Durante um mês viajei de mota por essa Europa fora, e tive a oportunidade de me deparar com as mais diversas situações. Paisagens agrícolas ao longo de magníficas estradas nacionais, que pareciam um passeio no meio de jardins; planícies onde o colorido das eólicas contrastava com o pasto e o gado se espavoneando, sentindo-se a harmonia e racionalização dos espaços;  empresas de construção,  que exibiam  milhares de equipamentos e inovações tanto em materiais característicos da região, quanto na aplicação de soluções construtivas distintas,  sempre respeitando a proteção e segurança dos trabalhadores – 40 anos ligado à construção aguçam-nos o olho; o comércio, principalmente regional, onde o primor e a singularidade da apresentação dos produtos, se sobrepõem ao importado, especialmente nos setores de alimentação e restauração.

Os sete países que visitei, todos têm um PIB superior ao nosso e, portanto, diria que devem sofrer menos do tal mal da “falta de produtividade”.

Contudo, em todos eles escutei e observei problemas idênticos aos que temos: a falta de mão de obra, as queixas no atendimento de saúde, os problemas  da emigração, o custo excessivo da habitação e a sua escassez, o lixo, pedintes em algumas zonas das grandes cidades que assustam e nos fazem refletir sobre o tipo de sociedade que temos vindo a criar – enfim, problemas a que os nossos meios de comunicação já nos habituaram.

Então por que razão todos estes Países aparecem sempre com mais produtividade que nós nas tabelas?

Os problemas de hoje na Europa são globais, mas vejo uma grande diferença entre eles e nós. “Eles vão mais na frente”!

Vão mais na frente na cultura que construíram, vão mais na frente no aproveitamento dos meios de que dispuseram, vão mais na frente na industrialização, vão mais na frente na agricultura produzindo tudo o que dá na terra e com maquinaria para tudo o que mexe, vão mais na frente na construção com equipamentos para fazer tudo o que nós fazemos  com baixos salários, vão mais na frente na cultura política, tendo uma relação mais próxima entre políticos  e cidadãos e, finalmente , talvez o mais importante, vão mais na frente na clareza dos objectivos  traçados , que tiveram  início no pós-Segunda Guerra, onde cada euro é investido para produzir riqueza ou resolver problemas reais. Tudo isso faz a diferença entre a nossa  produtividade e a deles , apesar de aparentemente, “padecerem” dos mesmos males que nós.

Todos sabemos que para aumentar os ganhos, a produtividade é essencial e, só será alcançada se reduzirmos os custos. A redução de custos virá da aplicação de políticas eficazes e meios adequados, seja para o desenvolvimento de projectos económicos ou sociais, acompanhada de uma cultura que vem de cima pelo exemplo.

Cabe aos  líderes, políticos ou privados, a ambição  e competência em estabelecer essas metas e criar as condições para que, com os recursos que temos, possamos ter maior produtividade e com isso gerar mais riqueza. Isso implica rentabilizar o investimento em todas as etapas da cadeia de produção.

Quem ganha mais  tem objetivos claros bem definidos pela liderança, focados nos resultados a serem alcançados, e não  nas horas de trabalho. O aumento da produção resulta do investimento em tecnologia e ferramentas,digitais ou físicas, que otimizam a mão de obra.

Acredito que o  nosso principal desafio para uma melhor produtividade reside,em grande parte, na escolha de novos políticos. Estes deveriam ser capazes de explicar claramente aos cidadãos, quais as opções para resolver cada um dos problemas  identificados, reconhecendo que a maioria das questões cruciais não têm solução imediata. Só na persistência da execução de opções políticas explicadas e suportadas pela maioria, se conseguirá resultados.  A valorização e o reconhecimento das pessoas pelo trabalho realizado são, talvez, a base fundamental hoje, para qualquer mudança significativa em uma sociedade, e não a mera falta de dinheiro, como muitos insistem,  para a resolução dos problemas.

Já gastámos  milhões que não criaram qualquer riqueza, ou resolveram os verdadeiros problemas dos Portugueses. Estamos cheios de exemplos, o da TAP, o da CP, ….e o mais recente,  o MetroBus do Porto, que, além de ser um projecto mal concebido, é um investimento sem retorno, e sem data que se conheça de funcionamento. Não se percebe qual a população que irá servir, ou passear, num percurso praticamente sem comércio e  residencial!

Comecemos pelo princípio, saibamos ser modestos nas escolhas, mas ambiciosos nos resultados,  aos poucos  também podemos subir a nossa produtividade, se cada um de nós arregaçar as mangas e souber fazer o trabalho de casa que lhe compete