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Destaque agora para a imprensa russa na Rádio Observador. Seguimos com a "Guerra Traduzida", com o jornalista Miguel Cordeiro, um programa feito com a colaboração de Larissa Tovmazian. Para começar, Miguel, Putin assinou um decreto que prevê a criação de centros de treino entre russos e bielorrussos.
Sim, é preciso explicar que já existem alguns, mas o que é que acontece? O presidente russo Vladimir Putin aprovou a proposta do governo de assinar um acordo com a Bielorrússia que prevê a criação e operações de centros de treino de combate conjuntos entre os dois países. O projeto refere que os centros têm que ser projetados para aumentar o nível de coordenação e também capacidades de combate dos militares dos dois Estados. As principais tarefas dos militares vão ser treinos de combates conjuntos. Além disso, eles vão trocar experiências no uso de armas e equipamentos militares. Ou seja, já existem, de facto, centros de treino com militares russos e militares bielorrussos. A ideia destes centros de treino é prepararem situações de combate conjuntas. Os centros de treino que já existem servem essencialmente para ou abrigar militares russos ou abrigar militares bielorrussos, em que depois acabam por partilhar o espaço. O que está agora a ser definido é que não partilhem apenas espaço, que partilhem o treino e que partilhem treino conjunto para essa necessidade. A Bielorrússia também aprovou este projeto. De referir que já se encontram em funcionamento, como eu explicava, dois destes centros, dois na Bielorrússia, um na Rússia. Vladimir Putin também alterou o decreto sobre o procedimento para estabelecer níveis de ameaça terrorista. Isto aconteceu tudo hoje, ou seja, assinou este decreto sobre os centros de treino e assinou também um decreto sobre o que pode acontecer em níveis de ameaça terrorista. As regiões russas fronteiriças com a Ucrânia já estão neste alerta, alerta amarelo, como por exemplo a região de Belgorod. Agora este novo decreto prevê que nessas regiões onde o nível amarelo de ameaça de ataques terroristas está em vigor, por exemplo, a inspeção de carros vai ser introduzida para as autoridades poderem detetar armas ou explosivos.
E Miguel, vamos às notícias daquilo que está a acontecer no terreno. A Rússia diz que as forças ucranianas deixaram a primeira linha de defesa de Zaporizhzhia.
Uma região que, como sabemos, a Rússia já considera uma região anexada. Na Ria Novosti podemos ler: os militares ucranianos deixaram a primeira linha de defesa na região de Zaporizhzhia e recuaram para posições preparadas com antecedência. Esta informação foi transmitida por Volodymyr Rogov, presidente do movimento Estamos com a Rússia, membro do principal Conselho de Administração Militar Civil da região de Zaporizhzhia. Ele diz: as tropas ucranianas deixaram a primeira linha de defesa em quase todos os lugares e moveram-se para posições prontas na segunda e na terceira linha. Segundo ele, os planos das Forças Armadas da Ucrânia de lançar uma ofensiva em Zaporizhzhia falharam. Rogov acrescenta que o exército russo libertou novas linhas, agora tem uma posição tática e estratégica mais vantajosa na frente de Zaporizhzhia. O exército, segundo ele, conseguiu libertar novas zonas sob fogo ao controle operacional da Ucrânia.
Vamos a uma previsão do Fundo Monetário Internacional. O FMI prevê que a economia russa, apesar da guerra, cresça em 2023.
E é uma atualização, porque em outubro estava prevista uma queda da economia russa em cerca de 2,3%. Precisamente 2,3% era o que estava estimado em outubro. Agora reveem em alta essa situação e passa para um crescimento. São dados divulgados hoje, não são só sobre a Rússia, são vários países. O Fundo Monetário Internacional, por exemplo, revê em alta as previsões económicas para a zona euro, deve crescer 0,7% este ano, acima também do 0,5 que estavam na previsão anterior de outubro. Houve também essa revisão em alta para a Rússia, que deve crescer 0,3% face aos -2,3% estimados anteriormente. O FMI destaca a resistência e adaptação da economia europeia, olhando aqui para a zona euro, face à invasão da Ucrânia, também a resistência à crise energética e o aumento da inflação, mas alerta que os riscos e a incerteza permanecem elevados. Olhando para a Rússia, de facto, é o país que tem uma maior melhoria nas previsões. Passa de -2,3% para 0,3. A melhoria mais acentuada verifica-se então na Rússia, que apesar de ter sido alvo de vários pacotes de sanções ocidentais, deve crescer 0,3%. O FMI diz que a Rússia está a encontrar novos clientes fora do Ocidente para conseguir vender combustíveis. A forte despesa governamental para sustentar o exército e a invasão da Ucrânia também tem ajudado a manter a atividade económica, mesmo num momento de crise. O FMI refere também que o impacto das sanções ocidentais ainda não se concretizou na totalidade. A diretora adjunta do departamento de investigação do FMI explica que a economia russa está bastante dependente de bens de capital provenientes de países ocidentais. Ela diz que esperávamos que o impacto fosse de facto mais elevado, mas se olharmos a médio prazo, por volta de 2027, já também a longo prazo, o nível de produção da economia russa deve ser significativamente inferior ao que era antes da guerra. Ela explica que espera-se que a guerra tenha um impacto muito permanente e considerável na economia russa.
E da imprensa russa, Miguel, vem uma pergunta que vai tentar também responder essa mesma imprensa: qual é que é o valor dos ativos dos investidores russos bloqueados no exterior?
Muitos zeros nestes números.
Vamos lá.
5,7 trilhões de rublos, feita a conta, 74 mil milhões de euros. Dava para construir quase 11 novos aeroportos de Lisboa. O volume de ativos bloqueados, e aqui estamos a olhar para investidores, ou seja, o dinheiro russo congelado fora da Rússia é muito maior, mas isto é dinheiro apenas de investidores russos. Esse valor chega aos 5,7 trilhões de rublos, foi dito por Olga Sislyanikova, diretora do Departamento de Intermediários Financeiros de Investimento do Banco Central da Rússia. Ela disse isto numa conferência com o título "O mercado financeiro russo perante os desafios globais". Sislyanikova explica que foi isto que as autoridades russas levaram em consideração quando decidiram proibir investidores não qualificados de comprar mais títulos estrangeiros. A maioria das decisões com ativos congelados está fora da jurisdição russa. Depois da guerra, vários países começaram a bloquear ativos e as reservas russas. Segundo a Comissão Europeia, como eu dizia, o Ocidente já bloqueou cerca de 300 mil milhões de euros do Banco Central Russo e 19 mil milhões de fundos privados, mas agora há esta atualização do Banco Central da Rússia, que diz que só de investidores russos estão bloqueados no exterior 74 mil milhões de euros.
Miguel, vamos ao último tema em destaque hoje na imprensa russa. Foram mostradas imagens de Bucha no Museu Russo Hermitage.
Sim, para fechar, podemos ler sobre isto no jornal Meduza, jornal independente. Isto é resultado de um ataque de piratas informáticos. O Hermitage é um museu na margem do rio Neve, em São Petersburgo, na Rússia, um dos maiores museus de arte do mundo. Tem uma vasta coleção com itens de todas as épocas, todos os estilos, todas as culturas da Rússia, da Europa, da África, da Ásia. E no Hermitage foram então exibidas imagens, essencialmente informações, em placares eletrônicos, informações sobre o que aconteceu em Bucha. Este ataque aconteceu no dia 29 de janeiro. O jornal Meduza refere que não foram especificadas pelas testemunhas quais foram as informações que foram transmitidas, de facto, nas telas, nos placares eletrônicos do Hermitage. A equipe de segurança do museu desligou todos os placares eletrônicos quando perceberam o que é que se estava a passar. De acordo com os atos preliminares, tudo isto foi realizado remotamente num ataque informático. As autoridades já estão a investigar.
E termina assim esta guerra traduzida, com destaque para a imprensa russa, com o Miguel Cordeiro e também com a ajuda da Larissa Tovmazian.