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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Nos próximos minutos falamos com a jornalista Diana Rosa sobre os destaques da imprensa russa e ucraniana em tempo de guerra. Boa tarde, Diana.

Boa tarde, Luís.

Hoje começas pelo que dizem os jornais russos, com grande destaque para a visita de Vladimir Putin ao Cazaquistão.

O presidente russo chegou esta manhã, vai estar dois dias no Cazaquistão, onde tem reuniões marcadas com o homólogo cazaque e a pretexto da chegada de Putin, houve direito a uma demonstração aérea. Seis aviões militares sobrevoaram Astana, capital do Cazaquistão, numa coreografia em que pintaram os céus com as cores da bandeira russa, vermelho, azul e branco. Em terra, uma parada militar em honra de Putin. Espera-se que os chefes de Estado discutam a cooperação bilateral, também questões regionais e internacionais. Depois das negociações, as duas partes assinam uma série de documentos conjuntos, mas ainda esta manhã os dois líderes que se encontraram na residência presidencial pintaram numa tela uma ponte de amizade entre a Rússia e o Cazaquistão. As medidas de segurança, por causa desta visita, foram reforçadas em Astana. De acordo com a Ria Novosti, vai ainda haver uma sessão por videoconferência, em que Putin vai dirigir-se aos participantes que estão na sessão plenária do 20º Fórum de Cooperação Interregional entre a Rússia e o Cazaquistão, que vai ter lugar em Ufa, na Rússia.

E a Rússia que se aproxima da Eslováquia. Robert Fico aceitou o convite para participar nas celebrações do nove de maio em Moscovo.

Celebrações que assinalam os 80 anos da vitória soviética na Grande Guerra Patriótica, o termo usado pelos russos para a Segunda Guerra Mundial. O primeiro-ministro eslovaco foi convidado por Vladimir Putin a participar. Aceitou o convite. É o que adianta a Agência Ria. Robert Fico diz que tem o maior interesse em participar em cerimónias que assinalem o fim do fascismo. Lembro que o chefe do governo da Eslováquia tem-se manifestado contra a russofobia, tem-se também mostrado repetidamente contra o fornecimento de armas ao exército ucraniano e já adiantou, inclusivamente, que pretende bloquear a entrada da Ucrânia na NATO por considerar que isso significaria o início da Terceira Guerra Mundial.

E Diana, os Estados Unidos e a NATO estão perto de serem reconhecidos pela Rússia como participantes no conflito.

E o aviso, Luís, é deixado pelo vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros. Sergei Ryabkov apela a Joe Biden para que pare imediatamente com a escalada na guerra na Ucrânia. Caso contrário, não há fim à vista. Em declarações ao canal televisivo RT, o responsável avisa que o perigo neste momento é elevado para todos, incluindo Estados Unidos, e que a Rússia em breve não terá outra opção senão assumir que o Ocidente, a par da Ucrânia, é parte ativa no conflito. Ryabkov alerta também que o lançamento russo do míssil balístico Oreshnik é um sinal para que o Ocidente pare de fornecer armas à Ucrânia. De acordo com este artigo, a Rússia esclarece ainda que cumpre com o acordo com os Estados Unidos sobre avisos de lançamentos de mísseis balísticos. Espera o mesmo por parte dos norte-americanos. Moscovo lembra também que os canais de comunicação permanecem abertos. O problema pode ser as decisões políticas de Washington.

E o Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros promete punir a Ucrânia pelos ataques contínuos a territórios russos.

De ameaça em ameaça, a Rússia avisa desta vez o exército ucraniano, na voz de Maria Zakharova.

A Ucrânia continua a praticar o terror contra a população russa, como por exemplo, os ataques a infraestruturas civis durante a semana passada em regiões da Rússia. As nossas forças, a defesa aérea, por exemplo, abateu e suprimiu mais de 220 veículos aéreos não tripulados e inimigos entre 21 e 26 de novembro, em que quase 250 munições foram disparadas contra áreas povoadas da região de Belgorod. Várias pessoas morreram. Tribunais russos vão pensar na punição a aplicar. Com base nas provas recolhidas pela Comissão de Investigação, continuaremos a condenar ucranianos, nazis e mercenários por crimes de guerra.

De acordo com a porta-voz do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros, os ataques foram realizados à região de Belgorod, na Rússia, mas também às zonas ocupadas de Gorlovka, no Donetsk, e a Kherson. Foram também intercetados 22 drones ucranianos em Rostov, Voronezh, Kursk, Bryansk e Smolensk, zonas russas próximas da fronteira com a Ucrânia. Uma notícia do Izvestia.

E na Polónia, um cidadão alemão foi preso por suspeitas de exportação de tecnologia de dupla utilização para a Rússia.

Material que era alegadamente usado na produção de armas. É o que indica o Serviço de Segurança da Polónia, citado pelo Moscow Times. O homem foi preso na província de Lubusz, faz fronteira com a Alemanha, no oeste da Polónia. Está acusado de intermediar e exportar bens para utilização russa na guerra. Sem dar detalhes, o comunicado das autoridades diz apenas que o suspeito negociou máquinas especializadas que foram enviadas de forma ilegal para bases militares russas envolvidas na produção de armas. Diz também esta declaração que o cidadão alemão confessou o crime. Isto acontece, Luís, numa altura em que a Europa e Estados Unidos têm tentado reprimir empresas que enviam tecnologia de utilização dupla para a Rússia, por meio de terceiros, para evitar sanções.