Apesar de ser benfiquista, a provável conquista do campeonato por parte do Sporting é algo que me deixa extremamente feliz. São três as principais razões:

1. Derrota do corporativismo

Um treinador sem as qualificações académicas impostas, assume uma equipa com um plantel de custo muito inferior ao dos seus principais adversários e, fazendo uso da sua experiência no mundo do futebol, das suas competências inatas de liderança e inteligência e de muito trabalho e dedicação, leva-a à conquista do principal título nacional.

Liderança, inteligência, pragmatismo ou visão global não são claramente competências que se obtenham no famoso “curso de treinadores”, são, sim, fruto de trabalho e experiência aliadas a competências inatas que sempre definiram o Rúben Amorim enquanto jogador.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

E isto deveria ser o mais importante para se ser um treinador de futebol! Não um qualquer curso, cujos formadores, na sua maioria, nunca passaram nem de perto nem de longe, pelo tipo de pressão e adversidade que o Rúben passou ao longo da sua carreira enquanto futebolista.

2. Belicistas e controladores não fazem falta ao futebol

Depois de tudo o que passou no Sporting sob a direção anterior, esta direção vem provar uma coisa ao mundo do futebol. Não é necessário um presidente experiente ou com um passado de empresário, com bagagem financeira ou conhecendo quem a tenha, ou com capacidade de argumentação na praça pública, para fazer de um clube campeão!

Frederico Varandas não é empresário, mas também não precisa do futebol para nada e a única coisa que o move é certamente o seu amor ao Sporting. Cometeu erros, muitos, mas porque arriscou. Arriscou na compra do passe do treinador “desencartado” por 10 milhões, arriscou comprando jogadores baratos, arriscou ao escolher uma equipa para o rodear de gente nova e de fora do mundo do futebol.

Todas as decisões que tomou, fê-lo pelo seu amor ao Sporting. No máximo, podemos acusá-lo de querer protagonismo, mas mesmo isso não é condenável! Trouxe uma visão diferente, a que muitos não estão habituados, e por isso foi tão contestado. Com esta previsível vitória provou o óbvio, no futebol precisamos de mais gente que ame os clubes do que aqueles que se servem deles.

3. Influência dos adeptos e dos “comentadeiros” nas equipas

Num ano em que coincidentemente se deixou de dar palco televisivo aos “comentadeiros” e se retiraram os adeptos das bancadas, o “underdog” Sporting está na linha da frente para a conquista do título. Penso que os dois factos não podem ser dissociados.

A pressão dos adeptos nas bancadas pode ser extremamente positiva quando as equipas se encontram na “mó de cima”! No entanto, perante os problemas e adversidades, os assobios e críticas constantes destroem qualquer equipa… O Sporting não teve que passar por isso no decorrer desta época e, nos pontos mais baixos durante o campeonato, não teve que lidar com essas demonstrações de insatisfação! Este poderá ser um bom “abre-olhos” para aqueles que dizem ser do clube A ou B. Talvez assim percebam que uma equipa que está em baixo, tem que ser apoiada e motivada ao invés de criticada e assobiada.

Por outro lado, tendo o palco sido retirado a um conjunto de “comentadeiros” incendiários, não é de estranhar que as convulsões internas tenham diminuído! Não existiu incentivo à insatisfação para além daquela que é natural, ou sequer visibilidade a discursos extremistas de grupos de adeptos que justificam tudo o que de mal se passa com a sua equipa com fatores externos. Estes são os “adeptos” que não percebem o mal que fazem a uma equipa quando lhes dizem que façam o que fizerem, nunca irão ganhar, pois há “fatores” externos que os limitam nessa possibilidade.

Com isto não quero dizer que existem ou não fatores externos que possam influenciar o desfecho de um campeonato. Quero apenas referir que a luta com o que de mal se passa no mundo do futebol não se pode fazer nos moldes que tem sido feita até agora. Tem que ser feito pelos sócios dos vários clubes, quando chegam ao momento de votar e eleger direções!

Conclusão

Está na altura de devolver os clubes a quem decide com base em convicções, a quem os ama e, como tal, não os quer nunca prejudicar, a quem não precisa dos clubes para viver ou ter sucesso, àqueles que estão no futebol a defender as suas cores e não a atacar as dos outros.

O tamanho de uma vitória mede-se pela dimensão do oponente. Um futebol grande não pode ser um em que todos puxam para baixo, mas antes aquele em que todos se elevam, dando assim dimensão às vitórias de cada um.

Os grandes campeões fazem-se sempre de grandes adversários!