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Agora mesmo olhamos para a imprensa da Rússia, em mais um episódio de "Guerra Traduzida". É um trabalho do jornalista Rui Casanova, desta feita em colaboração com a Larissa Tovmazian. E neste dia 553 da invasão, começamos, Rui, com a reação do Kremlin aos ataques com drones ucranianos.
Sim, só que para termos contexto, ontem os militares da Rússia repeliram um ataque com drones ucranianos no aeroporto da cidade de Pskov. São dados das tropas russas. Entretanto, já hoje o porta-voz do Kremlin afirma que neste momento os especialistas militares da Rússia estão a detectar as rotas destes drones a fim de tomar medidas para evitar tais ataques no futuro. É uma notícia em destaque da agência RIA, que cita o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Mas não foi só o assessor de imprensa do Kremlin a reagir. Também a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia comentou nas últimas horas estas investidas com drones ucranianos. Maria Zakharova fala em ataques contra alvos civis da Rússia que confirma a natureza terrorista da Rússia. Garante ainda a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia que estas ações de Kiev não vão ficar impunes. Portanto, Maria Zakharova promete aqui uma resposta à Ucrânia. Diz também que Kiev está a ter apoio do Ocidente para estes ataques. É uma notícia em destaque esta hora no jornal estatal russo KP.
E entretanto, Rui, a Rússia fala em mais um ataque com drone ucraniano.
Continuam estes ataques com drones. O sistema de defesa da Rússia neutralizou outro aparelho aéreo não tripulado na região de Oryol, na cidade russa de Oryol, no ocidente do país. De acordo com o governador desta região, não há registro de vítimas nem danos. A polícia está no local a investigar o caso. Além disso, nas últimas horas, seis drones foram interceptados na região de Bryansk. É uma notícia em destaque na agência estatal RIA.
E o Kremlin informa que atacou os postos de controle e informação da Ucrânia.
Desta feita, uma notícia em destaque no jornal KP, com base num comunicado do Ministério da Defesa da Federação Russa, diz que nas últimas horas as tropas russas atacaram postos de controle e informação da Ucrânia. Os locais onde estes postos ficavam não são especificados neste comunicado. O Ministério da Defesa diz apenas que a missão foi concluída com sucesso. Os alvos designados foram atingidos com sucesso. Missão cumprida com sucesso, é o que diz este relatório do Ministério da Defesa da Rússia.
É um tema que já abordamos na Guerra Traduzida versão Ucrânia. Também a imprensa independente da Rússia dá destaque ao regresso às aulas num regime controlado pelo governo.
Sim, e aqui passo a citar um artigo do canal Meduza: "Haverá ainda mais propaganda nas escolas russas este ano letivo. Proteger as crianças será mais difícil do que nunca. Os pais podem fazer alguma coisa?" É a pergunta lançada aqui pelo canal Meduza, que lembra que este ano os alunos do liceu na Rússia vão ter um novo livro de História. Falamos disso aqui na Guerra Traduzida há umas semanas atrás. Um livro de História reescrito pelas autoridades russas, no qual as autoridades de Moscovo justificam a invasão da Ucrânia, a anexação da Crimeia e até as repreensões estalinistas. O Meduza diz mesmo que desde o início da invasão que as crianças nas escolas têm recebido muita propaganda e por isso o Meduza deu aqui início a uma espécie de campanha. O Meduza convida os leitores, principalmente os pais encarregados de educação, a enviarem uma carta ao Meduza com várias perguntas. O Meduza pergunta em que ano andam os filhos desses pais, quantos anos têm, o que está a pensar fazer face à propaganda e também como é que os pais estão a lidar com esta questão. Com base nestas respostas dos pais encarregados de educação, o Meduza vai depois compilar um artigo com sugestões e dicas para os pais lidarem com a propaganda russa nos liceus, nas escolas, e também de forma a ajudar os encarregados de educação a lidarem com esta questão num país em guerra. O Meduza vai depois publicar esse artigo. Quem quiser pode ir a este artigo do Meduza e tem lá um formulário para preencher com estes dados.
É uma preocupação para a imprensa livre da Rússia, neste caso o canal Meduza, e é desta forma que chegamos ao fim de mais um episódio de Guerra Traduzida com o Rui Casanova.