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Dia 12 de abril de 2023, dia 413 da invasão russa à Ucrânia e vamos a mais um episódio da Guerra Traduzida na Rádio Observador. Hoje começamos com os jornais da Rússia, um trabalho do jornalista Rui Casanova, com a colaboração da Larissa Tovmazian. E Rui, começamos com a divulgação dos documentos do Pentágono, dos Estados Unidos, que continua a fazer manchetes na imprensa russa.

Exatamente. Boa tarde, João. A Rússia não afasta a possibilidade de a divulgação destes documentos ser uma farsa. É uma expressão utilizada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, citado pela agência estatal RIA. Sergei Ryabkov afirma que há uma probabilidade elevada de estes documentos serem falsos. O governante vai mesmo mais longe, afirma que como os Estados Unidos fazem parte da guerra na Ucrânia, aqui nas palavras deste governante, os Estados Unidos podem usar este tipo de truques para enganar a Rússia. É o que diz Sergei Ryabkov, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros. Falamos, como dizia João, dos documentos do Pentágono divulgados na semana passada em várias redes sociais, como o Telegram e o Twitter. Alegadamente, estes documentos contêm informações secretas sobre a guerra na Ucrânia, as operações no terreno e outro tipo de informações de vários países a nível global. Portanto, daí o perigo destes documentos irem parar às mãos erradas. E aqui uma bicada do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros aos Estados Unidos.

E esta manhã, Rui, o porta-voz do Kremlin falou do novo sistema de recrutamento militar.

Sim, falámos desta informação ontem aqui na Guerra Traduzida. A Rússia está a modernizar o sistema de recrutamento e alistamento militar, vai até passar a fazer as convocatórias via e-mail. Foi um destaque ontem aqui no programa. O porta-voz do Kremlin vem agora explicar que tudo isto vai permitir corrigir falhas detectadas no ano passado, no primeiro ano de guerra. Passo a citar Dmitry Peskov: "Devemos agilizar o sistema de registo e recrutamento de quem deve servir no exército". É o que diz o porta-voz do Kremlin, aqui também citado pela agência estatal russa RIA.

E vamos aos independentes russos, aos jornais independentes russos, ao canal independente Meduza, que tem hoje, Rui, um artigo que visa ajudar os cidadãos obrigados a ir para a guerra. Como?

Vem na sequência da notícia anterior. Ontem também explicámos que quem for chamado para a guerra fica proibido de sair do país até ir ao cartório fazer o registo oficial do alistamento militar no exército. Quem não o fizer é alvo de sanções por parte do Kremlin, como por exemplo, a proibição de compra de imóveis ou obtenção de empréstimos. Ou seja, de certa forma aqui uma sanção, uma proibição, o Kremlin a fechar a porta a quem não quer ir para o campo de batalha. Nesta sequência, o canal Meduza tem um artigo com o seguinte título: "Não quer ir para a guerra? Precisa de ajuda?". Aqui está uma lista de organizações para entrar em contacto já. A Organização de Direitos Humanos The First Department compilou uma lista de projetos e organizações que ajudam quem não quer servir no exército e o canal independente Meduza divulga essa mesma lista. É acerca de uma dezena de organizações. Tratam-se de organizações humanitárias ou sociais, com advogados, ativistas e psicólogos que oferecem todo o tipo de ajuda. Portanto, aqui também vemos a diferença entre a imprensa estatal russa e a independente. A imprensa estatal russa aqui simplesmente a destacar as declarações do porta-voz do Kremlin, dos ministros, etc., de Vladimir Putin, a obrigatoriedade, e aqui os canais independentes a darem uma alternativa aos cidadãos que são obrigados a ir para a guerra.

Então continuamos pela imprensa independente russa, que também dá destaque a um novo alegado caso de execução de militares ucranianos partilhado em vídeos.

Sim, nas últimas horas começaram a circular nas redes sociais pró-Rússia dois vídeos que mostram alegadamente soldados ucranianos serem decapitados pelos militares russos e também pelos militares do grupo Wagner. É mais um caso da execução de militares ucranianos à mão de soldados russos, alegadamente. Já tinha sido notícia o caso de um vídeo que foi partilhado que mostra a execução de um soldado militar ucraniano a ser morto depois de dizer "Glória à Ucrânia", alegadamente por soldados russos. Agora temos aqui mais dois casos, dois vídeos que mostram a execução alegadamente de soldados ucranianos à mão de soldados russos. A autenticidade das imagens ainda não foi confirmada, mas as autoridades ucranianas estão a tratar estes vídeos como verdadeiros. Já abriram mesmo investigações. O canal Meduza descreve as imagens como brutais, destaca a violência destas imagens e também a reação da Ucrânia. Isto porque Kiev promete encontrar os monstros, e aqui estou a citar, e compara a Rússia ao Estado Islâmico. É uma notícia que vai estar também em destaque no próximo episódio de Guerra Traduzida, versão Ucrânia.

Que começa já a seguir. Vamos passar em revista a imprensa ucraniana depois de termos estado a falar dos destaques na imprensa russa, num trabalho do jornalista Rui Casanova, em colaboração com a Larissa Tovmazian.