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Agora que a descolonização enquanto mistificação libertadora está de novo aí convém lembrar esses caixotes. Esses caixotes que em 1975 começaram a empilhar-se na beira do Tejo, sob os perfis de João Gonçalves Zarco, Diogo Cão ou Cristovão da Gama, são o símbolo de um mundo que acabou sacrificado no altar dessas libertações que nunca o foram nem podiam ser.
Por terra, mar, ou ar milhares de pessoas deixaram África não porque fossem contra as independências mas sim porque não queriam viver em países entregues a gente sem  preparação para outra coisa que não fosse a pilhagem e o uso da violência. Perante o inferno em que as suas vidas estavam a transformar-se, encaixotaram o que puderam e partiram.

Muitos fizeram viagens tão dramáticas quanto as protagonizadas pelos homens que o Padrão dos Descobrimentos celebra. A principal diferença é que ninguém os homenageou e os livros de História mal falam da sua história.

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