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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Estamos de volta com a jornalista Diana Rosa. Diana, vamos falar agora do que está em destaque na imprensa ucraniana. Há novidades relativamente ao acordo de minerais que tem estado a ser negociado e preparado entre a Ucrânia e os Estados Unidos. As delegações dos dois países vão encontrar-se amanhã.
É uma notícia avançada há pouco, esta tarde, pelo Kyiv Post. A reunião vai decorrer em Washington, DC, nos Estados Unidos, principalmente equipas do Ministério da Justiça e do Ministério da Economia da Ucrânia, é o que confirma a própria ministra ucraniana da Justiça. Quanto a detalhes, ainda não podem ser avançados pelo governo ucraniano, que promete comentar depois publicamente como ocorreu o encontro. No entanto, deixou uma certeza: nada no eventual acordo de minerais pode receber o aval da Ucrânia a partir do momento em que comprometa os compromissos financeiros de Kiev, em particular os que dizem respeito ao mecanismo de apoio à Ucrânia, assim como à assistência macrofinanceira e a cooperação com o Fundo Monetário Internacional.
A Ucrânia desmente a marcação de eleições para o próximo verão. O chefe de gabinete de Zelensky contraria assim o jornal britânico Economist, que tinha avançado com esta notícia.
Andriy Ermak diz que é um perfeito disparate, até porque o país continua sob lei marcial. Uma entrevista à imprensa italiana e citada aqui pelo New Voice of Ukraine, o braço direito de Zelensky nega que o presidente ucraniano esteja a preparar-se para uma nova ida às urnas. Sublinha que não se pode planear eleições enquanto há conflitos em curso. Primeiro, há que acabar com a guerra, depois pode-se votar. O Economist tinha adiantado que a Ucrânia e Estados Unidos iriam chegar a um acordo ainda este mês sobre futuras eleições. E como a lei ucraniana exige pelo menos 60 dias de antecedência para a marcação de uma campanha eleitoral, o jornal britânico avançou que a votação poderia ocorrer no início de julho. Ora, a BBC Ucrânia diz que estes dados são falsos e o gabinete de Zelensky também.
No terreno, em Mykolaiv, no sul da Ucrânia, um ataque russo com drones fez pelo menos 10 feridos.
O ataque foi levado a cabo na última noite, perto das 03:00. Ficaram danificados vários edifícios habitacionais, além desse registo de uma dezena de feridos. São os dados avançados pelo responsável da região ucraniana. Como resultado da queda de escombros, são nove os prédios danificados, três automóveis, ainda três dezenas de garagens e um edifício do Estado. Os incêndios que deflagraram foram entretanto extintos. Na última noite, também se registaram ataques noutras regiões. Falamos de Donetsk, Kharkiv, Kiev, a capital ucraniana, ainda Poltava e Mykolaiv.
Vamos fechar, Diana, com uma entrevista que o conselheiro espiritual de Donald Trump concedeu ao Kyiv Independent. O pastor Mark Burns diz que apoiar a Ucrânia é colocar a América em primeiro lugar.
Tal como Vladimir Putin, João, Trump também tem um guru, um conselheiro espiritual. Resta saber agora como é que vai reagir o presidente norte-americano a esta entrevista, se vai dizer "you're fired" ao pastor Mark Burns. Voltando um pouco atrás, quando o presidente dos Estados Unidos decidiu suspender a ajuda militar à Ucrânia no mês passado, o conselheiro espiritual apoiou a decisão. No entanto, agora Mark Burns pede que Trump envie mais tanques, mais aviões e mais defesa aérea para Kiev. E tu perguntas-me por que mudou de opinião em espaço de poucas semanas? A mudança drástica de postura de Burns ocorre depois de uma viagem que fez à Ucrânia, onde pôde testemunhar com os próprios olhos as atrocidades cometidas pela Rússia, por exemplo, em Kryvyi Rih, a terra de Zelensky, que foi palco de um ataque que matou recentemente 20 pessoas, incluindo nove crianças. É uma entrevista do guru de Trump, uma entrevista exclusiva para ler na íntegra no Kyiv Independent.
E que fecha esta edição da "Guerra Traduzida".