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Segunda parte da Guerra Traduzida, agora com os destaques da imprensa russa. Continuamos com o jornalista José Rafael Lopes. José, retomamos o tema da reunião entre Moscovo, Kiev e Washington. O Kremlin disse hoje que se for preciso, a reunião pode prolongar-se nos próximos dias.

Pelo menos amanhã e também o dia seguinte. É o que indica o porta-voz Dmitry Peskov e essa informação está presente em toda a imprensa russa. Falam de um arranque fora do comum das negociações e estranham a intransigência ucraniana. Há ainda uma menção à comitiva norte-americana e ao papel que essa mesma comitiva pode ter no decorrer das conversas. A imprensa russa, assim como a imprensa internacional, adianta que russos e ucranianos estiveram na mesma sala a discutir um possível acordo de cessar-fogo para a guerra. Moscovo não quis, ainda assim, revelar os nomes de todos os membros da delegação que foi enviada para Abu Dhabi. Sabe-se que o Kremlin impôs como condição prévia e essencial que a Ucrânia se retire do Donbass e que a informação mais recente que surge na imprensa russa é que essa reunião vai mesmo estender-se, pelo menos durante dois dias.

E seguimos com uma nova sondagem publicada pela agência TASS, diz que quase 80% dos russos confiam em Vladimir Putin.

É o resultado de uma pesquisa realizada entre os dias 12 e 18 deste mês, feita pelo Centro Russo de Pesquisa de Opinião Pública. A pesquisa mostra que a confiança em Vladimir Putin caiu quase dois pontos percentuais, sendo que foram inquiridas mais de 1500 pessoas. Já o desempenho do governo russo não chega aos 50% de aprovação por parte dos entrevistados, representa menos 5% do que na última sondagem. Quanto a partidos, o nacionalista Rússia Unida, liderado por Vladimir Putin, é o que tem mais aceitação. Apresenta um registo de 33% de respostas favoráveis. É o que diz esta sondagem da agência TASS, com esse destaque, 80% dos russos confiam em Vladimir Putin.

E o Tribunal Militar de Moscovo reconhece pela primeira vez que a Ucrânia matou 20 marinheiros na sequência de um ataque contra o navio Almirante atracado no Mar Negro.

Notícia que está em destaque no jornal Moscow Times. Moscovo demorou quase quatro anos para assumir que este ataque ucraniano tinha sido bem-sucedido. O naufrágio do navio ao largo da costa sul da Ucrânia representou um constrangimento para os militares russos. Inicialmente, afirmaram que o navio de guerra afundou em mares tempestuosos enquanto era rebocado para o porto para ser reparado. Agora, a Justiça russa condenou, à revelia, o comandante da brigada da Marinha Ucraniana à prisão perpétua. Considera-o culpado de terrorismo relacionado com o afundamento do Moskva e também de outro navio de guerra russo, cujo nome não foi revelado por parte das autoridades russas. De acordo com a informação que tinha sido anteriormente adiantada pela Ucrânia, no ataque foram utilizados dois mísseis anti-navio, mísseis Neptune, para atingir a embarcação, que acabou mesmo por afundar.

E a Rússia adiou o lançamento do primeiro lote de satélites de internet de banda larga, um projeto que pretende rivalizar com o Starlink da SpaceX.

É o que adianta o jornal Kommersant. É uma notícia fora do comum na imprensa russa, mas que está em destaque neste jornal. O lançamento de 16 satélites, originalmente previsto para o final do ano passado, para o final de 2025, foi adiado para este ano, mas para já ainda não tem uma data definida. Há pelo menos 300 satélites que a Rússia pretende lançar, isto de acordo com informações do chefe da empresa Roscosmos. Esta constelação tem como objetivo fornecer acesso à internet de banda larga em toda a Rússia e também uma segunda vontade, que é servir como uma alternativa ao serviço prestado pelo Starlink da SpaceX, a empresa de Elon Musk. Duas fontes da indústria espacial russa disseram a este jornal, ao Kommersant, que o atraso pode estar relacionado com a demora na preparação dos satélites e também na construção destes equipamentos, que são grandes desafios em termos de engenharia.

É o ponto final nesta edição de Guerra Traduzida. Está de regresso na próxima semana.