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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos falar dos destaques da imprensa ucraniana. Está comigo, mais uma vez, o jornalista José Rafael Lopes. José, há um tema claro na imprensa ucraniana que é a venda de 100 caças franceses à Ucrânia.

É manchete em todos os jornais que foram consultados para fazer este programa. Todos eles dão conta da compra, por parte da Ucrânia, destes 100 aviões de combate. O ângulo é semelhante em todos. O uso que vai ser dado a estes caças que estão a ser comprados pela Ucrânia. Vão servir para melhorar as defesas aéreas ucranianas no campo de batalha e também nas cidades ucranianas perante ataques russos. O Kyiv Independent coloca também excertos das declarações quer de Volodymyr Zelensky, o presidente da Ucrânia, quer de Emmanuel Macron, o presidente francês, e dá conta da data em que os aviões vão poder ser utilizados em combate. Isto porque há um acordo para a compra dos caças, mas o transporte não vai ser imediato. Já o Kyiv Post e o Pravda Ucraniano destacam o apoio militar reforçado e também a capacidade ucraniana de investir em defesa de forma autónoma, ou seja, a Ucrânia passa a comprar o equipamento militar e não a recebê-lo de forma gratuita. Ora, em cima da mesa está então essa venda de 100 caças franceses à Ucrânia, acordo assinado em Paris, sendo que além dos aviões de combate, as forças ucranianas chegaram ainda a um entendimento para a compra de sistemas de defesa aérea e ainda de drones. Como disse, é o tema em destaque em toda a imprensa ucraniana.

Ainda sobre o tema, há um jornal que vai além dos caças para destacar um novo pacote de apoio que estará já a ser preparado, José.

É um artigo do Ukrinform que avança que há mais um acordo a ser preparado precisamente entre Paris e Kiev. Este acaba por ser quase um artigo sucedâneo ao que é feito sobre os 100 caças franceses. Em cima da mesa está então a entrega de um novo pacote de ajuda por parte de França à Ucrânia. Este pacote de ajuda será financeiro, mas há também um acordo para um pacote de ajuda de equipamento de defesa para ser entregue às forças ucranianas. É um dos pontos que saiu também da conferência de imprensa de Emmanuel Macron, o presidente francês, que após ter anunciado esse acordo para a venda de 100 caças à Ucrânia, admitiu mais ajuda ao povo ucraniano e também a Zelenskyy. E a imprensa ucraniana avança que pode chegar ainda este ano, com a data a ser apontada já para o final de dezembro.

Vamos mudar de tema e falar sobre um artigo ucraniano a dar conta de regras mais apertadas na segurança russa.

Artigo que está no Kyiv Post e que dá conta da nova lei que foi aprovada por Vladimir Putin na Rússia, lei que fortalece a moldura penal para atos de sabotagem. A nova lei aumenta ainda a janela de responsabilidade, ou seja, crianças que tenham 14 anos já podem ser acusadas de sabotagem na Rússia, sendo que a versão anterior apontava para os 16 anos como a idade mínima para que jovens possam ser acusados de atos de sabotagem. Ora, após o aval de Putin, a Duma aprovou a lei numa altura em que aumentam os casos de possíveis sabotagens contra alvos militares russos, que terão sido, ao que tudo indica, levados a cabo por jovens, pelo menos é o que escreve a imprensa ucraniana. Para combater tal situação, surge então esta nova lei na Rússia. Segundo os termos da alteração, qualquer ato de sabotagem pode ser punido com medidas de coação muito mais gravosas. Há mesmo prisão perpétua na moldura penal para atos de sabotagem. É um agravamento bem forte, até porque o máximo para estes casos, antes desta alteração, era 10 anos de prisão efetiva. Essa era a medida de coação mais gravosa, agora passa a ser prisão perpétua. A Duma explica que este agravar, com as preocupações crescentes com a segurança, coloca em causa a segurança russa e a soberania do país, daí ser feita esta alteração para atos de sabotagem. A imprensa ucraniana sublinha ainda que, no passado, a Rússia já tinha acusado a Ucrânia de tentar convencer jovens russos a levar a cabo este tipo de ações de sabotagem, sendo que a imprensa ucraniana fala também em acusações que não tinham fundamento por parte da Rússia.

Ponto final nesta edição de "Guerra Traduzida". Pode ouvir este episódio em podcast e também no nosso site observador.pt.