Pesquiso as mais recentes notícias sobre guerra e pontes: “Forças ucranianas rebentam com ponte flutuante russa usada para transporte de armas e reforços”, “Rússia diz que Ucrânia usou foguetes ocidentais para destruir ponte na região de Kursk” e “Pontes «vitais» na fronteira sírio-libanesa destruídas por Israel” são alguns dos primeiros resultados que obtenho.
A história das guerras é inseparável de episódios que relatam a destruição de pontes. É assim hoje, no Médio Oriente e na Ucrânia, como o foi no passado, em Mostar, em 1993, em Florença, em 1944, em Beresina, em 1812 e em tantos outros rios quantas as guerras que se contam. As pontes são o primeiro alvo de qualquer estratégia militar que procure dividir populações, cercar exércitos ou enfraquecer os adversários, e os motivos são óbvios, como o é a pertinência das pontes.
Nunca a paz no conflito israelo-palestiniano esteve tão próxima como em 1993. Os Acordos de Oslo foram o vislumbre de Esperança que deu a Yitzhak Rabin e a Yasser Arafat o Nobel da Paz, mas que não levou paz às suas gentes. A 4 de Novembro de 1995, o ultranacionalista judeu Yigal Amir puxou o gatilho e a ponte desabou. Os protagonistas dos Acordos de Oslo foram uma centelha de vida para os muitos moderados de ambos os lados, mas uma ameaça para os extremistas da direita israelita e para os radicais do Hamas (passaram trinta anos e os tenebrosos responsáveis pela violência e ódio contra Rabin e Arafat, são os mesmos protagonistas da guerra que hoje se vive).
E assim, sem surpresa para a história, a ponte que tanto esforço custara a erguer, foi derrubada em segundos.
“A história é aquele espelho em que olhando para o passado, se antevêem os futuros”, disse o Padre António Vieira nos seus discursos apologéticos. A história das pontes não engana: são tão mais vulneráveis quanto mais úteis se fazem.
É por isso imperioso construir pontes. Muitas pontes. Tantas pontes, que seja impossível a qualquer inimigo da humanidade destruí-las a todas.
No dia 2 de abril, perante o momento atual do país e do mundo, o Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian vai acolher 1200 “pontes vivas”. Crianças e jovens, educadores e empreendedores sociais, que através da Academia de Líderes Ubuntu se recusam a baixar os braços e assumem a responsabilidade por um mundo que cuida das suas pontes e constrói novas, para que a humanidade nunca perca a Esperança em si mesma e, um dia, possamos viver juntos em Paz.
Como um dia escreveu e cantou o Abrunhosa: “Que nunca caiam as pontes entre nós!”