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Criou-se a ideia que somos frágeis quando nascemos. E somos. E que é por isso que as crias humanas precisam mais da sua mãe. E precisam. E que são muitíssimo menos autónomas do que todas as outras, filhas de outros animais. E é verdade que são. O que já me parece estranho é que não assumamos a nossa fragilidade mais orgânica (digamos assim). Aquela que nos faz precisar uns dos outros, pela vida fora.. E que, de forma hábil e inteligente, fez com que tivéssemos transformado uma necessidade indispensável e uma prova de vida numa prova de amor. E, com ela, de caminharmos em direcção à felicidade.

A verdade é que somos sensíveis, atentos e intuitivos. Logo, não temos como não ser frágeis. Interminavelmente, frágeis. E, por estranho que pareça, mais, ainda, quanto mais inteligentes e mais intuitivos, por dentro, parecemos ser. É engraçado como “o domínio” da tecnica nos dá a ilusão duma grandeza e, até, de alguma omnipotência capaz de rivalizar com uma ideia de Deus. E talvez seja por isso que o discurso da ciência pareça ter, aos olhos de muitos, tornado as ideias de “mistério da vida” ou, mesmo, de Deus mais ou menos supérfluas. Como se tudo o que não fosse demonstrável, mensurável e espúrio de sentimentos fosse falível. Somos, aos olhos daquilo que exigimos da escola aos nossos filhos, muito pouco complacentes com a ideia de falibilidade. Como se ignorássemos (ou fizéssemos por fazê-lo) o quanto somos falíveis. Ora, o que há de mais mágico em nós é que — contra tudo o que seria de esperar, que nos permite perceber que as probabilidades de falharmos são imensas e a perder de vista — sendo nós tão infinitamente capazes de falhar, é que sejamos capazes de acertar tantas vezes. E, mais, de falharmos tão poucas; até sermos capazes de acertar!

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