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"Guerra Traduzida", trazemos agora com o jornalista João Gama os destaques da imprensa ucraniana. E João, começamos com essa entrevista de Volodymyr Zelenskyy ao britânico Guardian. O presidente ucraniano acredita que sem a Ucrânia, a Europa já teria sido ocupada pelas forças russas.
É o destaque do Kyiv Independent. A entrevista ao The Guardian está a ser publicada aos trechos. Os jornais ucranianos destacam as declarações de Zelenskyy, que insiste que o exército ucraniano tem 110 brigadas de combate, é precisamente metade que o exército russo e que ainda assim é superior ao número de brigadas de combate em toda a Europa, que são apenas 82. Ou seja, sem a Ucrânia, diz Zelenskyy, o exército russo seria três vezes maior do que todos os exércitos europeus e que por isso a Europa já estaria totalmente ocupada por Vladimir Putin. E Zelenskyy não tem dúvidas de que a conquista da Europa é de fato o último objetivo do Kremlin.
E cada jornal ucraniano dá um destaque diferente. O Ukrainform diz que Zelenskyy não está a pensar em eleições.
Precisamos aqui de algum contexto. A lei marcial na Ucrânia suspendeu as últimas eleições presidenciais e isso está a ser utilizado, por exemplo, por Moscovo, para questionar a legitimidade do governo ucraniano, para negociar um eventual acordo de cessar-fogo entre os dois países. Nesta mesma entrevista ao jornal britânico The Guardian, Zelenskyy critica a ideia de eleições em tempo de guerra. Tem até uma justificação, diz que eleições sem a participação dos militares ucranianos em territórios ocupados ou estrangeiros não seriam justas, que o seu resultado não seria justo. E ainda assim, o presidente ucraniano não diz que a solução é esperar 20 anos pelas próximas eleições, mas para já acredita que não é uma ida às urnas que vai resolver os problemas da Ucrânia.
E no terreno, João, Kiev voltou a ser atacada com mísseis russos e uma redação foi atingida.
Falamos dos escritórios dos canais de notícias estatais Freedom TV e Dim. O anúncio foi feito pelos próprios meios de comunicação, espalhados por vários outros. Aqui recorremos ao Kyiv Independent e ao TSN. Apesar dos danos, os canais continuam a estar operacionais. Em comunicado, o Freedom TV acusa as forças russas de serem terroristas e de violarem todo o direito internacional ao atacarem de forma propositada meios de comunicação. É importante recordar também que não é a primeira vez que isto acontece. A Rússia já atacou outras infraestruturas mediáticas em abril do ano passado, em Kharkiv, e também em Kiev, em março de 2022. Para já, apesar do rasto de destruição, não há vítimas neste ataque à capital ucraniana.
E João, foi detido um possível espião na Ucrânia. É o líder do departamento de antiterrorismo dos serviços de segurança do país.
Embora a agência não tenha revelado o nome do suspeito, fonte destes serviços de segurança diz ao Kyiv Independent, identifica o coronel Dmytro Koziura, que é suspeito de 14 atividades ilícitas. Esse caso lança luz sobre os esforços de guerra russos para infiltrar e minar os serviços de segurança da Ucrânia. Vasyl Maliuk, é o líder dos serviços de segurança da Ucrânia, ordenou a detenção deste alegado espião com todos os meios possíveis. Assegura que é possível documentar a transmissão de informações relevantes pra Rússia através deste agente. Fala de uma operação de limpeza interna e diz mesmo que nenhuma tentativa de infiltração russa teria sucesso. O Pravda da Ucrânia diz que foi o próprio líder dos serviços de segurança da Ucrânia, Vasyl Maliuk, a deter o suspeito, que o classifica como um rato.
Uma história de espiões no fecho desta "Guerra Traduzida".