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Começa agora mais um episódio da Guerra Traduzida, especial Irão, para acompanhar a guerra no Médio Oriente. Passamos em revista a imprensa dos Estados Unidos e também dos países do Médio Oriente. Hoje a edição é do jornalista Carlos Pedro. Carlos, começamos com o estado de saúde do aiatolá do Irão. A imprensa do país diz que está iminente a morte de Mostaba Khamenei.
É o que relata o canal da oposição no Irão, o Iran Wire, que cita duas fontes ligadas ao gabinete do presidente iraniano. Mostaba Khamenei, o líder supremo do país, ainda não foi visto em público, nem manteve qualquer reunião presencial com os membros do executivo de Teerão, desde que assumiu o cargo de líder supremo. O Iran Wire escreve agora que circulam rumores de que o aiatolá se encontra num estado de saúde extremamente crítico e que poderá morrer a qualquer momento. O mesmo portal admite que dentro da cúpula do regime iraniano, essa possibilidade ganha cada vez mais força. Enquanto isso, as autoridades iranianas anunciaram esta manhã explosões controladas na província de Bushehr, ainda que sem fornecer mais detalhes.
Mas entretanto, Carlos, continua um impasse a questão de Ormuz. O Irão quer taxas na passagem pelo canal, mas os norte-americanos defendem a total liberdade de circulação.
Sim, mas as discordâncias não ficam por aqui, já que o presidente norte-americano admitiu na última noite que o conflito no Médio Oriente pode estar a chegar ao fim, mas falou também no estreito de Ormuz. Trump diz que está mais ou menos aberto neste momento e só não é totalmente utilizado por ainda haver minas no percurso.
Neste momento está mais ou menos aberto. Temos uma coisa chamada bloqueio, liderada pela Marinha dos Estados Unidos da América, e somos nós que a controlamos. E agora somos nós que a controlamos, mas eles podem sempre disparar alguma coisa. Têm sempre alguma coisa ou lançam uma mina. E se houver uma mina por aí, isso acaba por complicar as coisas, porque as pessoas não querem levar os seus barcos milionários e serem acidentalmente atingidas por uma mina. Mas acho que estamos a sair-nos muito bem. Eu estou envolvido nas negociações, acho que estamos a sair-nos bem. Pode ser que aconteça em breve, sim.
Donald Trump, ontem à noite, na Sala Oval da Casa Branca, diz que graças ao bloqueio naval liderado pelos Estados Unidos, o estreito de Ormuz está em funcionamento.
Mas os dados, Carlos, apontam para uma queda acentuada do tráfego marítimo no local.
Trinta e três embarcações passaram por Ormuz entre segunda e quinta-feira, quando na semana anterior tinham passado 50. Os dados são da empresa de rastreio de navios, a Kepler, e são citados pela agência Reuters. Entretanto, no estreito de Bab al-Mandab, no mar Vermelho, 26 embarcações transitaram na quinta-feira, contra 19 no dia anterior, também de acordo com dados da Kepler.
Já vamos falar do Iraque. Primeiro, nos Estados Unidos, há um senador que está a pedir que os manifestantes iranianos tenham armas, isto para fazer colapsar o regime.
Sim, Miguel, é uma notícia da CBS News, que cita declarações proferidas no podcast "School of War". O senador em questão é Ted Cruz, republicano, que terá pedido à Casa Branca para armar os manifestantes em Teerão, isto de modo a manter e a intensificar a pressão militar e económica sobre o regime.
Armem os manifestantes. É algo que eu ando a pedir desde o início. Não vamos mandar os americanos para o terreno. O presidente Trump não vai enviar milhares de militares americanos para o Irão, como aconteceu no Iraque. Simplesmente é algo que não vai acontecer. A resposta óbvia é que o Irão é um país de 92 milhões de pessoas. O que eu acredito que devemos fazer, o que eu pedia ao presidente Trump repetidamente, foi para darmos armas aos manifestantes, dar-lhes armas para deixá-los derrotarem o próprio governo e para que não sejam os militares americanos em solo iraniano. Que sejam os iranianos a lutar pelo próprio país.
Ted Cruz também criticou os esforços para chegar a um novo acordo com Teerão e apelidou o memorando de entendimento assinado em junho de desastre. O republicano argumenta que Washington deveria manter a pressão económica e continuar a atacar alvos militares do Irão.
Agora sim, Carlos, o Iraque. O jornal Iran International diz que este país estará a preparar um golpe final contra as milícias apoiadas por Teerão.
Este jornal iraniano diz que é uma informação passada para um funcionário do governo do Iraque. Diz que alguns grupos apoiados por Teerão estarão a planear ataques contra a Arábia Saudita, o Kuwait, a Jordânia e a Síria. Por isso, o Iraque estará em vias também de atacar estes grupos que recebem o apoio da República Islâmica do Irão.
É um ponto final neste episódio da Guerra Traduzida sobre os conflitos no Médio Oriente. A edição de hoje foi com o jornalista Carlos Pedro.