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Traduzimos a guerra todos os dias aqui na Rádio Observador e vamos fazê-lo também hoje, dia 2 de junho de 2023, o dia 464 da invasão russa da Ucrânia. Começamos hoje pela imprensa ucraniana, um trabalho do jornalista Rui Casanova. Rui, boa tarde.

Boa tarde, João.

Tive esta colaboração, como sempre, da Tânia Olinek, e começamos com Volodymyr Zelensky, Rui, que ordenou uma auditoria aos abrigos antibomba na Ucrânia.

Uma decisão que surge um dia depois de três pessoas terem morrido na capital Kiev, por não terem tido acesso a um abrigo durante um bombardeamento russo. Falamos disso ontem mesmo aqui na Guerra Traduzida. Três pessoas morreram: uma criança de nove anos, uma menina, e duas mulheres foram atingidas por destroços deste bombardeamento à entrada de um abrigo antibomba, antiaéreo, em Kiev, capital da Ucrânia. Não conseguiram entrar, como contamos aqui ontem, porque um guarda que apresentaria sinais de embriaguez, isto de acordo com a imprensa ucraniana, não abriu as portas. Apesar de as pessoas terem pedido várias vezes, este guarda não abriu as portas, as pessoas não se conseguiram refugiar dentro do abrigo e, na sequência disso mesmo, três pessoas morreram. Volodymyr Zelensky tomou medidas. Há poucas horas anunciou, depois de uma reunião com o Estado-Maior do comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, que ordenou uma auditoria a todos os abrigos antibomba da Ucrânia para perceber ao certo o estado destes abrigos e também o que se passou, neste caso, ontem em Kiev. É uma notícia que está a fazer manchetes em toda a imprensa ucraniana. Os jornais citam este anúncio de Volodymyr Zelensky, um anúncio feito pelo próprio na rede social Telegram.

E também nas últimas horas, os sistemas de defesa antiaérea ucranianos detetaram e destruíram 30 alvos aéreos na capital.

Continuam estes ataques, principalmente em Kiev. O terror de Kiev com ataques aéreos continua, é o que afirma o chefe do Ministério da Defesa Aérea da Ucrânia, citado aqui pelo jornal "Pravda". Serhii Popko fala em terroristas desesperados, é a expressão utilizada pelo próprio numa publicação também na rede social Telegram. Terroristas desesperados que estão a atacar Kiev quase sem parar. Nos últimos seis dias, afirma este chefe do Ministério da Defesa Aérea, as tropas russas realizaram o sexto ataque aéreo a Kiev, que foi atacada simultaneamente de diferentes direções nas últimas horas, com drones e mísseis de cruzeiro ao mesmo tempo. É o que afirma este responsável ucraniano. Portanto, continuam estes ataques aéreos a Kiev, sendo que as forças de Kiev afirmam que detetaram e destruíram 30 alvos aéreos na capital.

E vamos a um alerta da Ucrânia. A Rússia está a preparar outra provocação química.

Isto para deter as Forças Armadas e também acusar a Ucrânia de terrorismo ambiental. É o que afirma o chefe da região de Kherson, Oleksandr Prokudin, aqui também citado pelo jornal "Pravda". Explica que, deixa este alerta, as forças russas estão a preparar um ataque a uma fábrica de produtos químicos na zona da Crimeia. De acordo com este responsável, o objetivo é a Rússia depois acusar, apontar o dedo à Ucrânia e assim acusar a Ucrânia de terrorismo ambiental. Fala numa possível explosão nesta fábrica de produtos químicos, uma explosão que depois resultaria na libertação de milhares de toneladas de substâncias tóxicas para a atmosfera. Fica aqui este aviso do chefe da região de Kherson, que publicou também nas redes sociais uma série de avisos com o que as pessoas devem fazer em caso de ataque químico. Afirma também que as autoridades estão a monitorizar esta possível situação e que estão prontas para reagir e responder caso esse ataque químico surja mesmo.

Vamos fechar com as contas das baixas russas nas tentativas para tomar a cidade ucraniana de Bakhmut. Até agora, 60 mil mortos e feridos.

Sim, sendo que a maior parte são vítimas mortais. São dados de uma fonte militar do Ocidente, citada pelo jornal "Pravda". O jornal "Pravda" fala aqui numa fonte do Ocidente, mas não especifica exatamente quem. Fica essa ressalva, mas é uma notícia em destaque aqui neste jornal ucraniano. Esta fonte diz mesmo que 60 mil mortos e feridos é uma estimativa conservadora, portanto, dá a entender que o número real ainda é muito superior. Falamos diariamente de Bakhmut aqui na Guerra Traduzida, porque é de facto um dos pontos mais críticos e tensos neste momento na guerra na Ucrânia. A Rússia vai dizendo que está quase a conquistar a cidade. A Ucrânia diz que continua a defender com todas as forças esta cidade. Certo é que agora surge este dado, pelo menos 60 mil mortos e feridos do lado da Rússia nas tentativas de conquistar Bakhmut. São dados de uma fonte do Ocidente, aqui citada pelo jornal ucraniano "Pravda".

E é com eles que fechamos este episódio de Guerra Traduzida, versão Ucrânia.