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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana, hoje com o jornalista José Rafael Lopes. José, vamos começar pela imprensa ucraniana e com notícias de avanços no terreno por parte das Forças Armadas da Ucrânia.
É o que escreve o Kyiv Independent, que dá conta de que as forças ucranianas libertaram quase 300 km² de território da ocupação russa. Isto numa contraofensiva que tem sido levada a cabo no sul do país. São declarações de Volodymyr Zelensky, que foram também partilhadas à AFP. Chegam às manchetes da Ucrânia esta quarta-feira o artigo. Lembra ainda que este relatório da contraofensiva surge numa altura em que Kiev enfrenta uma crescente pressão por parte dos Estados Unidos para retirar tropas de território controlado pela Ucrânia. O Kyiv Independent puxa ainda para destaque os elogios de Volodymyr Zelensky, o presidente ucraniano, às forças militares da Ucrânia, que foram classificadas pelo presidente como bravas e corajosas. Zelensky diz que a Ucrânia estava a avançar ao longo da linha da frente do sul, mas não especificou o setor ideal, nem o período temporal desta contraofensiva, que ainda está em curso. Apesar do avanço, o jornal ucraniano descreve a zona conquistada pelas forças de Kiev como uma área desprovida de grandes características geográficas, sendo que acaba por ser uma vitória que dá moral à Ucrânia, mas que não significa grandes ganhos significativos no campo de batalha.
José, há mais notícias sobre a situação na linha da frente, que chega às manchetes principais na imprensa ucraniana.
Vamos dar destaque a um artigo do jornal Kyiv Post com números atualizados das baixas do lado russo nesta guerra entre a Federação Russa e a Ucrânia. Este balanço é apresentado no arranque do quinto ano de guerra. Ontem foi o quarto aniversário. A contagem confirma soldados, oficiais, marinheiros e aviadores russos que foram mortos em combate e diz que é um número que já ultrapassa os 200 mil. É o que aponta um grupo de investigação, o Mediazona, que foi consultado pelo jornal. A imprensa ucraniana avança ainda que este número, os 200 mil, foi alcançado com dados cruzados provenientes de obituários, certidões de óbito, sepulturas, lista de unidades, mas também de publicações nas redes sociais, anúncios fúnebres e registros de cemitérios e necrologias. Com base em tudo isto, a Ucrânia diz que há 200 mil baixas da Rússia em cinco anos de guerra. O artigo fala de mortes no terreno, mas refere também as perdas de equipamentos por parte da Rússia. A imprensa ucraniana diz que a Rússia já perdeu 11 mil carros de combate, quase 40 mil artilharias, 700 aeronaves, entre aviões e helicópteros, e ainda 29 navios de guerra.
Continuamos com números da guerra. Agora, José, com foco no número de batalhas.
O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia divulgou esta informação numa atualização do estado de situação. É o destaque no Ukrinform, com um artigo que cita dados atualizados ontem, após mais uma ronda de ataques russos contra a Ucrânia, nomeadamente Kiev e Kharkiv, que foram as zonas mais afetadas. Diz o artigo ucraniano que há 83 ataques aéreos recentes, bem como 220 bombas aéreas guiadas que foram largadas sobre a Ucrânia. Além disso, apontam que as forças russas utilizaram quase 6 mil drones kamikaze e efetuaram 3 mil bombardeamentos contra localidades e posições das tropas ucranianas. Os agressores, que é como são apelidados os russos neste artigo, terão ainda lançado ataques aéreos, nomeadamente nas proximidades de várias localidades com uma larga população civil. Há, no entanto, uma falha neste artigo. Estes dados avançados não têm uma janela temporal avançada pela imprensa ucraniana. Como tal, torna-se impossível perceber de quanto tempo é que estamos a falar no campo de batalha para explicar estes dados relacionados com as operações russas.
E Volodymyr Zelensky desvaloriza o armamento nuclear russo.
É uma reação que está também em vários dos jornais da Ucrânia, que surge depois de ontem, numa grande entrevista, Vladimir Putin ter dito que a Rússia é uma superpotência nuclear, quer a nível ofensivo, quer a nível defensivo. Disse também o presidente russo que há equipamentos militares tão secretos na Rússia que nem sequer dentro da própria Rússia são conhecidos, ou seja, não são conhecidos do público. Volodymyr Zelensky foi abordado com essa declaração por parte de Vladimir Putin e desvalorizou por completo as palavras do líder russo. Diz o presidente ucraniano que não passa de um blefe de propaganda de Putin e da Rússia e que o presidente russo já tem um historial negativo de abanar a carta militar para tentar meter medo não só à Ucrânia, mas também a toda a União Europeia. São declarações de Zelensky citadas em vários artigos na imprensa ucraniana, que mantêm uma tendência desde o início da guerra, que é cada vez que Zelensky faz esse anúncio diário nas redes sociais, acaba sempre por ser um dos principais destaques na imprensa ucraniana.
E a situação elétrica na Ucrânia vai manter-se complicada, pelo menos até abril.
É o que escreve o jornal Pravda. Não existe uma previsão precisa sobre quando é que as cidades poderão regressar à normalidade com energia constante e sem cortes. De um modo geral, a situação do fornecimento, escreve o Pravda, o fornecimento de energia, é vista como muito complicada, sendo que apenas em abril é que é apontada uma data possível para que o restabelecimento de energia possa ser feito de forma natural. O artigo lembra que estão em vigor em Kiev horários temporários de cortes de energia e que é difícil prever um regresso a horários permanentes devido à situação complexa no sistema energético da Ucrânia, muito devido aos ataques a infraestruturas elétricas por parte da Rússia. O ponto mais preocupante são os milhares de edifícios na capital que continuam sem aquecimento. No fecho do artigo, o Pravda aponta os ataques russos a infraestruturas energéticas como a principal dificuldade, embora destaque que as reparações à rede energética da Ucrânia são também muito complicadas de levar a cabo.
Está feita a guerra traduzida com as notícias da imprensa ucraniana. Vai ficar já disponível em podcast.