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Guerra traduzida, dia 3 de maio, dia 69 da guerra na Ucrânia. Hoje é Dia Mundial da Liberdade de Imprensa e é disso que falamos aqui, o que dizem e o que escrevem os média ucranianos em tempo de guerra. Fazemos a tradução com a ajuda da Tânia Oleynik. Tânia, bem-vinda. Hoje começamos com um grande clima de incerteza. Afinal, o que vai acontecer no dia 9 de maio? Hoje a TCN, o portal de notícias da Ucrânia, cita a CNN para dizer que no dia 9, Putin pode mesmo declarar guerra de forma oficial.

A CNN relatou que segundo autoridades americanas e ocidentais, o Putin poderia proceder à declaração oficial da guerra à Ucrânia em 9 de maio, o que permitirá mobilizar totalmente as forças de reserva russas na sua tentativa de conquistar o leste e o sul da Ucrânia. Relembrando que atualmente as autoridades russas insistem que o conflito é apenas uma operação militar especial destinada à desnazificação.

Sim, como sabemos, não falam nem em invasão, nem em guerra, falam apenas em operação militar especial. E a CNN diz que no dia 9, Vladimir Putin pode aproveitar para avançar com essa oficialização de guerra. Mas, por outro lado, temos também a notícia de hoje que o Papa diz que soube por Viktor Orbán, presidente da Hungria, que a guerra pode acabar no dia 9. Portanto, aqui uma certa confusão.

Uma certa confusão, porque já o Papa, numa entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera", disse que o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, contou-lhe numa reunião pessoal que a Rússia deve encerrar a guerra até dia 9 de maio. Passando aqui a citar o Papa, ele diz que Orbán, "quando eu encontrei-me com ele, disse-me que os russos têm um plano que tudo irá terminar a 9 de maio. Espero que sim, porque agora não é apenas Donbass, é Crimeia, é Odessa. Está a tirar o porto do Mar Negro à Ucrânia. Estou pessimista, mas devemos fazer tudo o possível para parar a guerra", disse o Papa.

Vamos ver o que é que acontece no dia de maio, porque ainda temos um outro artigo, também no TCN, que conta que os serviços de segurança da Ucrânia estimam que a guerra pode durar até ao início de outono, mais ou menos ao mês de setembro.

E aqui temos mais uma opção. A Diretoria Principal da Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia disse num comunicado que a informação que se está a espalhar entre os ocupantes é que o prazo da chamada operação militar especial foi definido até setembro de 2022.

Então vamos seguir para outras notícias, porque temos muita incerteza quanto àquilo que pode acontecer no dia 9 de maio. Vamos seguir para uma outra notícia que explica como os russos estão a ocupar casas em Mariupol. Temos muitas pessoas a sair desta região, as casas ficam livres e agora a informação de que há vários russos a ocupar essas habitações.

Temos acompanhado bastante a situação de Mariupol e hoje o conselheiro do presidente da Câmara de Mariupol relatou no Telegram que nas instalações da escola número nove em Mariupol, os ocupantes começaram a registrar formalmente moradias particulares para determinar um valor de indenização com o objetivo de realizar um inventário e legalizar a apropriação de propriedade pelos ocupantes. O assessor também acrescentou que os ocupantes podem usar o procedimento de declarar a propriedade desabrigada para criar a suposta ilusão de legalidade, um método que já foi utilizado com sucesso em Donetsk. Quanto às propriedades estaduais e municipais, segundo Andrii Yushchenko, que é o presidente da Câmara de Mariupol, um documento separado assinado pelo líder Pushilin já é considerado propriedade dos ocupantes.

Vamos ver o que acontece nestas casas. Para já, registro de ocupação por russos de casas que estavam ocupadas, claro, por ucranianos que fugiram desta região de Mariupol. Avançando pela imprensa da Ucrânia, seguimos uma notícia que conta que a economia da Ucrânia está a recuperar, principalmente nas exportações. Entre março e abril, um aumento de quase 500%. Em março, foram exportadas 200 mil toneladas. Em abril, 1 milhão e 100 mil toneladas de alimentos. São números que estão claramente abaixo daquilo que são os dados do ano passado, mas ainda assim, entre março e abril, a economia da Ucrânia a entrar numa fase de recuperação.

Num comentário ao Parlamento Europeu, o ministro de Política Agrária e Alimentação, Mykola Solskyi, afirmou que as empresas estão ativamente a encontrar novas rotas e oportunidades para a exportação de grãos e isso tornou-se possível graças ao trabalho coordenado do Ministério da Infraestrutura, Ukrzaliznytsia, com o Ministério da Política Agrária.

Vamos ter este processo de aumento das exportações da economia na Ucrânia. Para já, este registro, um aumento de quase 500% entre março e abril. Para fechar hoje, Tânia, temos a história de uma senhora de 77 anos que ficou para trás, quis resistir à ocupação dos russos para proteger um abrigo de animais.

Esta senhora, Asya Styatsenko, dona do abrigo para cães e gatos em Hostomel, onde vivem 700 cães e centenas de gatos, sobreviveu a cinco semanas de ocupação russa junto com os seus assistentes. Ela ainda tem a lembrança mais dolorosa da morte dos animais por estilhaços, por fragmentos de munições e quando os cães foram baleados pelos russos. O dia 24 de fevereiro será para sempre lembrado pela proprietária do abrigo de 77 anos como um dos piores dias da sua vida. Assim que a mulher soube que as tropas russas tinham entrado na Ucrânia, ela deixou a sua família e viajou de Kyiv para Hostomel por vários meios de transporte. Não foi fácil, pelo que ela admitiu, e comentou que não poderia deixar os animais nem os outros funcionários que estavam lá. No dia seguinte, ficaram sem luz, os russos danificaram comunicações e a água do poço desapareceu. Os frigoríficos com a comida dos animais também deixaram de funcionar. O que salvou foi um gerador comprado por voluntários e trazido pelo marido de Asya, arriscando a sua vida. Durante as cinco semanas do cerco, o abrigo estava sob fogo cruzado. A mulher ainda recolhe hoje fragmentos de ferro, os quais mataram uma dúzia de cães. Vários cães também morreram e animais pelo seu coração não ter aguentado e apenas recentemente é que eles começaram a recuperar-se do choque, mas ainda tremem quando ouvem sons altos. Apesar de os gatos não terem sido tocados pelos ocupantes, alguns cães foram baleados por perto. Ela até salvou alguns animais que estavam arredor da sua propriedade. Entre eles, até estava um leão. Esta mulher corajosa não se arrepende do que restou e do fato de não ter deixado os seus animais, porque ela dedicou mais de 20 anos da sua vida a este abrigo. Hoje, a senhora Asya quer apenas uma coisa: que todas as caudas, como ela diz, encontrem donos amorosos e nunca mais conheçam o medo.

É uma história de resistência em Hostomel. Não me arrisco a dizer o nome desta proprietária, mas é uma senhora com 77 anos a resistir à ocupação dos russos para proteger um abrigo de animais. Termina assim mais um episódio da Guerra Traduzida, com destaque para a imprensa da Ucrânia, com a ajuda da Tânia Oleynik.