativa portuguesa pouco ou nada surja em supostos momentos de discussão séria acerca do presente e do futuro do país. Sabemos que o investimento naquilo que é uma melhoria assinalável dos conhecimentos e competências dos alunos é algo que demora o seu tempo e, portanto, também somente vários anos mais tarde é que os frutos dessa aposta poderão ser colhidos. Há quem aponte para uma espera de 10 anos, o mínimo para uma transformação de alguns aspetos cruciais das identidades partilhadas entre os membros de uma geração para a outra. E, portanto, a pergunta coloca-se: quem é que quer gastar dinheiro e esforço para mais tarde não receber os louros e os benefícios?

Os partidos, e em especial aqueles que, mais perto do centro do espetro político, têm tido maiores responsabilidades ao longo do tempo em Portugal – PS e PSD – são, amiúde, intensamente táticos e eleitoralistas, trazendo para cima da mesa assuntos que estão na cena mediática a dado momento e/ou ideias para problemas sociais que podem conduzir a resultados relativamente céleres (embora a durabilidade desses resultados seja questionável). É isso que, na sua opinião, desperta a atenção dos eleitorados, prendendo-os a uma série de soundbites cuja importância reside, maioritariamente, na sua expressão estética. Por outro lado, a meu ver, os jornalistas moderadores também nem sempre apoiam a diversidade de matérias. Ao focalizarem a troca de argumentos entre os candidatos apenas em temas como a defesa, a imigração, a habitação ou os impostos – de relevância e premência inegáveis, não obstante – outros questões como a educação, a ciência, a igualdade entre mulheres e homens, a agricultura, a maior coesão socioterritorial ou uma participação cívica e política mais transparente e acessível aos cidadãos são relegadas para segundo plano.

Contudo, não podemos considerar natural este afastamento em relação à educação. Temos visto como os chamados “cérebros”, depois de se qualificarem, fogem para outros países que oferecem oportunidades melhores. Ora, isto não só é uma perda a montante como também o é a jusante. Do primeiro lado, houve um emprego de instrumentos financeiros e pedagógicos para que aqueles jovens adquirissem a melhor formação possível, mas depois, por a nação não os saber agarrar, estes abandonam a mesma sem retorno para a economia e o bem-estar coletivos. Por outro lado, cada jovem que sai porque Portugal não lhe consegue oferecer uma qualidade de vida digna é uma perda de potencial gigante, pois nunca sabemos o que é que esta pessoa poderia dar ao país através da sua capacidade de inovar e empreender. Portanto, nem recuperamos os gastos, nem providenciamos novas possibilidades de negócios, progresso e sustentabilidade.

Perante este cenário, e dado que a educação é o processo que forma desde futuros médicos a futuros engenheiros, advogados, artistas, escritores, economistas ou até educadores, é crucial encarar esta área com o valor que deveria ter. A “geração mais qualificada de sempre” é um mote que não se compagina com o atributo de “maior geração mais bem formada que mais emigra de sempre”. E os políticos, se desejam começar a planear um devir onde o povo tem um papel reflexivo e verdadeiramente gerador de riqueza e felicidade, têm de começar a educar-se na preparação desse amanhã auspicioso.