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A força da técnica e a técnica da força, sempre na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos falar do Benfica-Napoli. Triunfo encarnado por 2 x 0. Ricardo Rios e Leandro Barreiro marcaram para a equipe orientada por José Mourinho. O Benfica chega aos seis pontos na Liga dos Campeões. Há ainda seis pontos em jogo, sendo que os encarnados vão ainda medir forças com a Juventus e o Real Madrid, mas apenas em janeiro. Contas para outra altura. Por agora, Gabriel Alves, muito boa noite, seja bem-vindo. Vamos falar deste triunfo encarnado por 2 x 0. Um Napoli que se mostrou quase que impotente na Luz, mas antes disso, que notas há a retirar deste encontro europeu, esta grande noite europeia para a equipe de José Mourinho?

Para já, excelente exibição do Benfica. Uma vitória com uma excelente exibição, um grande espetáculo, uma noite europeia à Benfica no Estádio da Luz. Benfica com uma estratégia de profundidade, de jogo vertical, controle de posse de bola. Fugir completamente àquilo que é a tática essencial hoje no futebol italiano, que não foge o Napoli, do contato físico, do músculo, do um a um. Jogar com e sem bola, fazer a bola circular, velocidade, rapidez na circulação, o que obviamente obriga os jogadores do Napoli a ir à procura da bola e não encontram o futebolista. Muita concentração, muita disciplina tática. Um controle completo daquilo que é preciso fazer no futebol: controle de jogo. E esse controle de jogo retirou tudo aquilo que poderia ser a estratégia do Napoli para o encontro desta noite. Não deixou o Napoli jogar. Nunca se encontrou a equipe napolitana, nunca se articulou, nunca conseguiu fluir futebol, nem na relva, nem no ar, onde obviamente é uma equipe forte, dada a capacidade atlética dos seus futebolistas e os 4 ou 5 jogadores acima de 1,90 m, onde esse porte atlético não se encontrou, nem encontrou o adversário para o tal um para um. O Benfica não deixou, fez circular a bola e obviamente que ao fazer circular a bola, também teve, quando foi preciso, naquilo que a equipe do Napoli ainda tentou numa ponta final, que foi o espaço aéreo através daquilo que é o futebol. Chuveirinho. Chamada à bola para o berulho.

Com muitas torres lá no meio da área.

Ainda aí, o Benfica, taticamente, soube agrupar-se de frente para a bola, soube obviamente também ganhar esse espaço aéreo, não sendo uma equipe de cabeceadores na área ofensiva.

Gabriel Alves, costuma dizer-se que José Mourinho é perito em mind games. Hoje foi dia de master class?

Eu já lá irei ao José Mourinho no final.

Então vamos continuar.

Vamos falar agora daquilo que foi a força da técnica, a técnica da força, a força da tática, etc.

Vamos lá.

Eu queria começar por falar na força da tática, do centro da força da tática, chamando Rios, o jogador do Benfica.

É este o jogador por quem o Benfica pagou 27 milhões de euros?

Sim, este jogador, e é tirado partido dele, daquilo que são, de facto, as suas capacidades, as suas funções, aquilo que ele é capaz de fazer em funções dentro do campo, dentro do futebol. Falando da força da técnica, vou falar dos dois gols. Quer o gol do Rios, que é uma subtileza fantástica. E a própria assistência para o gol do Leandro Barreiro.

No meio de tanto músculo, bastou um toquezinho ligeiro.

Exatamente. E então eu direi que se há a força da técnica no gol do Rios, há a força da arte no golaço de Leandro. Quero também enfocar a força de se curar o futuro. Os miúdos que foram lançados para este encontro, o Tiago Freitas e o Neto. É um desafio. É um desafio àquilo que é o futuro do futebol nas equipes. Nós vamos vendo através das grandes equipes europeias, noutros campeonatos, que são lançados garotos. É preciso as pedreiras em Portugal e, nesse caso, na circunstância do Benfica, lançar, de facto, os garotos que têm valor, porque conhecem o Benfica, foram lá criados, foi lá que estudaram, foi lá que foram formados e obviamente que sentem o futebol de uma forma diferente, pelo menos numa fase inicial, que é importantíssimo, não na forma mercenária, mas na forma do estímulo, do gosto, do prazer e, acima de tudo, numa profissão que querem abraçar e querem ser vencedores.

Gabriel, estavas a destacar a juventude. Eu gostaria também de escutar-te um pouco sobre a veterania. Otamendi, aos 37 anos, faz um jogo.

É um líder e é um grande exemplo dentro das quatro linhas. E isso é extremamente importante. Nós não podemos ter só jovens. Tem que haver uma osmose, tem que haver em tudo na vida, não é só no futebol, é na sociedade. Tem que se interligar as gerações. E obviamente que Otamendi é um senhor, é um capitão, mas é um capitão com dados, provas, um capitão que já é campeão em vários países e, acima de tudo, campeão do mundo pela seleção do seu país. Queria focar aqui naquilo que é a técnica da força, o Napoli, mas é uma técnica da força sem proveito. Não soube, não teve capacidade, não teve qualidade, não teve inteligência para se contrapor àquilo que foi a inteligência do jogo do Benfica. A verdade é que é um jogo sem brilho deste Napoli, que se perde completamente. Devorado, destruído por aquilo que jogou o Benfica.

E a linguagem corporal de Antonio Conte mostrava mesmo isso. Sem ideias.

Sem ideias, completamente perdido. Neves, ainda assim, saiu um pouco da cinza do futebol do Napoli, um pouco de samba com alguns acordes napolitanos, mas sem ritmo, sem pé. Gostaria ainda de focar a força da estratégia de José Mourinho para a exibição hoje à Benfica, do Sporting Lisboa e Benfica, portanto, a força da estratégia de José Mourinho. E lá vou falar de José Mourinho, como tu querias. Ele agora pode respirar. E deixo aqui uma nota.

É já a tal nota que estavas a prometer há pouco.

Vou dar a nota. José Mourinho, mais treinador, menos Hollywood.

Muito obrigado, Gabriel Alves. É sempre um gosto imenso contar com a sua análise. Até uma próxima oportunidade. Desta vez, estivemos aqui a falar deste triunfo encarnado, triunfo europeu. O Benfica venceu o Napoli na Liga dos Campeões por 2 x 0.