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O que diz a imprensa russa nesta quarta-feira, dia 6 de abril, é o que vamos descobrir neste episódio da "Guerra Traduzida", com a ajuda da Larissa Tovmazian. Bem-vinda, Larissa.
Olá.
Hoje começamos por uma notícia que está em destaque principalmente na imprensa estatal, a morte de Zhirinovsky.
Sim, temos a notícia de que Vladimir Zhirinovsky, o líder do partido LDPR, falece hoje com 75 anos. Isto vem na sequência do Covid. Ele foi internado no início de fevereiro e já houve boatos há cerca de uma semana sobre a morte dele, mas só hoje é que a morte ocorreu e isso foi confirmado.
Sim, estamos a falar de uma figura muito controversa, muito na Ucrânia, mas na Rússia também. Um suposto opositor de Putin, mas que na verdade defende também muito daquilo que tem sido esta intervenção russa na Ucrânia e que agora a notícia oficial de que terá morrido, sendo que Vladimir Putin também já fez uma declaração com condolências por causa da morte de Zhirinovsky. Avançamos para uma notícia no Izvestia que dá conta de um possível reforço dos ataques em Mariupol.
Sim, Izvestia, um jornal estatal, começa esta notícia com a frase: "Não temos outra saída". E o que é que a notícia diz? Diz que o Ministério de Defesa da Rússia prepara-se para a libertação total de Mariupol. Isto deve-se ao facto de os ucranianos se terem recusado de baixar as armas e a deixar a cidade, ignorando assim os russos. Dizem que Kiev não pretende salvar os seus próprios militares e, portanto, o representante do Ministério da Defesa diz que a cidade de Mariupol será libertada pelo exército russo e pela República Popular de Donetsk.
Perante a resistência ucraniana e a sua intenção em não desistir, aqui esta declaração deste militar a dizer que será reforçado o ataque a Mariupol, neste caso, a expressão utilizada é a operação de libertação de Mariupol.
Sim, e também no dia 5 de abril, ontem, o Ministério da Defesa russo e o próprio ministro opinou bastante sobre o desempenho dos soldados e oficiais e diz que estes demonstraram muita coragem e dedicação durante as hostilidades.
Um elogio aos militares russos. Avançamos para uma declaração de Peskov. Fala praticamente todos os dias, já é presença habitual nestas Guerras Traduzidas e hoje dá uma declaração, novamente por telefone, e aqui continuamos a falar do Izvestia, em que tenta de certa forma explicar por que razões é que a Rússia decidiu abandonar, de certa forma, o ataque a Kiev, os ataques a Kiev e aos arredores de Kiev.
O porta-voz de Kremlin explica esta retirada do exército de Kiev. Peskov, como sempre, através de uma chamada telefónica, comenta hoje esta retirada e diz que foi um gesto de bondade por parte do presidente Putin e que o principal objetivo é criar condições favoráveis para as negociações entre a Rússia e a Ucrânia. Temos aqui um pequeno excerto também desse telefonema. E aqui, no fundo, ele está a dizer isto, está a dizer que têm de criar condições favoráveis para estas negociações e, no fundo, era o que já devia ter sido feito aquando das negociações na Turquia.
Aqui as declarações de Peskov a um canal estatal a tentar também explicar o que levou a Rússia a abandonar o ataque a Kiev e aos arredores da capital ucraniana. Larissa, vamos avançar para um tweet de Navalny, opositor russo, opositor de Vladimir Putin. Claro, todos nós sabemos isto, mas faz um tweet neste último dia sobre a forma como a informação que passa pelas televisões é manipulada, aquilo que chega basicamente ao russo comum. Ele acaba por fazer aquilo que nós fazemos também aqui na Guerra Traduzida, que é espelhar aquilo que está na imprensa russa. Acaba por mostrar, não espanto, mas sim por dizer tudo aquilo que passa por esses meios de comunicação. E ele faz análise a um conteúdo televisivo, um noticiário, em que descrevem aquilo que terá acontecido em Bucha.
Muito interessante esta publicação de Navalny, que conta como é que a situação em Bucha é vista por um telespectador normal russo, que é o caso de Navalny, que neste momento apenas encontra-se preso e apenas tem acesso aos canais estatais. Ele diz que soube do acontecimento terrível em Bucha na televisão e as notícias mostravam que a Rússia queria reunir com as Nações Unidas para analisar a situação e que, na verdade, eram os nazis ucranianos que desencadearam este horror na cidade de Bucha.
Portanto, diz a notícia, a Rússia quer reunir o Conselho de Segurança das Nações Unidas para analisar o massacre levado a cabo pelos nazis ucranianos. Isto é o que diz esse conteúdo televisivo.
Exato, isto de manhã. Depois, conta Navalny, na sua publicação Que à noite o primeiro canal, o canal estatal que também já citámos aqui.
Sim, que é o canal que foi invadido por aquela produtora jornalista com o cartaz.
Ovsiannikova. Sim.
A dizer não à guerra. Estamos a falar do mesmo canal, um canal estatal.
Sim. E aqui o primeiro canal à noite explica num estudo, diz o Navalny, que a provocação de Bucha estava a ser preparada pela NATO já há bastante tempo e a um nível muito elevado. Isto também se reflete na palavra que Biden usou para descrever Putin.
Sim, de facto é curiosa a forma como esse canal rota a situação e faz a comparação. O presidente Biden chamou a Putin a um carniceiro, que em inglês é butcher, e que essa expressão foi utilizada, de certa forma, para habituar as pessoas à palavra Bucha, da cidade ucraniana.
Exatamente. Ele diz que a dimensão da mentira nos canais russos é imensurável e infelizmente convincente, porque ele sendo um telespectador russo neste momento, mas com mais informações do que uma pessoa normal, diz que infelizmente uma pessoa normal acredita nisto. Acredita e fala no horror da propaganda russa e que é necessário tomar medidas urgentes que possam mudar isto.
E diz mesmo que são tão criminosos os militares russos que provocaram massacres como o de Bucha, como os editores e os responsáveis por estes canais estatais que fazem esta propaganda e levam este tipo de conteúdo e esta desinformação às pessoas em período de guerra.
Ou seja, ele acrescenta que estes acontecimentos foram praticados não apenas pelas pessoas que efetivamente assassinaram os civis, mas também por quem estava metaforicamente ao lado a dar essas ordens.
Sim. Avançamos para uma longa reportagem do jornal independente Meduza. Estamos a falar de um jornal independente que é publicado na Rússia e que tenta olhar para o que aconteceu em Bucha para explicar da melhor forma que consegue. É um jornal claro que tem os seus leitores na Rússia, mas é independente e tenta explicar sem a propaganda russa, sem a propaganda ucraniana e da melhor forma que consegue num longo artigo jornalístico, tenta explicar e dar respostas àquilo que pode ter acontecido em Bucha. E o que vemos neste artigo, Larissa, quando o lemos, é que de facto surgem mais perguntas por responder do que efetivamente respostas concretas.
E este artigo apesar de ser muito extenso, é muito interessante. E novamente sobre Bucha, Meduza tenta reconstruir os acontecimentos, mas agora analisá-los com maior detalhe, comparando as notícias que nos foram apresentadas durante estes dias. Todos sabemos o que aconteceu, vimos as imagens terríveis, mas o que a Meduza faz é primeiro perguntar, e é uma pergunta bastante assustadora, que é: os civis de Bucha foram efetivamente assassinados por militares russos? E depois da pergunta, nós não temos nenhuma resposta concreta, mas diz que houve informações também de que os civis foram mortos em momentos e lugares diferentes.
Sim.
Depois de seguida temos uma série de questões, qual o papel da cidade de Bucha nesta guerra, porque é que os civis de Bucha morreram. Depois falaram também e citaram a Kateryna Ukrayintsova, que é uma deputada do conselho local, que inicialmente tinha dito que não tinha visto os tiroteios, mas depois acaba por se contradizer e disse que afinal viu. Depois também questiona-se quantas pessoas é que foram mortas efetivamente, como é que foram mortas. E depois numa segunda parte, a Meduza analisa as versões alternativas propostas por Kremlin.
Sim, que a Rússia está a avançar e faz de facto aí quase uma tentativa também de tentar explicar aquilo que são as versões russas e como muitas delas acabam por ser claramente versões falsas ou declarações falsas ou baseadas em relatórios ou informações falsas. É de facto um longo artigo da Meduza, este jornal independente na Rússia, a tentar explicar aquilo que aconteceu em Bucha e deixa muitas perguntas por responder, de facto, porque essa investigação independente não consegue responder a todas com clareza. Estamos já a ficar com pouco tempo, Larissa, vamos avançar ainda para uma notícia que dá conta do incêndio na casa de um oligarca em Itália.
É um jornalista que se chama Vladimir Solovyov, que tem bastantes casas e vilas em Itália. E aqui temos esta moradia na cidade de Menaggio, no lago de Como. E basicamente diz aqui que a casa foi incendiada, mas salientar que ele tem mais três.
Um ataque em Itália, uma casa de um oligarca. Para fechar, voltamos a ter um concerto de artistas russos a tocar fora da Rússia, um concerto de apoio e de solidariedade com a Ucrânia, um concerto que vai acontecer amanhã e também no próximo domingo.
Sim, são dois artistas, Noize MC e Maniac, opositores de Putin e contra a guerra. Organizam vários concertos fora da Rússia, obviamente, para angariar dinheiro e ajudar as fundações e os refugiados ucranianos, que neste momento estão a precisar muito de ajuda.
São concertos que vão acontecer amanhã em Riga, dia 10 de abril, no próximo domingo em Vilnius, de Noize MC e também Maniac. Disse bem o nome?
Maniac.
Muito perto, estive muito perto. Chama-se Voices of the World este concerto de apoio à Ucrânia e é com esta canção que terminamos a Guerra Traduzida de hoje com a Larissa Tormazã.