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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Começamos com a imprensa da Rússia neste dia 608 da invasão. É um trabalho do jornalista Rui Casanova. Boa tarde, Rui.

Boa tarde, João.

Com a colaboração da Larissa Tovmazian. Rui, começamos com o ministro da Defesa russo. Afirma que as tropas ucranianas têm cada vez menos opções.

São declarações de Sergei Shoigu durante uma visita às tropas russas no terreno, declarações citadas pela agência RIA. O ministro da Defesa da Rússia disse às tropas, transmitiu-lhes que as Forças Armadas ucranianas têm cada vez menos opções no terreno. São cada vez menos, têm sido mortos, capturados ou rendem-se voluntariamente ao exército russo. Sergei Shoigu fala mesmo no mau ambiente no exército ucraniano e afirma que tudo isto é graças ao trabalho das tropas russas, a quem deu os parabéns e agradeceu durante esta visita ao terreno.

E o porta-voz do Kremlin garante que Moscou vai continuar a combater os terroristas e afirma que sabe fazê-lo melhor do que ninguém.

São declarações de Dmitry Peskov no ponto de situação diário sobre a guerra, o briefing que faz todos os dias, declarações aqui citadas pelo jornal estatal KP. O porta-voz do Kremlin refere-se aos ucranianos quando fala de terroristas e afirma que a Rússia vai continuar a combatê-los e que sabe mesmo fazê-lo como ninguém e melhor do que ninguém. São as declarações de Dmitry Peskov no briefing diário de hoje.

E Rui, vamos agora olhar para os destaques da imprensa livre da Rússia. As tropas de Moscou atacaram uma zona perto de uma central nuclear e há 16 civis que ficaram feridos.

É uma notícia em destaque no canal independente Meduza. O ataque aconteceu esta madrugada. As tropas russas atingiram uma área, uma zona perto da central nuclear de Khmelnytskyi, uma cidade ucraniana. São informações avançadas pelo Ministério da Energia da Ucrânia, aqui citadas pelo Meduza. Em comunicado, a tutela alerta que, na sequência da explosão, vários edifícios ficaram danificados, 16 moradores ficaram feridos. Quanto à central nuclear, foi mesmo atingida por detritos, restos de um drone. O Ministério da Energia da Ucrânia adianta ainda que, na sequência de danos nas linhas energéticas, na sequência deste ataque, quase 1900 ucranianos ficaram sem energia em casa em duas cidades à volta de Khmelnytskyi.

E terminamos com a história de um militar ucraniano que no início da guerra perdeu a perna. Agora, com uma prótese, voltou ao trabalho e faz parte das equipes de desminagem.

Chama-se Andrei Ilkov. Perdeu a perna no ano passado, no início da guerra, na sequência da explosão de uma mina. Agora voltou ao trabalho e, como disseste, João, com uma prótese a substituir a perna esquerda, participa nas operações de desminagem da Polícia Nacional da Ucrânia. O canal independente Meduza divulgou uma foto galeria, uma fotoreportagem na qual é possível ver este militar, Andrei, a trabalhar. Faz parte de uma brigada de militares que perderam membros na sequência da guerra e que agora voltaram a trabalhar e que continuam no exército. Passam os campos e terrenos ucranianos a pente fino à procura de minas e explosivos e depois removem-nos em segurança ou provocam uma explosão, uma detonação intencional e controlada para eliminar os perigos nestes territórios. O canal Meduza divulgou uma fotoreportagem destas operações. Em destaque, Andrei, com a prótese em evidência, a tirar uma mina de um campo em Kharkiv. É uma foto galeria que mostra bem não só as consequências da guerra, mas também a vontade e a determinação dos militares e todo o exército ucraniano.

E é com ela que fechamos esta "Guerra Traduzida". Já a seguir olhamos para a imprensa ucraniana.