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Começa agora mais uma edição da Guerra Traduzida, um episódio especial para acompanhar a situação no Irão. Nos próximos minutos vamos passar em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente e também dos Estados Unidos, hoje com o jornalista João Lourenço. João, começamos com a imprensa iraniana. A agência de notícias Tasnim destaca uma séria ameaça do presidente iraniano. Ele garante que Teerão vai responder aos ataques israelitas no Líbano.

E a confiança não impera entre os diferentes países envolvidos nos conflitos que decorrem no Médio Oriente. O cessar-fogo de abril não tem impedido Israel de alargar a ofensiva no sul do Líbano. Ontem, Donald Trump referiu ter acordado com o Hezbollah e com o governo israelita um cessar-fogo no Líbano. De resto, o portal norte-americano Axios diz que o presidente norte-americano falou ao telefone com Netanyahu numa chamada repleta de palavrões, na qual o presidente norte-americano terá chamado louco ao chefe de governo de Israel. Ainda assim, o Irão não abandona a postura de avisos e ameaças. O presidente do Parlamento iraniano diz que o Irão e o Líbano são inseparáveis. Diz que Teerão está a fazer de tudo para mitigar os ataques israelitas e os Estados Unidos podem levar por tabela.

E por quê, João?

Porque outra das consequências dos ataques de Israel ao Líbano será a suspensão das negociações entre Teerão e Washington. Mohammad Baquer Qalibaf diz mesmo que sem o fim dos ataques norte-americanos no Médio Oriente, em especial no Líbano, não haverá acordo.

Mas os avisos do Irão não ficam por aqui, porque há outro estreito que pode fechar.

E é o estreito de Bab el-Mandeb, considerado estratégico. Liga o mar Vermelho ao golfo de Aden, funcionando como uma passagem obrigatória entre o mar Mediterrâneo e o oceano Índico. Permite uma ligação mais curta entre o continente europeu e a Ásia. É a mais recente ameaça do governo iraniano. Também a Guarda Revolucionária do Irão ameaçou abrir novas frentes e manter o estreito Ormuz fechado.

E nos Estados Unidos, João, há quem pressione pelo fim da guerra com o Irão.

E o líder do Partido Democrata no Senado norte-americano, Chuck Schumer, que deixa críticas à forma como Donald Trump tem lidado com o conflito. Schumer diz que prolongar a guerra coloca as tropas norte-americanas em risco e aumenta a pressão econômica sobre os Estados Unidos, sobretudo devido ao aumento dos preços dos combustíveis.

Importa também olhar para a forma como a liderança iraniana olha para o acordo em perspectiva com os Estados Unidos.

Com a certeza de que Teerão não afasta um acordo entre os dois países. Ainda assim, de acordo com a Al Jazeera, há vozes nas duas administrações que estão a pressionar por exigências que tornam qualquer entendimento difícil de alcançar. Vamos em quase 100 dias de conflito, mais de três meses, e Washington e Teerão ainda não chegaram a um acordo sobre como lidar com o trânsito internacional pelo estreito de Ormuz, em decorrência da insistência do Irão em colocar a hidrovia e do bloqueio americano aos portos iranianos. Também não está claro se os dois lados conseguirão alcançar um acordo de longo prazo sobre o enriquecimento nuclear ou até mesmo sobre o levantamento das sanções americanas e das Nações Unidas contra o Irão. É também o que conta a agência de notícias Al Jazeera. Este artigo, assinado pelo jornalista Maziar Motamedi, deixa um olhar sobre as diferentes lideranças do país. Sabe-se, por exemplo, que Mojtaba Khamenei, o filho do antigo Khamenei, morto nos primeiros ataques norte-americanos, considera os programas nucleares e de mísseis do Irão como ativos nacionais e que devem ser protegidos. Também a Guarda Revolucionária do Irão adota uma posição mais firme contra a concessão de grandes vantagens a Donald Trump. A Al Jazeera conta ainda que os canais de televisão estatais usam regularmente os apresentadores e diversos convidados, incluindo comandantes militares mascarados, para transmitir mensagens ou, mais recentemente, oferecer treino em armas de fogo a apoiantes e proclamá-los e dizer para sacrificarem pelo Estado.

E fica por aqui mais uma edição da Guerra Traduzida, edição especial Irão, hoje com o jornalista João Lourenço.