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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, dia 490 da invasão russa da Ucrânia. Nos próximos minutos folheamos a imprensa ucraniana deste dia 28 de junho. Um trabalho do jornalista Rui Casanova, em colaboração com a Tânia Olinec. E Rui, começamos com um ponto de situação da contraofensiva.
Feito pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que afirma que há um avanço em todas as direções da ofensiva. Declarações no habitual discurso noturno de Zelensky, feito ontem à noite e que estão hoje em destaque no jornal ucraniano Pravda. Zelensky fala em heróis ucranianos que têm levado para frente esta ofensiva, fala em várias ações ativas. " Seguimos em frente", é o que diz Zelensky, "Vemos resultados importantes contra a Rússia. Estou muito grato a estes militares. Obrigado por cada ocupante destruído e cada vida ucraniana salva". É o que diz o presidente da Ucrânia, aqui citado pelo jornal Pravda. Recordar que ainda na semana passada Zelensky tinha admitido que esta contraofensiva não estava a avançar com a rapidez que ele próprio desejava. Hoje vem afirmar que há avanços nas últimas horas nesta contraofensiva da Ucrânia contra a Rússia.
E Rui, hoje na Ucrânia celebra-se o Dia da Constituição. Volodymyr Zelensky discursou no Parlamento Ucraniano.
Onde afirmou que a Ucrânia se tornou num centro global de coragem. O presidente ucraniano defendeu ainda que o país não vai aceitar qualquer variante de paz que permita a guerra na Rússia transformar-se, diz, num conflito congelado. É a expressão utilizada por Zelensky neste discurso no Parlamento Ucraniano por ocasião do Dia da Constituição. Afirma Zelensky que milhões de ucranianos querem construir uma paz vitoriosa. "Vamos fazer isso", é o apelo deixado aqui por Volodymyr Zelensky no Parlamento, que discursou ao lado do primeiro-ministro da Ucrânia, Denys Shmyhal. Juntos fizeram ainda uma homenagem aos soldados ucranianos que morreram desde o início da guerra e aos que continuam no campo de batalha.
E o presidente da Polónia, Rui, está de visita a Kiev.
Uma visita surpresa. Chegou nas últimas horas a Kiev, Andrzej Duda. Uma visita surpresa, como dizia. Este tipo de visitas de líderes mundiais do Ocidente não costumam ser anunciadas por razões de segurança. É aqui uma notícia em destaque no canal ucraniano TCN, esta visita do presidente da Polónia a Kiev. Adianta que vai reunir-se com Volodymyr Zelensky. Juntos vão discutir questões relacionadas precisamente com a comemoração do Dia da Constituição da Ucrânia, que se assinala hoje. Vão também falar, claro, sobre a situação atual na guerra na Ucrânia e também discutir os preparativos para a cimeira da NATO, que se aproxima. Vai ser em julho, na Lituânia, em Vilnius.
Terminamos com uma entrevista do jornal Pravda a um experiente militar ucraniano que fala sobre o dia a dia na guerra.
Chama-se Yevhen Mezhekoikin, tem 41 anos, é um coronel de guerra e o jornal ucraniano Pravda descreve-o como um herói da Ucrânia. No campo de batalha é conhecido por Adam. Todos os militares têm no campo de batalha um apelido, uma alcunha. Yevhen Mezhekoikin está em guerra com a Rússia desde 2014, portanto, há vários anos. É o que escreve aqui o jornal Pravda. Diz que o encontrou numa das cidades na linha da frente da região de Donetsk e que dirige ali um pequeno campo que fica nesta região. O jornal ucraniano Pravda é interessante destacar que ele, como está a dirigir as tropas, só tinha uma hora para falar. Então os jornalistas que fizeram esta entrevista tentaram aproveitar essa hora ao máximo. E é curioso, durante a entrevista, ele foi interrompido várias vezes pelo walkie-talkie com informações e pedidos de ajuda por parte de militares ucranianos. E destaco aqui uma citação. Ele diz: "Luto há mais de nove anos. Não sei como é a vida de um civil. A guerra já é a nossa vida". É o que diz este experiente militar ucraniano de 41 anos, que está na linha da frente há vários anos e que diz aqui que a guerra já é a nossa vida. Portanto, declarações com muito impacto. Uma longa entrevista em destaque aqui no jornal ucraniano Pravda.
E é com esta declaração e com esta entrevista que pomos um ponto final em mais uma edição de "Guerra Traduzida". Analisámos nos últimos minutos a imprensa ucraniana. Um trabalho do jornalista Rui Casanova, em colaboração com a Tânia Olinec.