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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" para acompanhar a situação no Irão. Nos próximos minutos passamos em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente e também dos Estados Unidos. A edição de hoje é do jornalista Miguel Pinhandrade. Bem-vindo, Miguel. Boa tarde.
Olá, Carlos. Boa tarde.
Vamos começar com o roteiro de 60 dias rumo à paz entre o Irão e os Estados Unidos. Depois de um arranque tenso, a primeira ronda de negociações entre norte-americanos e iranianos na Suíça terminou com progressos positivos. É, pelo menos, essa a expressão utilizada pelos mediadores do Catar e do Paquistão.
As negociações duraram toda a noite na Suíça e devem prolongar-se durante esta semana para pôr fim à guerra no Médio Oriente. Numa declaração conjunta, Catar e Paquistão afirmam que os trabalhos estão a correr bem e que os Estados Unidos e o Irão definiram uma espécie de roteiro para atingirem um acordo final num prazo de 60 dias. O entendimento alcançado na semana passada inclui o compromisso de chegar a um acordo final dentro desse prazo, bem como o fim dos combates em todas as frentes, incluindo no Líbano, e a reabertura do estreito de Ormuz. Os trabalhos arrancaram com alguma tensão. Os negociadores iranianos abandonaram a reunião depois de uma série de ameaças feitas por Donald Trump, mas as negociações foram retomadas. Após a primeira ronda deste fim de semana, o Ministério Suíço dos Negócios Estrangeiros explicou em comunicado que o roteiro dos 60 dias inclui a criação de condições para a retomada imediata de novas discussões técnicas.
As delegações, Miguel, entretanto, já deixaram a Suíça, mas em solo helvético ficaram, pelo menos, equipas técnicas que vão continuar a negociar.
Os principais negociadores deixaram o lago Lucerna rumo a Teerão, depois de 18 horas de conversações intensivas. É o que avança a Al Jazeera, que cita meios de comunicação estatais iranianos. É esperado que a delegação dos Estados Unidos e dos países mediadores, do Catar e do Paquistão, também o façam ainda hoje, de acordo com uma fonte ouvida pelo "Times of Israel". A delegação iraniana foi liderada pelo presidente do Parlamento, pelo ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, também pelo governador do Banco Central, pelo vice-ministro do Petróleo e por um experiente negociador nuclear. De acordo com as agências de notícias ISNA e Tasnim, a equipa técnica, liderada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, permanece na Suíça e vai continuar, Carlos, as negociações técnicas sobre o memorando de entendimento de Islamabad.
E o Irão, Miguel, diz que as negociações trouxeram avanços significativos para acabar com a guerra no Líbano.
O Irão está feliz pelo resultado das conversações na Suíça, tendo o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Abbas Araghchi, destacado na rede social X a mediação incansável do Paquistão e do Catar. Segundo o governante iraniano, esta mediação trouxe avanços significativos para pôr fim à guerra do Líbano, além de ter ficado definido um grande plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irão. Foram ainda descongelados alguns ativos. Para Araghchi, o primeiro teste real às negociações que decorreram na Suíça vai ser quando for implementada a célula de resolução de conflitos no Líbano. O porta-voz do Ministério de Negócios Estrangeiros do Irão avança também que durante o fim de semana a questão nuclear esteve em cima da mesa. Citado pela AFP, Esmaíl Bahrei diz que um dos pontos levantados pela delegação americana foi a apresentação da posição sobre a questão nuclear. Houve uma discussão muito breve, mas não houve discussão de detalhes. As negociações sobre o tema ainda não começaram.
Já o Paquistão, um dos mediadores deste conflito ou das negociações rumo à paz, elogia a postura dos Estados Unidos e do Irão durante precisamente as negociações.
Na rede social X, o primeiro-ministro paquistanês anuncia que as negociações de paz foram concluídas com sucesso. Shehbaz Sharif realça a atmosfera positiva e construtiva que deu origem a um progresso encorajador. Elogia também a liderança, tanto dos Estados Unidos como do Irão, por se comprometerem continuamente com a paz.
Viramos agora atenções para o conflito entre Israel e o Líbano. Tel Aviv afirma que não tem ambições territoriais no país, mas mesmo assim não vão desmobilizar as tropas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel conversou com o homólogo da Nova Zelândia, garante que Israel vai respeitar o cessar-fogo no Líbano, desde que este não seja violado pelo Hezbollah. O governante israelita diz que, apesar de o país não ter ambições territoriais no Líbano, Israel não se vai retirar da zona de segurança. Argumenta que não quer expor os cidadãos à possível invasão do Hezbollah. Os detalhes da conversa entre os dois ministros foram partilhados na rede social X. Yair Lapid acrescenta que é do interesse tanto do Líbano como de Israel que o grupo, Carlos, do Hezbollah seja desmantelado.
Ainda no Líbano, no sul do país, as equipas de salvação recuperaram dos escombros os corpos de 13 pessoas.
É o que avança a Al Jazeera, que cita a Defesa Civil do Líbano. As equipas estão agora a trabalhar para desobstruir estradas secundárias e principais nestas duas regiões onde os corpos foram encontrados, em Nabatieh e Marjayoun. É uma notícia que surge no dia em que o presidente do Líbano falou ao telefone com o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, também falou com o enviado dos Estados Unidos para as negociações, Jared Kushner, e com o primeiro-ministro do Catar sobre o fim da guerra. Segundo a imprensa libanesa, citada pela Reuters, nesta chamada discutiu-se a necessidade de preservar o cessar-fogo na região do sul do Líbano e de impedir uma escalada militar por parte de Israel.
Ponto final em mais um episódio da "Guerra Traduzida", Irão, hoje com o jornalista Miguel Pinhandrade.