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"Guerra Traduzida", edição especial Irão, o espaço em que falamos sobre o que conta a imprensa israelita, norte-americana e iraniana em plena guerra do Irão. Hoje com o jornalista João Gama. 24 horas depois da trégua anunciada por Donald Trump, nada mudou. Irão e Israel voltaram a trocar ataques esta madrugada. Ataques que tiveram como alvo infraestruturas energéticas. E por que isso é relevante, Martim? Ontem o presidente dos Estados Unidos não só anunciou conversas produtivas com o Irão como prometeu interromper precisamente os ataques contra infraestruturas energéticas durante um período de cinco dias. Hoje, Teerão diz que foram alvejados um gasoduto e os edifícios que servem para administrar e regular a pressão do gás. Falamos do gasoduto que serve para alimentar a central elétrica de Khorramshar. Da agência Fars iraniana indica que, ainda assim, o ataque não causou vítimas nem interrompeu as operações desta central. São informações estatais iranianas partilhadas aqui com destaque na Al Jazeera. João, a guerra é também uma guerra de informação e do lado israelita confirmaram-se ataques, mas não se menciona as infraestruturas energéticas. A informação que temos do lado israelita confirma apenas uma sequência de ataques em larga escala contra o Irão. Foram atingidas 50 infraestruturas do regime, entre as quais instalações de armazenamento de mísseis e também quartéis-generais da Guarda Revolucionária Islâmica. Tel Aviv foi também atingida esta manhã. Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas, nenhuma ainda assim teve de ser hospitalizada, depois do mais recente ataque que atingiu a capital israelita, que contou com mísseis que continham perto de 100 quilos de explosivos. Vários edifícios e veículos ficaram danificados, é o que nos mostram as imagens do local. E de acordo com o exército israelita, apesar destas imagens dramáticas que o ataque causou, os ferimentos são apenas ligeiros. Está em destaque no Times of Israel. Outro jornal israelita, o Haaretz, partilha as declarações do ministro da Defesa de Israel. Tel Aviv quer controlar todo o sul do Líbano e os civis não vão poder regressar tão cedo. Estamos a falar de uma área geográfica que vai ser controlada por Israel, que corresponde a 10% do território do Líbano. É um dos principais teatros de guerra, a fronteira entre Israel e o Líbano. Yisrael Katz, o polémico ministro de Defesa de Benjamin Netanyahu, prometeu hoje que Tel Aviv vai controlar uma zona de segurança, uma zona tampão até ao rio Litani, dentro do território do Líbano, e por isso centenas de milhares de moradores do país não podem regressar a casa até que a segurança seja garantida no norte de Israel. O exército israelita destruiu também todos os cinco pontos sobre o rio Litani por serem utilizados pelo Hezbollah. E por falar no Hezbollah, o Líbano expulsou o embaixador do Irão. É um tema em destaque nos jornais israelitas. Que escrevem: "Persona non grata. Líbano expulsa embaixador do Irão depois do Hezbollah, o grupo militar aliado de Teerão, arrastar o país para a guerra". Terá, por isso, que abandonar o Líbano até domingo. Enquanto Israel e o Hezbollah trocam ataques, o povo libanês, como sabemos, fica no meio. Por isso, o líder da diplomacia de Beirute declarou persona non grata o embaixador iraniano. Escreve o Haaretz e também o Times of Israel que o Hezbollah é o principal responsável pela guerra no Líbano por recusar acatar as exigências do governo do próprio país e por continuar a atacar as forças israelitas. E João, o Irão tem um novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Chama-se Mohammad Bagher Zolghadr. É uma notícia da agência iraniana Tasnim, que traça o percurso do novo secretário do Conselho Supremo. Nasceu, Martim, em 1955, foi comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, ocupou vários cargos na administração iraniana. As autoridades de Teerão sublinham a sua capacidade em funções militares e também governativas. Esperam aqui que o passado de Zolghadr na Guarda Revolucionária influencie a estratégia de defesa do país. De facto, o Conselho Supremo de Segurança Nacional é o responsável pela coordenação quer da política de defesa e de segurança nacional do Irão. E aqui o secretário vai desempenhar um papel central no aconselhamento quer do presidente do Irão, quer também na coordenação entre os vários órgãos de segurança, o exército e também de serviços de informação. Apenas uma diferença na forma como os dois países estão a relatar esta mudança. Zolghadr vai substituir Ali Larijani no cargo. Os media iranianos não mencionam aquela que é uma das informações mais sublinhadas pelos israelitas. Ali Larijani foi morto em ataques de Israel desde o início da guerra. Era um dos principais responsáveis não só pelas negociações com os Estados Unidos da América antes da guerra, tal como, por exemplo, o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, mas foi também a principal figura iraniana a ser assassinada nesta guerra desde a morte do aiatolá Ali Khamenei. O Irão prendeu três pessoas por suposta espionagem. As autoridades iranianas prenderam estas três pessoas na província de Semnan, acusadas de espionagem em locais sensíveis. É o que conta um comandante das autoridades da polícia provincial. Os indivíduos são acusados de tentar obter informações e documentação sobre instalações militares e policiais e depois enviá-las ao inimigo. É o que se pode ler na agência de notícias iraniana Tasnim, que cita um oficial da polícia. As autoridades confiscaram também equipamentos de comunicação e alguns itens que são proibidos destes suspeitos que, dizem as autoridades iranianas, mantinham contactos não só com Israel, mas também com os Estados Unidos. Espreitamos agora a imprensa norte-americana. João, o Wall Street Journal escreve hoje que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão cada vez mais perto de se juntarem à guerra. Ao lado, claro, dos Estados Unidos da América. São dois dos países que têm sido alvo de ataques iranianos, principalmente contra as suas instalações de energia. Fontes ouvidas pelo jornal Wall Street Journal adiantam que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, está perto de tomar a decisão de se juntar aos ataques contra o Irão. Diz mesmo o jornal que é uma questão de tempo. Já os Emirados Árabes Unidos estão a discutir se devem enviar as Forças Armadas para o conflito. Estão contra, por exemplo, Martim, a possibilidade de um cessar-fogo que deixe parte da capacidade militar do Irão intacta. Fica por aqui mais um episódio da "Guerra Traduzida" da Rádio Observador, desta vez uma edição especial dedicada à guerra no Irão, hoje com o jornalista João Gama.