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Guerra traduzida. Olhamos agora para a imprensa da Rússia, num trabalho da jornalista Diana Rosa. Diana, os jornais russos continuam a dar naturalmente grande destaque às eleições deste fim de semana. Agora que já estão registados os votos de imigração, o porta-voz do Kremlin faz saber que também fora da Rússia os eleitores deram a vitória a Vladimir Putin.

É isso que diz Dmitry Peskov, no entanto, sem apontar para percentagens. A notícia faz manchete na Agência TASS. O porta-voz do Kremlin admite que a tendência da votação varia consoante os territórios onde vivem os imigrantes, mas no geral o resultado é favorável ao atual presidente russo. Por isso mesmo, Peskov afirma que também esses eleitores contribuíram naturalmente para uma vitória sem precedentes de Vladimir Putin.

Em sentido contrário, sai hoje uma notícia no jornal independente Meduza a dar conta de que metade dos votos registados com o nome de Putin foram falsificados.

O Meduza cita uma análise de dados eleitorais realizada pela Novaya Gazeta Europeia, um jornal conhecido pelos artigos de investigação sobre assuntos políticos e também sociais. Para o apuramento destes dados foi usado um método independente. Os cálculos indicam que pelo menos 32 milhões dos votos registados para Putin foram fabricados. De acordo com o Novaya, significa isto que a escala de falsificação de votos nestas eleições excedeu a de qualquer outra na história da Rússia.

E Diana, há uma deputada do Parlamento russo que deixou críticas à vitória de Putin nestas eleições presidenciais.

É uma notícia do Agentstvo. A adjunta do Comitê Regional de Altai, do Parlamento do Partido Comunista da Federação Russa, publicou uma mensagem no Telegram onde escreveu que o apoio do governo a Putin é imaginário. Depois disso, este jornal de política entrevistou Maria Prozakova para explorar um pouco mais estas afirmações e também se teria ou não medo de represálias. Diz ela que os mecanismos que estão atualmente em vigor, nomeadamente o voto eletrónico, não permitem que os eleitores expressem abertamente a sua verdadeira posição. Por isso considera óbvio que o nível real de apoio a Putin está muito longe dos números que foram registados. Diz Maria Prozakova, que participa no processo eleitoral há três décadas, por isso nem considera que o que aconteceu no último fim de semana possa ser definido como uma eleição. Fala ainda na falta de privacidade da população nas mesas de voto. Nós vimos, Luís, vídeos em que, por exemplo, agentes das autoridades entravam nas cabines de voto para espreitar onde é que os eleitores colocavam a cruz. Por esta e por outras razões, a governante acredita que este cenário eleitoral viola completamente a Constituição e os direitos da população russa. Sobre o tal medo de represálias por parte do Kremlin, Maria Prozakova diz que tem o direito a emitir a opinião que tem e que é baseada em factos reais e, portanto, não vê que haja qualquer fundamentação judicial que possa ir contra ela.

E com esta vitória em plena guerra na Ucrânia, Diana, Putin já começou a fazer remodelações nas Forças Armadas.

Já era previsível. Foi nomeado hoje o almirante Moiseyev, vai ser ele o novo chefe da Marinha. É uma notícia que está em destaque no Moscow Times. Este oficial já tinha substituído, ainda que não de forma oficial, o almirante Nikolai Yevmenov, depois de um aumento nas perdas da Marinha Russa no meio de ataques ucranianos no Mar Negro. A nomeação deste chefe da Marinha foi revelada hoje, durante as comemorações do Dia do Submarinista Russo, na cidade portuária de Kronstadt, fica a cerca de 20 km de São Petersburgo. É uma cerimónia que costuma reunir marinheiros e construtores de navios russos de várias gerações. A nomeação acontece numa altura em que as forças ucranianas afirmam ter destruído mais de duas dúzias de navios de guerra russos, incluindo um barco de patrulha militar, já no início deste mês. Os naufrágios são, de resto, uma vergonha para a Rússia, que foi forçada a transferir barcos da base naval de Sebastopol, na Crimeia, para o porto de Novorossysk, mais a leste do território.

E a Rússia vai retirar cerca de 9 mil crianças de Belgorod, a cidade russa junto à fronteira com a Ucrânia.

Isto por causa dos ataques ucranianos dos últimos dias. É o que confirma o governador da região, citado pelo Moscow Times. O responsável indica que ainda ontem quatro pessoas morreram na sequência de um ataque que atingiu a casa onde viviam. Há ainda um jovem em estado grave. Estas 9 mil crianças a serem retiradas da região vão ser divididas por grupos. O primeiro grupo, com 1200 crianças, vai ser retirado na próxima sexta-feira. Vão ser deslocadas para as cidades de Penza, Tambov e Kaluga, que ficam mais perto de Moscovo, no centro do país.

E fica por aqui este episódio de Guerra Traduzida. Voltamos amanhã.