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Na Rádio Observador começa agora mais um episódio da Guerra Traduzida. Temos conosco a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.
Boa tarde, João.
Vais começar hoje pela imprensa russa, até porque Vladimir Putin esteve reunido com o enviado especial dos Estados Unidos no Kremlin e em discussão esteve, claro, a guerra na Ucrânia.
Os detalhes têm sido atualizados pelas agências de notícias controladas pelo Estado russo, como é o caso da TASS. Quando chegou a Moscovo, o Steve Witkoff foi recebido por Kirill Dmitriev, que tem estado envolvido nas negociações. Foi, de resto, o primeiro representante russo a ser recebido em Washington desde o início da guerra com a Ucrânia. Os dois fizeram uma caminhada num parque no centro de Moscovo durante cerca de uma hora. Foi uma espécie de preparação para a reunião entre o enviado norte-americano e Vladimir Putin, antes de rumarem ao Kremlin. A reunião com o presidente durou aproximadamente três horas. Dmitry Peskov, o porta-voz da presidência russa, já fez um balanço comedido, como é habitual. Reconhece que há inércia neste processo. Admite também que vai levar tempo até que a Rússia e Estados Unidos recuperem confiança entre si, sendo que este encontro terá sido pedido pelo próprio Kremlin numa tentativa de recuperar a confiança de Donald Trump e evitar novas sanções à Rússia. Peskov assegura que o diálogo vai prevalecer e é apenas isso que desvenda nesta reunião. Mas de viva voz falou aos jornalistas um dos assessores de Putin, Yuri Ushakov. Vamos ouvir aqui.
"Foi uma conversa útil e construtiva. Se tiver de nomear temas, digamos que o primeiro foi a crise na Ucrânia e o segundo foi a estratégia para desenvolver a relação entre a Rússia e os Estados Unidos. Relativamente à Ucrânia, foram transmitidos alguns sinais da nossa parte. O presidente Putin tem acesso a informações completas sobre esse assunto, mas Donald Trump ainda não foi informado sobre a conversa que tivemos aqui. Portanto, vou abster-me de fazer comentários detalhados. Em breve vamos poder falar de forma mais concreta."
O som é da Agência RIA, que captou estas declarações no Palácio do Kremlin. Hoje, por volta das 21h30, em Lisboa, João, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai fazer um anúncio na Casa Branca, a partir de Washington DC. Veremos se essa declaração tem a ver com a Rússia ou com novas tarifas de importações.
Vamos ficar à espera. A Hungria, Diana, volta a criticar duramente a Ucrânia e diz que não há lugar na União Europeia para um país tão pouco civilizado como este.
Uma afirmação que já faz parte do leque de críticas do ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros, a pretexto da recusa de Kiev em investigar o caso do húngaro que morreu durante o recrutamento forçado na região da Transcarpácia, na Ucrânia. Já falamos aqui também sobre essa história. O diplomata entende que se este caso tivesse acontecido num país civilizado, os responsáveis já tinham sido punidos e critica ainda a mobilização forçada. Em declarações que são citadas pela TASS, a agência russa, diz Péter Szijjártó que já é prática rotineira uma mobilização que envolve espancamentos sob o respaldo do governo ucraniano. A União Europeia também sai criticada nestas declarações. O diplomata húngaro aponta o dedo ao silêncio do bloco comunitário face a esta história. A Hungria já impôs, entretanto, sanções a três comandantes ucranianos responsáveis por alegadas violações de direitos humanos durante a campanha de mobilização.
E o sismo, Diana, de magnitude 8,8 na escala de Richter, que atingiu a Rússia na semana passada, danificou uma base de submarinos nucleares. É uma notícia do New York Times que está a ter eco na imprensa russa.
O New York Times chegou a esta conclusão com base em imagens de satélite obtidas pela Planet Labs, uma empresa comercial de satélites. Nas imagens publicadas pelo jornal, é possível ver que a 13 de julho a base de Rybachy, que tinha um cais flutuante e, entretanto, a 3 de agosto aparece deslocado e destruído. Há ainda cinco submarinos que foram vistos ancorados em cais nos arredores. A Rússia não emitiu nenhum comunicado oficial sobre danos na base e as instituições internacionais que monitorizam as infraestruturas nucleares não reportaram aumento de radiação depois deste sismo. Lembro-me que a base de Rybachy é um dos principais pontos da frota do Pacífico da Rússia na península de Kamchatka.
A Rússia, Diana, assegura que a Ucrânia está a retirar tropas da região de Dnipropetrovsk.
É o que adiantam vários oficiais de segurança russa ao Izvestia. Dizem que a Ucrânia está a retirar milhares de militares de Novomoskovsk, no interior de Dnipropetrovsk. Esta é a localidade com o maior centro logístico nesta secção da linha da frente. A Ucrânia rejeita estes avanços.
Já um cidadão russo, morador em Simferopol, foi condenado a 18 anos de prisão, isto por ter passado informações sobre um depósito de petróleo em Feodósia dos serviços especiais ucranianos.
A decisão foi proferida hoje, de acordo com o Ministério Público da Crimeia, península ucraniana ocupada pela Rússia há 11 anos. A Rússia ocupou esta península em 2014. O homem tem 31 anos, foi considerado culpado de alta traição. Esteve alegadamente envolvido na recolha de informações sobre o movimento de uma locomotiva que levava tanques de derivados de petróleo até ao ponto de abastecimento. O homem terá depois enviado o vídeo capturado e as coordenadas geográficas do terminal por mensagem aos serviços secretos da Ucrânia. Foi agora condenado a passar os próximos 18 anos numa prisão de máxima segurança.