Em 2025, ano agora prestes a terminar, os animais voltaram a lembrar-nos de algo que, no fundo, sempre soubemos: a nossa relação com eles deixou de ser acessória, tornando-se central na forma como vivemos, sentimos e até nos reconhecemos enquanto sociedade.
São tantas as histórias emocionantes que ganharam circulação global, como a de Bindi, um gato que voltou a reencontrar-se com o seu tutor, cinco anos depois de desaparecer, descrita pela imprensa britânica como um autêntico “milagre de Natal”, ou a da morte de Roscoe, o cão de Lewis Hamilton que nos recordou que, mesmo no topo do mundo, a dor de perder um companheiro de quatro patas é profundamente humana e universal.
Uma das histórias mais partilhadas foi a do cão Panda, distinguindo-o com o “Palm Dog” no Festival de Cannes. À primeira vista, pode parecer um detalhe irrelevante, no meio da solenidade cinematográfica, mas está longe de ser apenas isso. O entusiasmo global em torno de um cão premiado num festival de cinema diz muito sobre a nossa necessidade coletiva de afeto, de identificação e de narrativas onde os animais não são meros figurantes, mas protagonistas emocionais. O Panda não ganhou apenas um prémio. Este momento simbolizou a empatia, a lealdade e a capacidade dos animais de criarem pontes entre as culturas e as pessoas.
A tristeza coletiva pela partida de Raffie…
Ainda fora de Portugal, a comoção em torno de Raffie, um American Bulldog que se tornou influencer nas redes sociais, com mais de 1,5 milhão de seguidores, morreu de forma repentina na véspera de Natal. A notícia da sua morte emocionou o público e foi amplamente partilhada em vários países, destacando o impacto das redes sociais sobre a visibilidade dos animais de companhia.
Milhões de pessoas, que nunca o conheceram presencialmente, choraram a perda como se fosse de um amigo próximo. Este fenómeno pode ser visto com ironia ou mesmo sarcasmo, mas merece atenção mais séria: os animais de companhia estão a ocupar um espaço afetivo real num mundo cada vez mais solitário. Acompanham rotinas, aliviam a ansiedade, criam sentido de pertença. Não substituem relações humanas, mas ajudam-nos a sobreviver emocionalmente quando estas falham.
… e a alegria na Casa do Artista pela chegada de Kiki e Nala
Em Portugal, também houve histórias que tocaram o público. Um exemplo foi o destaque dado aos cães de terapias, ao serviço da Casa do Artista, em Lisboa. As cadelas Kiki e Nala, mais do que heroínas ocasionais, tornaram-se símbolos de uma relação baseada na cooperação e na confiança mútua.
SNS sensível a visitas de animais
A ciência confirmou o que a experiência quotidiana já demonstrou: conviver com os animais reduz o stress, melhora a saúde mental, combate o isolamento e promove a empatia. E dúvidas haja, basta ver o resultado do projeto do SNS para a Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, que permite a entrada a cães e gatos de quem está internado. Em Lisboa, A iniciativa abrange os hospitais Egas Moniz e São Francisco Xavier, em Carnaxide o Hospital de Santa Cruz e, já em Cascais, o Hospital Dr. José de Almeida. Em todos eles, os resultados têm sido considerados “excelentes” pelas equipas clínicas.
Ao longo de todo 2025, os animais lembraram-nos que temos de abrandar, de cuidar, de estar presentes. Num tempo marcado pela pressa, pela polarização e pela indiferença, são os patudos e os felpudos que nos oferecem uma forma silenciosa de promoção de mais pura humanidade.