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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos olhar para os destaques da imprensa russa e ucraniana neste dia 19 de março. São já 755 dias de invasão. Conosco em estúdio está a jornalista Diana Rosa, que hoje vai começar pela imprensa ucraniana. Diana, que hoje dá destaque a Josep Borrell, o alto comissário da União Europeia, quer que 90% das receitas geradas pelos ativos russos congelados sirvam para comprar armas para a Ucrânia.

Através do fundo do Mecanismo Europeu para a Paz. Esta é uma notícia que está em destaque no Kyiv Post. Os restantes 10% seriam atribuídos ao orçamento da União Europeia, com o objetivo de aumentar as capacidades da indústria de defesa da Ucrânia. De acordo com as declarações de Josep Borrell, a proposta vai ser apresentada já amanhã.

E na Alemanha, o Ministro da Defesa anunciou um pacote de ajuda à Ucrânia no valor de quase 500 milhões de euros.

Anúncio feito hoje por Boris Pistorius numa reunião do grupo de contacto Defesa da Ucrânia em Ramstein, na Alemanha. Este novo pacote de ajuda alemão inclui 10 mil projéteis de artilharia, ainda uma centena de carros blindados e outra centena de veículos de logística. A Alemanha vai ainda financiar a compra de 180 mil munições, através da iniciativa liderada pela República Checa, em que Portugal vai também participar, como demos conta aqui na semana passada. Lembro que Berlim e Kiev assinaram um acordo bilateral a longo prazo, no mês passado, em que a Alemanha se comprometeu a fornecer assistência militar no valor de 7 mil milhões de euros.

E em Kharkiv, uma cidade a noroeste da Ucrânia, Diana, foi detido um homem suspeito de espiar as Forças Armadas Ucranianas e ele pode enfrentar 12 anos de prisão.

A informação é do Serviço de Segurança da Ucrânia, citado pelo Kyiv Independent. A investigação levada a cabo pelas autoridades revelou que o suspeito recolheu voluntariamente informações sobre as posições de militares e a localização de equipamento das forças ucranianas na linha da frente. Passou depois estas informações ao exército russo. Depois da ocupação parcial da região, o suspeito terá ajudado o Kremlin a identificar membros do movimento de resistência. Já no momento em que foi detido, tinha em posse uma espingarda carregada e um uniforme russo. Este traidor ucraniano, citando aqui este artigo, está atualmente sob custódia e pode cumprir, como disseste, Luís, 12 anos de prisão efetiva.

E o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Moldávia declarou um diplomata russo como persona non grata por ter disponibilizado seis assembleias de voto na Transnístria. O objetivo era que os cidadãos pudessem votar nas presidenciais russas.

Informação confirmada pelo governante moldavo, citado aqui pelo Kyiv Post. O Kremlin já tinha informado sobre a decisão de abrir seis assembleias de voto na Transnístria para acolher 250 mil cidadãos russos, contrariamente ao que tinha definido o governo de Chisinau, que fez saber antes das eleições que seria permitida apenas uma assembleia e que deveria estar localizada dentro da embaixada russa na capital da Moldávia. Esta é a mais recente escalada de tensão diplomática entre os dois países, com Chisinau a acusar o Kremlin de tentar desestabilizar a Moldávia. Relembrar apenas que a Transnístria é uma região separatista, está alinhada com a Rússia, fica localizada numa faixa na fronteira com a Ucrânia.

E fica por aqui este episódio de Guerra Traduzida, versão Ucrânia, e voltamos já a seguir com o que diz a imprensa russa.