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Estamos na Guerra Traduzida da Rádio Observador, é o programa em que trazemos, como é habitual, os destaques da imprensa russa e ucraniana. Temos conosco a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana.
Boa tarde, Luís.
E hoje começamos com jornais ucranianos e com a reação ao resultado das eleições norte-americanas. Volodymyr Zelensky fala numa vitória impressionante de Donald Trump.
O chefe de Estado ucraniano já deu os parabéns a Trump pela vitória na corrida à Casa Branca. Espera continuidade de um apoio forte entre os dois partidos norte-americanos à Ucrânia. Apesar de Trump já ter criticado repetidamente o volume que está a ser dado em ajuda dos Estados Unidos à Ucrânia, nesta primeira reação, Zelensky recorda uma ótima reunião que teve com o republicano em setembro, quando os dois discutiram em pormenor a parceria estratégica entre os dois países, também o plano de vitória traçado por Zelensky e as formas de acabar com a agressão russa à Ucrânia. Nesta mensagem, o presidente ucraniano diz apreciar o compromisso de Trump com a abordagem de paz através da força nos assuntos externos, que é exatamente o princípio que, na prática, pode tornar mais próxima a paz na Ucrânia. É o que diz o presidente ucraniano, que tem esperança de que os dois países possam colocar esse princípio em prática juntos.
E este, Diana, é naturalmente o grande tema em destaque na imprensa ucraniana, que cita também as declarações do ministro polaco dos Negócios Estrangeiros. Ele afirma que a Europa tem que se responsabilizar pela própria segurança.
"Que deve ser levada mais a sério", diz o governante numa entrevista citada pelo Kyiv Independent. São declarações a pretexto das críticas recorrentes de Trump aos membros europeus da NATO por não investirem o suficiente nas respectivas capacidades de defesa e, em vez disso, delegarem essa tarefa nos Estados Unidos, sem esquecer também as críticas a Volodymyr Zelensky como o maior vendedor do mundo. Para o diplomata polaco, a liderança da Polónia vai estar à altura dos desafios, mas pede que os países europeus aumentem, a partir de agora, os gastos com a defesa. Lembra o ministro que a Polónia é o único país da NATO que gasta mais de 4% do PIB nas capacidades militares, ficando em primeiro lugar na aliança em termos de participação. Além deste investimento, Radosław Sikorski sublinha também que Varsóvia tem sido fulcral no apoio à Ucrânia, fazendo campanha para que Kiev receba todo o armamento necessário para vencer a guerra.
Ainda na imprensa ucraniana, Diana, uma crítica ao discurso de vitória de Donald Trump.
Por não ter mencionado a Ucrânia. De acordo com o artigo do Kyiv Post, Trump gabou-se de ter derrotado o Estado Islâmico, de não ter tido guerras durante os quatro anos em que esteve à frente do país. Afirmou, de resto, que iria parar as guerras em curso. No entanto, no discurso de vitória, não tocou no nome da Ucrânia nem do presidente ucraniano, ainda que tenha prometido acabar com a guerra em 24 horas, assim que vencesse as eleições. Este texto não deixa escapar, no entanto, J.D. Vance, que se tem manifestado abertamente contra mais apoio dos Estados Unidos à Ucrânia, o que gerou preocupações relativamente à situação de Kiev no conflito. Já a Rússia foi sim mencionada de passagem durante as declarações de Trump esta noite, mas para dizer que os Estados Unidos têm mais petróleo do que a Arábia Saudita e Moscovo.
E noutros temas, também destaque na imprensa ucraniana, na Google nega ter revelado deliberadamente as posições das armas ucranianas.
As posições foram mostradas através do Google Maps. A acusação foi lançada por responsáveis ucranianos numa declaração ao European Pravda, citada pelo Kyiv Independent. A Google disse que essas imagens foram tiradas há mais de um ano, vêm de fontes públicas e garantiu que não publica as imagens mais recentes das zonas de guerra. A Google acrescenta que leva estes pedidos muito a sério e está em constante comunicação com os responsáveis ucranianos. A situação foi denunciada pelo chefe do departamento contra a desinformação do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia.
E foram estes os destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com o que dizem os jornais russos.