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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, programa em que fazemos a análise e explicamos os destaques das manchetes dos jornais russos e ucranianos. É assim de segunda a sexta. Hoje é um trabalho da jornalista Diana Rosa, eu sou o Miguel Cordeiro e vamos começar pela imprensa russa. Diana, Rússia e Ucrânia podem estar cada vez mais perto de se sentarem à mesa das negociações. O Kremlin aceitou o repto do ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano para tentar um acordo de paz.
Moscovo precisa apenas, Miguel, de entender o quão preparada está a Ucrânia. Esta abertura acontece na sequência das declarações de Dmytro Kuleba durante a visita oficial à China, uma visita que termina hoje. O diplomata disse ao homólogo chinês que a Ucrânia quer negociar a paz com a Rússia, mas sem avançar condições. São essas condições, de resto, que a Rússia quer vir a conhecer. Há um grande empecilho entre os dois países, que é a cedência de território, e é talvez por isso que Moscovo não sabe se a Ucrânia está ou não pronta para conversar. Citado pela agência TASS, o porta-voz da presidência russa acrescenta que a Rússia precisa de saber se Kiev tem permissão dos seus manipuladores, referindo-se ao Ocidente, para negociar. Dmitry Peskov diz que há uma contradição entre aquilo que a Ucrânia quer e o que os países aliados dizem. Peskov sublinhou hoje que a proibição de comunicação com a Rússia continua em vigor na Ucrânia e que muitas coisas precisam de ser esclarecidas em relação a possíveis negociações.
Passamos para declarações do Ministério da Defesa chinês, que diz que a NATO é uma máquina de estragos na guerra.
A NATO e os Estados Unidos. Para o Ministério chinês, as duas forças estão a prolongar o conflito ao fornecer armas a Kiev. Num artigo do "Komsomolskaya Pravda", que cita o porta-voz do governo chinês, pode ler-se que a aliança já iniciou conflitos no Afeganistão, Iraque, Líbia e na Ucrânia e continua a estender as suas mãos negras, estou a citar, à região da Ásia e do Pacífico. Diz a China que o documento final da última cimeira da NATO está cheio de mentiras, preconceitos e calúnias relativamente à situação na Ucrânia. Um representante do Ministério da Defesa chinês sublinhou que a NATO e os Estados Unidos estão a colocar lenha na fogueira e a lucrar com o conflito.
No episódio de ontem falámos de um carro de um espião russo que explodiu em Moscovo quando o homem meteu a chave na ignição. Agora as autoridades russas dizem que prenderam o responsável pelo ataque.
No jornal "Kommersant" podemos ler o título: "Homem-bomba chegou à Turquia". Aparentemente, foi ele que plantou um explosivo no carro do membro dos serviços secretos russos. O espião ficou sem parte dos membros inferiores, ficou gravemente ferido. 12 horas depois, o suspeito do crime, Evgeny Serebryakov, foi detido em Bodrum, na Turquia. Na sequência do ataque, os carros que estavam no local também foram seriamente danificados e as janelas dos dois primeiros andares do prédio em frente ficaram partidas. As duas vítimas foram hospitalizadas com urgência. Os agentes que chegaram ao local do crime apreenderam as gravações das câmaras CCTV. Rapidamente conseguiram visualizar o homem que entrou no carro e explodiu horas antes. Nas imagens, via-se o suspeito baixado a colocar um dispositivo no lado do condutor, numa operação que durou 10 minutos. Face a estes registos, as autoridades conseguiram ver o carro em que ele entrou depois para abandonar o local, um carro alugado, em que se dirigiu para o aeroporto para seguir então rumo à Turquia. Está acusado de tentativa de homicídio e posse ilegal de arma. Só mais um detalhe, a versão mais consistente para a Rússia é que este homem, Evgeny Serebryakov, agiu sob instruções dos serviços especiais ucranianos.
E falamos agora de um helicóptero de ataque russo que se despenhou a 100 km da fronteira com a Ucrânia.
Despenhou-se na região de Kaluga, no oeste da Rússia. A tripulação morreu. O ministro russo da Defesa diz que o helicóptero estava em serviço de combate, protegendo a paz dos civis. Na origem do acidente terá estado uma avaria técnica, o que indicam os dados preliminares. De acordo com as autoridades locais, a TASS, o helicóptero, um Havoc, na designação usada na NATO, terá caído numa área não habitada perto da aldeia de Klenki.
E o presidente bielorrusso volta hoje a visitar a Rússia.
O avião de Alexander Lukashenko já aterrou em São Petersburgo, uma informação que consta no Argumenti i Fakty. Lukashenko viajou até terras russas no âmbito de uma visita de trabalho. Foi recebido por Vladimir Putin, com quem vai encetar várias negociações. Espera-se que os chefes de Estado discutam as relações entre os dois países, também a situação de segurança regional e as questões da agenda internacional.
Destaques da imprensa russa.