“Vamos fazer uma exposição?”, perguntei-lhe e ele respondeu, muito rápido, sem querer saber mais: “Vamos a isso”. O Pedro Leitão foi o designer responsável pela exposição dos dez anos do Observador que esteve patente na Sociedade de Belas Artes de Lisboa no ano passado.

Rita Chantre / Observador

A exposição do 10 anos do Observador

Era um designer de mão cheia, apaixonado por papel, por jornais, por revistas, por fazer. O que ele gostava mesmo era de ter a ideia e de a ver acontecer.

O Pedro Leitão tinha, como tantos outros profissionais, um trabalho de bastidores e gostava dessa invisibilidade, não cultivava grandemente o ego. Dizíamos muitas vezes que fazíamos parte do mesmo clube cujo porta-voz é aquela coisa tenebrosa chamada síndrome do impostor. O trabalho validava-o, mas ele era, acima de tudo, um homem de família. O pai orgulhoso da Mariana que gosta de cantar, da Rita e do Rafael que gostam de desenhar. “Vão ser artistas”, afirmava, num entusiasmo que me comovia.

Muitas pessoas foram confrontadas com o trabalho do Pedro Leitão. Pode ter sido numa revista, numa exposição, num postal ou até num relatório e contas. “Um designer faz tudo”, dizia muitas vezes. E eu ria-me, “quase tudo”. Havia entre nós essa capacidade do riso e da responsabilidade. O último projeto que fizemos juntos foi uma dor de cabeça, foi infernal e, apesar disso, das longas horas, das férias interrompidas, da pouca razoabilidade de algumas situações, o Pedro manteve o otimismo. “Isto vai correr bem”.

No dia em que o Pedro morreu, segunda-feira, dia 21, este projeto materializou-se e, ele tinha razão, correu bem. A vida empurra, bem sei, mas neste momento é importante celebrar a pessoa imensa que era o Pedro Leitão, mais do que o seu trabalho devemos recordar que era uma boa pessoa. E, na verdade, era só o que ele queria. Ser boa pessoa.