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Tempo agora para analisar a imprensa da Ucrânia em mais um episódio de "Guerra Traduzida". É um trabalho do jornalista Rui Casanova, em colaboração com a Tânia Olini. Dia 561 da invasão. Começamos, Rui, com o jornal Pravda.

Que destaca uma notícia: pela primeira vez, os Estados Unidos vão transferir dinheiro confiscado a oligarcas russos para a Ucrânia. O anúncio é feito pelo secretário de Estado norte-americano durante a visita surpresa a Kiev, numa conferência de imprensa ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia. Antony Blinken afirma que aqueles que facilitaram a guerra de agressão de Putin devem pagar por isso. Estamos a falar em 5,4 milhões de dólares, cerca de cinco milhões de euros. De acordo com o secretário de Estado norte-americano, estes fundos vão servir para ajudar veteranos ucranianos em apoio e reabilitação. De resto, enquanto esteve em Kiev, Antony Blinken disse também que os Estados Unidos reconhecem progresso da contraofensiva ucraniana e garante que os Estados Unidos vão continuar a apoiar a Ucrânia enquanto for preciso. É uma notícia em destaque no jornal ucraniano Pravda.

Continuamos a falar de economia e do apoio à Ucrânia. A Europa ultrapassou os Estados Unidos no que diz respeito ao volume de ajuda, pelo menos prometida a Kiev.

É o que indica o Instituto Kiel, o Kiel Institute for the World Economy, sediado na Alemanha. É um estudo citado também pelo jornal Pravda. Os investigadores afirmam que é impressionante a rapidez com que a Europa passou para um apoio permanente e plurianual de ajuda à Ucrânia. Em comparação, dizem os investigadores, os Estados Unidos estão agora muito atrás, sem terem assumido recentemente novos compromissos significativos de ajuda à Ucrânia. A duplicação de ajuda da União Europeia é uma mudança marcante em relação ao primeiro ano da guerra, quando os Estados Unidos estavam na altura na liderança da ajuda prometida à Ucrânia. É a conclusão deste estudo do Instituto Kiel.

E há números, Rui, para termos uma ideia mais concreta?

Sim, este artigo destaca números. Até o fim de julho, o montante total da ajuda dada e prometida pelos europeus aumentou alegadamente para 156 mil milhões de euros, em comparação com pouco menos de 70 mil milhões de euros dos Estados Unidos. Portanto, uma diferença ainda significativa. A principal razão, explicam os investigadores, é o Fundo Ucraniano da União Europeia, no valor de 50 mil milhões de euros, que está previsto para o período entre este ano, de 2023, até 2027. São dados do Instituto Kiel para a Economia Mundial.

Outra notícia em destaque na imprensa ucraniana: a NATO afirma que não há qualquer indicação de que os destroços de um drone encontrados esta semana em território romeno tenham resultado de um ataque direto lançado por Moscovo à Roménia.

Uma confirmação dada pelo próprio secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, esta manhã no Parlamento Europeu. É uma confirmação que merece destaque por parte do canal ucraniano TCN. O secretário-geral da NATO afirma também, nesta reunião do Comitê de Negócios Estrangeiros, que a investigação continua a decorrer. De resto, nesta reunião, os aliados da NATO manifestaram solidariedade para com a Roménia e dizem estar a acompanhar de perto a situação, depois de o país ter relatado a queda de destroços de um drone encontrado neste território romeno.

E pra fechar, Rui, a Ucrânia criou cursos para ensinar a criar munições para drones.

Um curso criado pelo Ministério das Indústrias Estratégicas da Ucrânia, juntamente com duas instituições de ensino superior. Falamos aqui do primeiro curso de formação para fabricantes e operadores de munições para veículos aéreos não tripulados, os drones. É o que avança em comunicado o governo ucraniano. O objetivo é dar cursos, ou seja, os cursos vão ser lecionados por representantes de departamentos militares, que vão depois utilizar estes produtos, estas munições na linha da frente de combate. O objetivo é que os alunos recebam certificado de conclusão deste curso de formação avançada, que prevê, e estou aqui a citar, o estudo e o projeto de drones, habilidades e manuseio de produtos químicos especiais, garantir a segurança no manuseamento destes produtos e ganhar experiência em cuidados médicos primários. O primeiro grupo de 27 alunos já começou. É uma formação de seis semanas. Até o final de 2023, o governo ucraniano prevê a formação de mais de uma centena de pessoas que vão, sim, concluir este curso para criação de munições para drones, que vão depois ser utilizadas no terreno nesta guerra contra a Rússia.

E é desta forma que chegamos ao fim de mais um episódio de "Guerra Traduzida". Estamos de regresso amanhã.