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Seguimos com a Guerra Traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos voltamos a olhar para a imprensa russa de hoje, dia 01 de março de 2023. Fazemo-lo com a ajuda do jornalista João Filipe Cruz, que tem a colaboração da Larissa Tovmazian, natural da Rússia, que vive em Portugal. João, começamos com uma intransigência do Kremlin. A Rússia não vai vender petróleo a qualquer preço.

É esta a justificação oficial para uma redução anunciada na produção de cerca de 500 mil barris diários. A notícia está em destaque no site do jornal estatal russo Vesti. Moscovo tem vindo a reduzir a produção de petróleo desde os inícios do ano passado, por volta desta altura, no ano passado. Esta justificação veio de Alexander Novak, que é vice-primeiro-ministro russo e replica o que Vladimir Putin já tinha dito. O líder do Kremlin já disse que a Rússia não vai vender petróleo a qualquer preço só para manter o volume de produção.

E Moscovo chega também à mudança de tática na União Europeia quanto à aplicação de sanções à Rússia.

Ou anti-Rússia, como escreve no título da notícia a agência estatal RIA Novosti. A agência cita o jornal político que dá conta de uma mudança de comportamento nos 27, que vão passar agora a vigiar e a controlar os efeitos das sanções que já foram aplicadas, ao invés de tomar mais medidas. Diz ainda a agência estatal russa que diplomatas de uma dúzia de países europeus partilharam algumas reservas quanto à introdução de mais pacotes de sanções à Rússia, entendem que podiam atingir a União Europeia, em particular sanções a matérias como fertilizantes e outros materiais como urânio e o titânio. A RIA nota também que Bruxelas esperava maiores impactos, mais impactos na economia russa com os 10 pacotes de sanções que já aprovou.

Também em destaque no dia de hoje, a explicação da Turquia para não participar nas sanções aplicadas à Rússia.

Notícia da Vesti. O jornal indica que Ankara só apoia sanções introduzidas com o aval e apoio das Nações Unidas, e não restrições unilaterais. A garantia foi dada pelo ministro turco dos Negócios Estrangeiros, antes de entrar para uma reunião com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov. Mevlüt Cavusoglu acrescentou também que a posição turca não é exclusiva para a Rússia e estende-a a outros países, como o Irão.

E no terreno, um batalhão de antigos combatentes ucranianos mudaram de lado e defendem agora a autoproclamada República de Donetsk.

Também destaque no jornal Vesti. Dá conta de que 62 militares mudaram de lado, por assim dizer. O jornal partilha algumas das justificações destes combatentes e cita-os. Todos nasceram na região do Donbass ou em Zaporizhzhia e serviram a dada altura ou em determinadas unidades das forças militares ucranianas. De acordo com um destes militares, Mikhail Prognimak, está instalado o caos nas fileiras das forças de Kiev. De acordo com este testemunho ao jornal estatal russo, há problemas com o consumo de drogas e álcool e que toda a gente está infetada. Prognimak acrescenta que nunca quis uma guerra e fugiu quando percebeu que era visto pelos ex-companheiros, no lado ucraniano, como um pedaço de carne. Todos os membros deste antigo batalhão ucraniano, também de referir, receberam passaportes russos e passaram uma espécie de teste especial, teste este que incluiu um detetor de mentiras, um polígrafo.

Um polígrafo. E as bandeiras ucranianas foram deitadas abaixo numa exposição numa universidade em Moscovo.

É uma notícia do jornal independente Meduza. O Ministério da Ciência e do Ensino Superior da Rússia organizou uma inspeção à Universidade da Amizade dos Povos, que fica bem perto do centro da capital. O vice-ministro considerou inaceitável que símbolos ucranianos estivessem dentro das paredes de uma universidade russa porque representam o regime nazista que mata sob aquela bandeira, frase ou expressão utilizada pelo vice-ministro do Ensino Superior russo. A universidade estava a organizar uma série de exposições, incluindo uma exposição da comunidade ucraniana. Entretanto, também já houve a resposta do Kremlin, não propriamente ao acontecimento em si, mas sobre a presença de bandeiras ucranianas na Rússia. Veio do porta-voz do Kremlin, de Dmitry Peskov, que foi pela mesma linha do vice-ministro do Ensino Superior no geral, no significado atual da bandeira ucraniana para a Rússia, para o regime russo. E Peskov recusou comentar o incidente em concreto, disse apenas que é preciso clarificar quem pôs a bandeira no edifício principal desta universidade de Moscovo e sob que justificação.

Terminamos com outra notícia de uma independente russo. Os trabalhadores do supervisor para as comunicações foram proibidos de comunicar pelo Telegram ou pelo WhatsApp.

Notícia do Zona Média, um órgão independente. Roskomnadzor, espero ter dito bem. O supervisor para as comunicações, tecnologias de informação e mídia de massa baniu os trabalhadores que chegaram hoje aos escritórios de comunicarem com recurso a estas aplicações. A informação foi, de resto, veiculada no site oficial do regulador. Para além do Telegram e do WhatsApp, foram também banidas aplicações como o Viber, o Skype, o Teams da Microsoft, o Snapchat e o Discord. O regulador explica que as aplicações pertencem a estrangeiros e socorre-se de uma lei que foi assinada por Putin no dia 29 de dezembro, no final do ano passado, em que baniu softwares estrangeiros de infraestruturas críticas, que é o caso desta.

João Filipe Cruz com a Guerra Traduzida na Rádio Observador, a versão russa. A Guerra Traduzida está de regresso à antena da Rádio Observador amanhã, por volta desta hora.